- Vitória, ES 27°C

Vitória 27°C

Publicidade: Combate os sintomas da gripe
Saúde

Como anabolizantes podem deixar o coração mais fraco

Apelo estético intensificado tem feito jovens colocarem a saúde em risco com uso desenfreado de anabolizantes

Como anabolizantes podem deixar o coração mais fraco
- Anabolizante : riscos
Foto de perfil de Will Anholetti

Will Anholetti

Will Anholetti é jornalista formado pelo Centro Universitário Faesa e pós-graduado em Língua Portuguesa e docência no Ensino Superior. Repórter multimídia, escreve para A Tribuna e Tribuna Online.

Última atualização

O apelo estético intensificado pelas redes sociais transformou a busca por saúde em uma vitrine obsessiva de corpos milimetricamente moldados e inatingíveis. Feeds repletos de imagens editadas e influenciadores que exibem rotinas de transformações físicas extremas criaram a chamada “ditadura dos músculos”, seduzindo cada vez mais jovens e adultos ao uso desenfreado dos anabolizantes.

Diante desse cenário alarmante, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia no Espírito Santo (SBEM-ES) lançou uma cartilha informativa sobre esteroides anabolizantes. O intuito é orientar médicos e a população geral sobre os riscos dessas substâncias.

Segundo a endocrinologista e presidente da SBEM-ES, Maria Amélia Julião, dados da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia revelam que 1 em cada 16 estudantes no Brasil (entre o Ensino Fundamental e Médio) já fez uso de esteroides anabolizantes sem qualquer indicação médica. “Na era do ‘clique e receba’, o jovem tem pressa para conseguir em três meses o que levaria três anos”, alerta.

Além do impacto social, a Dra. Maria Amélia chama a atenção para o risco cardiovascular. Como o coração é um músculo, ele também cresce com o uso dessas substâncias, tornando-se rígido e fibroso.

“Com menos espaço interno e sem flexibilidade, o coração perde a capacidade de relaxar e de bombear o sangue com eficiência, levando à insuficiência cardíaca”.

O uso desregula o colesterol e enrijece os vasos, disparando a pressão arterial e aumentando os riscos de infarto agudo do miocárdio e AVC.

A endocrinologista Flávia Tessarolo reforça que não há dose segura e que a falsa estética camufla um corpo doente. “Se avaliarmos aquela pessoa que usa um esteroide anabolizante, metabolicamente ela é igual a uma pessoa que está obesa e sedentária”.

Por fora há definição, mas por dentro há resistência à insulina e gordura visceral. “Estudos mostram que usuários têm ainda nove vezes mais risco de cometer um crime por conta da agressividade”.

O impacto psicossocial e sistêmico é endossado pela endocrinologista Queulla Garret. “Aumenta muito a irritabilidade e a agressividade. Grande parte dos casos de feminicídio provocados por homens foi feita por usuários de anabolizante”, adverte.

Fisicamente, os danos estendem-se por todo o organismo. “A testosterona é de metabolização hepática. Isso gera consequências graves, desde fibrose e cirrose até o hepatonoma, que é um câncer de fígado”, conclui Queulla, lembrando que o uso prolongado cessa a produção hormonal natural do corpo, culminando em atrofia testicular e infertilidade.

Mitos e Verdades

1 “Usar uma dose baixa de anabolizante é seguro”

Mito. Não existe dose segura fora das indicações médica. Mesmo quantidades consideradas “baixas” podem causar supressão hormonal, infertilidade, alterações no colesterol e aumento do risco cardiovascula.

2 “Mulher pode usar a para aumentar a libido”

Mito. A testosterona não deve ser utilizada de rotina em mulheres. A dosagem só é indicada quando há suspeita de excesso, e não de deficiência.

O uso sem indicação causa efeitos masculinizantes, como engrossamento da voz, aumento de pelos e infertilidade.

3 “Se for bioidêntico, é natural e não faz mal”

Mito. “Bioidêntico” significa apenas que a molécula é quimicamente igual à produzida pelo corpo, o que não garante segurança.

O risco depende da dose, via de administração e necessidade real; mesmo eles podem causar efeitos adversos graves sem acompanhamento médico.

4“Reposição hormonal e anabolizante são a mesma coisa”

Mito. A reposição hormonal é um tratamento médico para corrigir deficiências diagnosticadas.

Já o uso anabólico é feito sem necessidade clínica, com fins estéticos ou de performance, caracterizando uso indevido.

5 “Posso fazer reposição após um exame”

Mito. O diagnóstico de deficiência androgênica requer duas coletas matinais associadas a sintomas clínicos típicos.

Um exame isolado não é suficiente e pode levar a tratamentos desnecessários.

6 “Não há problema se houver acompanhamento”

Parcialmente verdadeiro / Mito. O acompanhamento médico é indispensável, mas não torna o uso do anabolizante em algo 100% seguro.

O uso fora das indicações reconhecidas pela medicina continua sendo arriscado e não é recomendado pela SBEM nem pelo CFM.

7 “Homens mais velhos precisam de reposição”

Mito. O declínio natural da testosterona com a idade nem sempre requer reposição.

Ela só é indicada quando há deficiência comprovada e sintomas consistentes. Sem indicação, o uso aumenta riscos de infarto, trombose e câncer de próstata.

8 “Ajuda a ganhar músculo e não engorda”

Mito. O ganho muscular pode vir acompanhado de retenção de líquidos, aumento da gordura visceral e alterações metabólicas.

Além disso, os resultados são temporários e, após a interrupção, pode ocorrer perda rápida da massa adquirida.

9 “Corpo se recupera sozinho se eu parar”

Mito. A interrupção abrupta pode causar síndrome de abstinência hormonal, depressão, queda de libido e infertilidade prolongada.

Em muitos casos, a produção natural de hormônios não retorna ao normal, exigindo tratamento especializado.

10 “Se fosse tão perigoso, não seria tão comum”

Mito. A popularidade de uma prática não a torna segura. Muitos usuários não relatam complicações por vergonha, mas estudos mostram aumento significativo de doenças hepáticas, cardiovasculares e psiquiátricas.

Mais Lidas

Ver tudo ›