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Saúde

Falta nas farmácias: corrida por emagrecimento provoca “apagão” de Mounjaro

Medicamento está em falta nas farmácias do Espírito Santo e ainda não há previsão para regularizar a oferta

Falta nas farmácias: corrida por emagrecimento provoca “apagão” de Mounjaro
- Falta do Mounjaro nas farmácias do Espírito Santo afeta pacientes que aguardam o início do tratamento com a dose inicial de 2,5 mg, sem previsão de normalização do estoque
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Beatriz Brandão

Beatriz Brandão é estudante de jornalismo na Universidade Federal do Espírito Santo e é repórter multimídia no jornal A Tribuna. Tem experiência em assessoria de imprensa, rádio e jornalismo digital.

Última atualização


Farmácias do Espírito Santo enfrentam um “apagão” do medicamento Mounjaro, que ganhou popularidade por auxiliar no processo de emagrecimento.

A escassez principalmente da dose inicial de 2,5 mg, necessária para o começo do tratamento, tem dificultado o acesso de pacientes ao medicamento.

De acordo com apuração de A Tribuna, as redes de farmácias Santa Lúcia, Pague Menos, Drogasil e Rede Farmes estão sem a dosagem inicial do medicamento em estoque.

A Santa Lúcia informou que é possível adquirir outras dosagens sob encomenda, conforme a disponibilidade do fornecedor.

O tratamento deve ser iniciado com a dose menor para que o organismo se adapte ao medicamento, evitando efeitos colaterais intensos, como explica a endocrinologista da Unimed Sul Capixaba Iara do Vale Machado. “Começar com doses maiores, como 5 ou 10 mg, pode fazer com que o paciente não tolere bem a medicação”.

A presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – Regional Espírito Santo (SBEM-ES), Maria Amélia Julião, diz que essa escassez pode estar relacionada à alta procura pelo medicamento no último ano.

“Há um desequilíbrio entre oferta e demanda. Por ser um medicamento recente e altamente eficaz, houve uma adesão em massa ao tratamento, superando a capacidade logística de reposição da fabricante”.

A médica adiciona que pacientes não devem ajustar a dosagem sozinhos na tentativa de evitar ficar sem o remédio. “O correto é conversar com o médico, que pode avaliar a substituição temporária por outros análogos. Se não houver urgência, é mais seguro aguardar a reposição”.

O farmacêutico Antuany Reis afirma que, desde a liberação, a procura tem sido intensa.

“Assim que o produto chega em loja, leva no máximo cinco dias para esgotar”.

E não há previsão para a regularização da oferta nas farmácias do Estado, segundo o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos no Espírito Santo (Sincofaes), Edson Marchiori.

Procurada pela reportagem, a farmacêutica Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, informou que não irá se pronunciar sobre a falta dos medicamentos no Estado.

Saiba Mais 

Medicamento em falta

A dose inicial de 2,5 mg do Mounjaro, indicada para o início do tratamento, está em falta em diversas farmácias do Estado.

As redes de farmácia Santa Lúcia, Pague Menos, Drogasil e Rede Farmes não possuem essa dosagem do medicamento em estoque.

A Santa Lúcia também informou que outras dosagens estão disponíveis sob encomenda, de acordo com a disponibilidade do fornecedor.

Segundo representantes do setor farmacêutico, o medicamento teve uma procura muito acima do esperado e a indústria não conseguiu acompanhar a demanda.

Eles também afirmam que a distribuição tem priorizado grandes redes nacionais, dificultando o acesso em farmácias de menor porte.

Não há, até o momento, previsão oficial para a normalização da oferta.

No Brasil, o Mounjaro é a única tirzepatida aprovada pela Anvisa. Especialistas acreditam que isso também pode contribuir para essa escassez.

Mounjaro

É um medicamento injetável de aplicação semanal, cujo princípio ativo é a tirzepatida.

Foi desenvolvido inicialmente para o tratamento do diabetes tipo 2, mas passou a ser amplamente utilizado também para perda de peso.

A medicação atua no controle do apetite e da glicemia, ajudando na redução do peso corporal.

O tratamento começa, de forma segura, com a dose de 2,5 mg por semana para que o organismo se adapte ao medicamento, reduzindo o risco de efeitos colaterais.

As doses podem ser ajustadas gradualmente, de acordo com a avaliação médica e a resposta do paciente.

Iniciar o uso com doses mais altas pode provocar náuseas, vômitos, fraqueza, alterações intestinais e quedas de glicose.


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