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Saúde

Dá para imitar os japoneses para viver até os 100 anos?

Especialistas explicam os principais fatores que contribuem para o crescimento da população centenária no Japão

Dá para imitar os japoneses para viver até os 100 anos?
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Camila Lima

Jornalista formada pela Faculdade Estácio de Sá de Vitória, atua há 7 anos no jornal A Tribuna. Integrante da editoria de Cidades, tem como principal foco a cobertura de saúde, área na qual construiu sólida experiência em reportagens, entrevistas e coberturas de eventos pelo Brasil. Apresenta o podcast Fala, Doutor, dedicado a levar informação acessível e de qualidade sobre medicina e bem-estar ao público.

Última atualização

O Japão segue dando exemplo de longevidade ao mundo. O país acaba de alcançar um novo recorde: 99.763 pessoas têm 100 anos ou mais. O número, que cresce há 55 anos seguidos, foi divulgado recentemente pelo governo japonês.

Do total, 87.784 centenários são mulheres, representando 88%, contra 11.979 homens. A média nacional é de 80,58 centenários por 100 mil habitantes. Para entender quais fatores têm contribuído para que o Japão tenha tantos centenários, A Tribuna ouviu médicos.

Segundo os especialistas, vida ativa, dieta equilibrada – com grãos, vegetais e peixes –, controle do estresse e práticas como meditação estão entre os hábitos que têm influência na expectativa de vida dessa população.

“Os japoneses são muito diferentes das pessoas do mundo ocidental. Eles tendem a comer menos gordura e processados. Consomem muito peixe, alga, arroz, verduras e vegetais, o que explica também o fato deles serem mais magros do que as pessoas do mundo ocidental”, aponta o geriatra Roni Mukamal, superintendente de Medicina Preventiva da MedSênior.

O menor peso, segundo o médico, reflete em menos doenças cardiovasculares, menos infartos, menos Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC) e, portanto, mais longevidade. “Além disso, o japonês se mexe mais. Mesmo em cidades grandes, ele se desloca mais, mantendo-se ativo. A cultura japonesa valoriza e respeita o idoso, isso também favorece a longevidade”.

Um fator apontado como muito importante pela geriatra Yara Nippes, diretora de defesa do profissional da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia do Estado (SBGG-ES), é o sistema de saúde japonês, que estimula o idoso a manter seus exames em dia, detectando doenças de forma precoce, somado à consciência sobre a importância de cuidar do corpo e da mente.

A médica geriatra Tábata Cristina de Oliveira, da Unimed Sul Capixaba, destaca ainda que saneamento básico, educação, cuidados com a saúde individual e coletiva, baixos índices de desigualdades sociais, programas e políticas públicas voltadas para o idoso também são formas de explicar um pouco essa longevidade, sem deixar de levar em consideração a genética de um povo.

“Cada cultura cria em torno do seu povo uma forma de viver e conviver socialmente que acaba interferindo direta e indiretamente na sua longevidade. O Japão é um país desenvolvido e isso interfere na longevidade de seus habitantes”, destaca a médica.

Ioga e boas escolhas

Com hábitos de vida que se aproximam dos japoneses, a arquiteta Goreth Gasparini, de 56 anos, sempre demonstrou preocupação com a saúde, buscando uma alimentação mais equilibrada e rica em vegetais.

Há pouco mais de cinco anos, ela deixou de comer carne quando iniciou a formação como instrutora de ioga. “Quando eu comia carne, me sentia mal, porque a digestão demorava. Com a ioga, aprendi a não ingerir o que não me faz bem”, afirmou.

“Hoje, consumo peixe apenas esporadicamente. A ioga me ensinou a fazer boas escolhas; é um estilo de vida. Durmo e acordo cedo, além de ter mudado toda a minha alimentação. Pela manhã, pratico meditação, faço musculação e a ioga entra na minha rotina noturna”, explicou Goreth.

Saiba mais

Longevidade japonesa

Entre os fatores que contribuem para a longevidade japonesa, estão, segundo a geriatra Yara Nippes:

Dieta baseada em plantas, com alto consumo de vegetais e peixes ricos em ômega 3 e baixo consumo de gorduras, industrializados e açúcares refinados.

Consciência na alimentação, mantendo a regra de 80% de saciedade.

Manutenção de uma vida ativa e em movimento.

Prática de bem-estar e saúde mental como mindfulness, ioga, meditação.

Manutenção do senso de comunidade, pertencimento a grupos de interesse – seguindo o conceito de viver com um propósito (Ikigai).

Acesso à saúde

A médica de família e comunidade Jetele Piana aponta ainda que o acesso aos serviços de saúde foi ampliado consideravelmente no pós-Segunda Guerra Mundial, no Japão, possibilitando o melhor acompanhamento de doenças crônicas.

O que pode ser feito no Brasil

Fortalecimento da atenção primária à saúde.

Promoção da alimentação saudável e estímulo à atividade física.

Saúde Mental e socialização.

Redução das desigualdades sociais.

Políticas de prevenção e promoção de saúde.

Incentivar que o cuidado com o envelhecimento comece desde a juventude.

Garantir renda digna e educação financeira ao idoso, permitindo aposentadoria com qualidade de vida.

Promover a vacinação e o acompanhamento regular em todas as fases da vida.

Fonte: Especialistas consultados.


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