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Saúde

CAR-T Cell: terapia inovadora reduz câncer em 87% dos pacientes

CAR-T Cell usa células de defesa do paciente, que são modificadas em laboratório para combater as cancerígenas

CAR-T Cell: terapia inovadora reduz câncer em 87% dos pacientes
- Bolsa com células CAR-T: projeto prevê a infusão em 81 pacientes até o fim do ano
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Camila Lima

Jornalista formada pela Faculdade Estácio de Sá de Vitória, atua há 7 anos no jornal A Tribuna. Integrante da editoria de Cidades, tem como principal foco a cobertura de saúde, área na qual construiu sólida experiência em reportagens, entrevistas e coberturas de eventos pelo Brasil. Apresenta o podcast Fala, Doutor, dedicado a levar informação acessível e de qualidade sobre medicina e bem-estar ao público.

Última atualização


Considerada uma das terapias mais inovadoras para tratamento de cânceres hematológicos, a CAR-T Cell, que está sendo desenvolvida no Brasil, apresentou resultados animadores em pacientes com leucemia e linfoma que já haviam esgotado outras possibilidades de tratamento.

Dados preliminares apontam que mais de 87% dos pacientes tratados com a terapia CAR-T Cell tiveram resposta positiva ao tratamento.

A CAR-T Cell utiliza células de defesa do próprio paciente, que são coletadas e modificadas em laboratório para reconhecer e combater as células cancerígenas. O tratamento é voltado principalmente para pacientes que não responderam adequadamente a terapias convencionais.

O estudo é resultado de uma parceria entre o Ministério da Saúde, o Hemocentro de Ribeirão Preto, a Universidade de São Paulo (USP) e o Instituto Butantan.

As conclusões foram apresentadas ontem pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Apesar dos resultados promissores, o ministro ressaltou que o estudo ainda está em andamento e que pacientes continuarão sendo acompanhados e outros incluídos.

“O estudo ainda está em andamento, são resultados preliminares, tem pacientes a serem recrutados ainda para ser o número total previsto no estudo”, explicou o ministro.

O projeto prevê a infusão em 81 pacientes até o fim do ano, sendo que 75 deles já estão cadastrados. Os pacientes são acompanhados durante um ano, após a data de inclusão no estudo para avaliação da segurança e da eficácia da terapia.

A expectativa do Ministério da Saúde é que, após a conclusão dos estudos e eventual aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a terapia possa ser incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Hoje, tratamentos semelhantes disponíveis internacionalmente podem custar cerca 2,5 milhões de dólares por paciente.

De acordo com o ministro da Saúde, a produção nacional da terapia poderá contribuir para reduzir custos e ampliar o acesso dos pacientes brasileiros a uma tecnologia que atualmente está entre as mais sofisticadas da medicina de precisão.

Fique por dentro

O que é a terapia CAR-T Cell?

A CAR-T Cell é um tipo avançado de imunoterapia que utiliza as próprias células de defesa do paciente para combater o câncer. O tratamento começa com a coleta dos linfócitos T, células do sistema imunológico responsáveis por defender o organismo.

Em laboratório, essas células são modificadas geneticamente para reconhecer e atacar as que são cancerígenas. Depois, elas são reinfundidas no paciente e passam a atuar de forma mais eficaz contra o tumor. Todo o processo, desde a coleta até a aplicação, leva cerca de 60 dias.

Pesquisa brasileira

Os resultados preliminares apresentados pelo Ministério da Saúde demonstraram uma taxa de resposta de 87,5% entre pacientes com cânceres hematológicos tratados com a terapia. Muitos participantes apresentaram redução significativa dos tumores e, em alguns casos, houve desaparecimento completo da doença.

O estudo envolve pacientes com Linfoma Não-Hodgkin B e Leucemia Linfoide Aguda B, dois dos tipos mais agressivos de câncer do sangue. Até o momento, 25 pacientes do SUS já receberam o tratamento, e a expectativa é chegar a 81 pacientes até o fim deste ano, sendo que 75 deles já estão cadastrados.

Incorporação ao SUS

Embora os resultados sejam considerados promissores, o estudo ainda está em andamento. Pelas regras internacionais, os pacientes precisam ser acompanhados por pelo menos um ano após a aplicação da terapia para avaliação da segurança e da eficácia do tratamento.

Depois dessa etapa, os dados serão analisados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A expectativa do Ministério da Saúde é que o processo regulatório seja concluído entre um ano e um ano e meio. Se aprovado, o tratamento poderá ser incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Fonte: Ministério da Saúde.


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