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Saúde

Estudo aponta que menopausa pode afetar sono e aumentar ansiedade

É o que diz novo estudo que associa sintomas a mudanças físicas no cérebro. Especialistas orientam sobre novos hábitos e tratamentos

Estudo aponta que menopausa pode afetar sono e aumentar ansiedade
- Estudo aponta que a menopausa pode afetar o cérebro, o sono e a saúde mental, aumentando queixas como insônia, ansiedade, depressão e perda de memória
Foto de perfil de Beatriz Brandão

Beatriz Brandão

Beatriz Brandão é estudante de jornalismo na Universidade Federal do Espírito Santo e é repórter multimídia no jornal A Tribuna. Tem experiência em assessoria de imprensa, rádio e jornalismo digital.

Última atualização


A menopausa pode estar associada à piora do sono e ao aumento de quadros de ansiedade e depressão. É o que aponta um estudo da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, que analisou dados de quase 125 mil mulheres.

Esses sintomas podem estar relacionados à redução da massa cinzenta, área do cérebro rica em células nervosas e responsável por funções como memória, aprendizado, emoções e controle motor.

Segundo a ginecologista Lorena Baldotto, a diminuição dessa região durante a menopausa pode desencadear uma série de distúrbios. “Isso pode aumentar o risco de problemas de memória, depressão e até de doenças como o Alzheimer e a demência precoce”.

A chamada “névoa mental”, que se refere às queixas de esquecimento após a menopausa, também pode ter relação com essa redução da massa cinzenta, como explica a ginecologista Mariana Andreata Pontello.

“É como se o cérebro ficasse mais ‘preguiçoso’. A massa cinzenta perde sua eficácia e a mulher começa a ter letargia, alterações de memória e concentração, ansiedade e oscilação de humor”.

Na pesquisa, as participantes também relataram insônia, menor duração do sono e sensação de cansaço. De acordo com o médico do sono Alexandre Marreco, isso acontece por conta das mudanças hormonais da menopausa.

“A mulher passa a ter maior risco de insônia e também de apneia do sono, que são pausas respiratórias durante a noite. Isso faz com que a mulher acorde várias vezes, prejudicando a manutenção e a qualidade do sono”.

Para lidar com essa nova realidade, a orientação é adotar novos hábitos, além de manter o acompanhamento ginecológico.

“Atividade física regular, boa higiene do sono e criar um ritual de relaxamento são essenciais. Se a insônia persistir, é importante procurar um médico especialista em sono”, orienta Alexandre.

A reposição hormonal pode ajudar em alguns casos, como lembra Lorena. “Se não houver contraindicações, pode melhorar esses sintomas. É importante buscar um médico antes mesmo da menopausa para uma avaliação”.

Sintomas 

Hábitos saudáveis

A síndica e empresária Rosângela Heringer Dutra, 51 anos, disse que começou a sentir os sintomas aos 47 anos, após um tratamento de bloqueio hormonal devido a um câncer de mama. “Sentia muito calor. É algo que não sei explicar, mas acordava de noite suando muito”.

Hoje, ela também relata perda de memória e piora do sono. Apesar disso, Rosângela diz que alguns hábitos ajudam. “Tento me alimentar bem e manter uma rotina de exercícios físicos”.

Entenda 

O estudo

Uma pesquisa da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, analisou a relação entre a menopausa, a saúde mental, o sono e alterações no cérebro de mulheres.

Foram avaliados dados de quase 125 mil mulheres, divididas em três grupos: pré-menopausa; pós-menopausa sem terapia hormonal; e pós-menopausa com terapia de reposição hormonal (TRH).

Resultados

A menopausa esteve associada à redução do volume da massa cinzenta cerebral, estrutura responsável por funções como memória, aprendizado, emoções e tomada de decisões.

As alterações foram observadas principalmente no hipocampo, no córtex entorrinal e no córtex cingulado anterior, áreas também relacionadas ao risco de doenças como o Alzheimer.

Mulheres na pós-menopausa relataram mais insônia, cansaço, ansiedade e sintomas depressivos.

O estudo indica que esses fatores podem contribuir para mudanças cerebrais ao longo do tempo.

Sono

A desregulação hormonal da menopausa pode aumentar o risco de insônia e apneia do sono.

A apneia faz com que a mulher acorde mais vezes, prejudicando a manutenção e a qualidade do sono.

Isso faz com que a mulher se sinta mais cansada, além de facilitar alterações de humor, a perda de memória e o risco de ansiedade e depressão.

A longo prazo, há aumento do risco de demências, como o Alzheimer, além de problemas cardiovasculares, como arritmias, infarto e AVC.

Adotar uma rotina saudável, ter boa higiene do sono e criar um ritual de relaxamento podem ajudar.

Se a insônia persistir, é importante procurar um médico especialista em sono.

Perda de massa cerebral

Pode estar relacionado a alterações de humor, esquecimentos, irritabilidade e aumento de quadros de ansiedade e depressão.

Esse quadro também pode aumentar a chance de doenças como o Alzheimer e o desenvolvimento de demência precoce.

Médicos afirmam que a reposição hormonal pode prevenir e minimizar muitos desses impactos.

A orientação é buscar avaliação médica antes mesmo de entrar na menopausa.


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