Uma clínica no Estado teve as cirurgias plásticas de mama suspensas após serem registrados 12 casos este ano de infecções por micobactérias.
Por nota, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) informou que “este ano houve interdição de uma sala cirúrgica no mês de julho e interdição de um dos procedimentos cirúrgicos em agosto”.
A Sesa explicou ainda que o aumento de casos de micobactéria de crescimento rápido (MCR) foi identificado em uma clínica de estética privada nos meses de março e abril. O nome e a localidade da clínica não foram informados.
“O estabelecimento onde os casos foram registrados realizou adequações e os casos foram controlados, porém, por algumas inadequações verificadas em inspeção sanitária, tiveram as cirurgias de mamas suspensas até completa adequação. Foram aplicados autos de infração, ainda em tramitação, e realizadas interdições parciais”.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) esclareceu que dos 12 casos, 11 foram confirmados em pacientes que realizaram o procedimento na mama (com e sem prótese) e um em paciente que realizou abdominoplastia. “Ainda há três casos sob investigação. Todos da mesma clínica”, informou.
De acordo com a Anvisa, desde março vem acompanhado o caso. A agência classificou os episódios na clínica como “surto”, mas que já está em fase de contenção, após estabelecidas medidas de controle pela Comissão de Controle de Infecção (CCIH) do local e também pela Coordenação Estadual de Controle de Infecção em Serviços de Saúde (CECISS).
A Anvisa ressaltou ainda que “a partir da investigação conduzida, identificou-se que todos os últimos casos notificados estão relacionados com os procedimentos cirúrgicos ocorridos em março, no período do surto”.
“Dessa forma, até o momento, as informações recebidas não configurariam um novo evento, ou seja, entende-se que são manifestações do mesmo microrganismo identificado inicialmente em março (devido ao seu período de incubação, em média de até 12 meses)”, completa a nota da agência.
Sequelas após 10 procedimentos
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Em julho, a reportagem de A Tribuna contou a história da vendedora Aparecida Pope, de 55 anos, que após uma cirurgia plástica teve uma infecção por micobactéria.
A cirurgia foi feita em janeiro do ano passado para a retirada de um nódulo benigno no seio e a troca de silicone, mas por conta da micobactéria, ela relatou que buracos foram se abrindo em seu seio.
Para tentar conter a infecção, ela contou na época que precisou passar por 10 procedimentos cirúrgicos no total.
“Fiz um exame em janeiro e deu negativo para a micobactéria. Mas por tomar antibióticos por muito tempo, fiquei com sequelas, como a perda de parte da audição e imunidade baixa. Sigo em tratamento”.
“Toda cirurgia tem um risco”
Apesar de ser um procedimento eletivo (programado), o cirurgião plástico e presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Regional Espírito Santo, Luiz Fernando Vieira, alerta que há sempre um risco.
“Toda cirurgia tem um risco. O paciente não pode achar que tem 100% de garantia de sucesso e resultado. Isso, infelizmente, não existe. O que o paciente precisa ter, que é de obrigação do médico, é a assistência”.
O médico alerta ainda quanto aos cuidados que o paciente precisa ter ao escolher o profissional para realizar o procedimento.
“A primeira coisa que o paciente precisa procurar é se o médico faz parte do grupo de associados e membros da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Também precisa ver se a cirurgia será realizada em um hospital ou clínica de boa referência”.
A atenção também deve ser redobrada quanto às questões de preço. “O custo dessa cirurgia é caro, tem de desconfiar de quem cobra barato”.
Segundo o médico, é essencial passar pelos exames pré-operatórios. “Durante o exame de sangue é possível ver se o paciente está em vigência de algum quadro infeccioso, prévio à cirurgia”, diz.
Sobre o que poderia levar às infecções por micobactérias, Luiz Fernando explica que não há uma causa definida. “É preciso que haja uma boa condição de higiene e esterilização dos materiais”.
Cuidados
Cirurgião e exames
– Escolha um cirurgião que faça parte da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), com experiência no procedimento pelo qual vai passar.
– É possível fazer pesquisa no site cirurgiaplastica.org.br, buscando pelo nome do cirurgião plástico e verificando se ele é credenciado ou não, bem como consultar no site do Conselho Regional de Medicina (crmes.org.br) se o profissional tem título de especialista registrado.
– É fundamental que o cirurgião plástico realize uma avaliação médica para identificar se o paciente corre riscos de complicações.
– O paciente precisa ter assistência do cirurgião após o procedimento.
Preço
– Faça pesquisa e desconfie dos preços muito baixos dos procedimentos estéticos.
– O custo de uma cirurgia plástica é caro, tem de desconfiar de quem cobra barato.
Fonte: Luiz Fernando Vieira (cirurgião plástico) e Pesquisa AT.