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Saúde

Crianças com 8 anos já recorrem a cirurgias plásticas contra bullying

Procura começa a partir dos 8 anos. Correção de orelhas e rinoplastia estão entre as intervenções mais comuns feitas pelo público infantojuvenil

Crianças com 8 anos já recorrem a cirurgias plásticas contra bullying
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Camila Lima

Jornalista formada pela Faculdade Estácio de Sá de Vitória, atua há 7 anos no jornal A Tribuna. Integrante da editoria de Cidades, tem como principal foco a cobertura de saúde, área na qual construiu sólida experiência em reportagens, entrevistas e coberturas de eventos pelo Brasil. Apresenta o podcast Fala, Doutor, dedicado a levar informação acessível e de qualidade sobre medicina e bem-estar ao público.

Última atualização

O meio escolar pode ser desafiador, principalmente para quem sofre com o bullying. Agressões por causa de comportamento, roupa e aparência são mais “comuns” do que os pais podem imaginar. E com as redes sociais, as humilhações tomam proporções ainda maiores.

O fato é que crianças a partir do oito anos e adolescentes têm recorrido à cirurgia plástica.

Nem mesmo famosos estão livres: a cantora Ana Castela, de 22 anos, revelou, no fim do mês passado, que já sofreu bullying por causa de sua orelha. Rafaella Justus, de 16 anos, filha de Roberto Justus, também já teve de lidar com comentários maldosos por ter nascido com uma malformação craniana.

Especialistas afirmam que, apesar de não haver uma estatística que aponte o bullying como motivo para a cirurgia, há pacientes que procuram pelo procedimento por conta das “zoações”.

O que se sabe é que 13% das cirurgias plásticas feitas no Brasil são realizadas no público até 18 anos, conforme explica o cirurgião plástico Ariosto Santos.

Nesta época do ano há um incremento de 80% a 100% do volume das cirurgias feitas por adolescentes, por causa das férias.

Otoplastia (“orelha em abano”), ginecomastia, redução de mama e rinoplastia estão entre as cirurgias mais comuns feitas pelo público infantojuvenil.

“Nos meninos, as cirurgias mais comuns são, em primeiro lugar, a ginecomastia, seguidas da otoplastia e da rinoplastia. Já nas meninas são otoplastia, nariz e mama, tanto para reduzir quanto aumentar”, destaca Ariosto.

Apenas na cirurgia de otoplastia a idade para a realização é mais precoce, segundo Ariosto. “Porém, todas as outras devem ser muito bem avaliadas pelo profissional e pela família”.

Alguns parâmetros antes das cirurgias são considerados, de acordo com o cirurgião plástico Rodrigo de Freitas. No caso da ginecomastia, a procura é mais comum com 15 e 16 anos, sendo importante fazer uma avaliação com endocrinologista para saber se a causa é hormonal.

Quanto à redução ou aumento de mamas em meninas, o recomendado é realizar o procedimento apenas quatro anos depois da primeira menstruação.

“Já o nariz, o ideal é esperar a completa formação das estruturas nasais, normalmente após os 18 anos. Mas há casos em que isso é avaliado”.

Fim do sofrimento aos 12 anos

Aos 12 anos, Pedro Henrique Franco pediu à mãe, Débora Franco, 40, para realizar a cirurgia de correção de orelhas, a otoplastia. “Ele me contou que tanto os colegas da escola quanto da rua o zoavam muito, chamando-o de “orelha de burro”, “orelha de Dumbo”, e ele se sentia muito mal por isso”.

Os episódios já fizeram Pedro Henrique chorar. Sua mãe, então, procurou pelo procedimento, que, na época, foi feito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “A médica da unidade de saúde, na época, disse que era bobagem, mas eu via o quanto aquilo causava sofrimento nele”.

Hoje, aos 18 anos, o jovem se tornou barbeiro e ressignificou o trauma. “Ele é conhecido como Orelha do Corte, seu nome comercial. Com a autoconfiança que a otoplastia proporcionou ele teve coragem de usar”, contou Débora.

Fique por dentro

As correções mais procuradas por crianças e adolescentes

Orelha de abano

A otoplastia, correção das orelhas proeminentes (de abano), é uma das cirurgias mais procuradas por quem sofre com bullying.

Pode ser realizada a partir dos 7 anos de idade, mas geralmente o procedimento é feito com mais frequência aos 11 ou 12 anos, de acordo com os médicos.

Ginecomastia

No caso dos meninos, a correção cirúrgica do aumento das mamas, que ocorre pelo desenvolvimento das glândulas mamárias, é indicada.

Geralmente, essa cirurgia é realizada a partir dos 15 anos de idade, dependendo da avaliação médica, sendo necessário também a avaliação de um médico endocrinologista.

Redução de mamas

Nas meninas, as mamas grandes são um problema comum que causa não apenas fortes dores, mas também danos emocionais.

A cirurgia é realizada, geralmente, entre quatro e cinco anos após o primeiro ciclo menstrual, normalmente após os 17 ou 18 anos.

Cirurgia de nariz

A rinoplastia melhora a aparência e a proporção do nariz, além de poder corrigir dificuldades respiratórias causadas por anormalidades estruturais. Geralmente, a cirurgia pode ser realizada após os 17 anos, quando os ossos da face já estão formados e de acordo com a orientação médica.

Estado soma 8.157 procedimentos

Do total de cirurgias plásticas realizadas no Brasil, o Espírito Santo representa 2,7%. O Estado soma 8.157 procedimentos de otoplastia, rinoplastia, ginecomastia e redução de mama em 2024. Desse total, cerca de mil cirurgias são realizadas no público infantojuvenil, já que estatísticas recentes apontam que 13% das cirurgias plásticas realizadas no País são em crianças e adolescentes.


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