O cantor sertanejo Leonardo surpreendeu fãs nesta semana após a mulher dele, Poliana Rocha, revelar que o astro está há mais de 20 dias sem consumir álcool.
Segundo a assessoria do artista, a mudança nos hábitos se explica por uma alteração nos níveis de triglicerídeos, identificada em exames médicos recentes.
O que são triglicerídeos e qual é a função no organismo
Os triglicerídeos são um tipo de gordura presente no sangue, com papel central no armazenamento de energia, explica o médico cardiologista Leandro Rua Ribeiro, do Hospital Universitário Cassiano Antonio Moraes da Universidade Federal do Espírito Santo (Hucam – Ufes).
De acordo com o especialista, parte do excesso de calorias consumidas diariamente pode ser transformada nessas moléculas de gordura.
“Quando ingerimos mais calorias do que precisamos, com excesso de açúcares e carboidratos, parte delas pode ser transformada em triglicerídeos e armazenada em forma de gordura para ser utilizada depois”
Com o passar do tempo, níveis elevados podem se associar a maior risco cardiovascular, o que leva médicos a recomendarem ajustes de estilo de vida.
Como o álcool interfere nos níveis de triglicerídeos
O consumo de álcool pode aumentar os triglicerídeos no sangue porque o fígado, órgão responsável por metabolizar essa gordura, passa a priorizar a queima do álcool, detalha o cardiologista Tiago Cardoso Coelho, do Hospital Santa Rita.
“A bebida também pode causar hipertensão, arritmias, doença no fígado, pancreatite e aumentar o risco de câncer”
A partir das alterações observadas nos exames, a equipe que acompanha o cantor recomendou uma mudança na alimentação, associada a um período de 30 dias sem consumo de bebidas alcoólicas, seguido de nova bateria de exames e avaliação médica.
Como ajudar a evitar triglicerídeos altos
As orientações feitas ao cantor refletem mudanças de hábitos que podem ser indicadas a outras pessoas com alterações semelhantes, afirma a médica Daniella Motta, presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia no Espírito Santo (SBC-ES).
Entre as principais medidas de rotina, ela destaca ajustes na alimentação e prática de atividades físicas.
- Reduzir açúcares adicionados no dia a dia.
- Diminuir o consumo de refrigerantes e sucos adoçados.
- Evitar excesso de doces e farinhas refinadas.
- Praticar pelo menos 150 minutos semanais de atividade aeróbica moderada, ou 75 minutos de exercícios vigorosos, conforme as condições clínicas de cada pessoa.
Segundo a médica, essas estratégias combinadas à orientação profissional ajudam a controlar colesterol e triglicerídeos, além de beneficiar o coração de forma ampla.
Triglicerídeos altos costumam não dar sintomas
Um ponto de atenção é que, na maioria das vezes, os triglicerídeos elevados não provocam sintomas e funcionam como marcadores de risco, reforça o médico Leandro Rua Ribeiro.
“Eles são como a fumaça, que indica o fogo. Ao vê-la, é necessário descobrir a causa do incêndio para poder combatê-lo”
Por isso, exames periódicos e acompanhamento com profissionais de saúde são considerados caminhos essenciais para identificar alterações precoces e, quando necessário, iniciar intervenções antes de complicações.
Entenda
O que são triglicerídeos?
São um tipo de gordura presente no sangue e têm a função de armazenar energia. Quando a pessoa ingere mais energia do que precisa naquele momento, especialmente pelo excesso de calorias, açúcares e carboidratos, parte desse excesso pode ser transformada em triglicerídeos e armazenada no tecido adiposo.
Como o álcool influencia?
Quando se ingere álcool, que é metabolizado principalmente no fígado, este órgão dá prioridade à metabolização da bebida. Nesse processo, o organismo passa a queimar menos gordura e pode aumentar a produção de triglicerídeos.
Ter triglicerídeos não é algo ruim. O problema acontece quando eles permanecem elevados no sangue, principalmente quando isso está associado a outros fatores de risco.
Quais os riscos?
Quando os níveis estão extremamente elevados, acima de 500 mg/dL, podem aparecer manifestações específicas e aumentar o risco de pancreatite.
Nesse caso, dor abdominal intensa, acompanhada de náuseas e vômitos, é um sinal que exige avaliação.
Para adultos, um nível considerado normal de triglicerídeos é inferior a 150 mg/dL (com jejum). Sem jejum: abaixo de 175 mg/dL.
Pessoas com excesso de peso ou obesidade, diabetes ou resistência à insulina, alimentação rica em açúcar e carboidratos refinados, consumo excessivo de álcool, sedentarismo e alterações genéticas têm mais risco de ter triglicerídeos elevados.
Atenção aos exames
Na maioria das vezes, triglicerídeos elevados não provocam sintomas. A pessoa pode se sentir bem e descobrir a alteração em um exame de sangue.
Como evitar
A prevenção passa pelo estilo de vida. Manter alimentação equilibrada, evitar excesso de açúcar e carboidratos refinados, moderar ou evitar bebidas alcoólicas, praticar atividade física, manter um peso adequado e acompanhar periodicamente os exames de sangue.
Tratamento
Dependendo do nível dos triglicerídeos e do risco cardiovascular, o médico pode indicar medicamentos.