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Saúde

Idoso é o terceiro paciente no ES a passar por tratamento com polilaminina

O homem, que mora em Cariacica, caiu de um telhado e lesionou a vértebra T12. O acidente aconteceu na última terça-feira

Idoso é o terceiro paciente no ES a passar por tratamento com polilaminina
- Olavo Borges Franco e Mitter Mayer durante aplicação de polilaminina realizada recentemente
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Camila Lima

Jornalista formada pela Faculdade Estácio de Sá de Vitória, atua há 7 anos no jornal A Tribuna. Integrante da editoria de Cidades, tem como principal foco a cobertura de saúde, área na qual construiu sólida experiência em reportagens, entrevistas e coberturas de eventos pelo Brasil. Apresenta o podcast Fala, Doutor, dedicado a levar informação acessível e de qualidade sobre medicina e bem-estar ao público.

Última atualização



Mais um paciente do Espírito Santo vai receber o tratamento experimental com polilaminina – substância capaz de regenerar lesões na medula espinhal – mediante cumprimento de decisão judicial.

O homem, de 70 anos, é o terceiro paciente no Estado a receber o medicamento, ainda em fase de testes clínicos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A aplicação ocorre na manhã de hoje, prevista para 10h30, no Hospital Estadual de Urgência e Emergência São Lucas, em Vitória.

O médico Olavo Borges Franco, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), será um dos profissionais a participar do procedimento, segundo informou o coordenador do Grupo de Trabalho Intersetorial (GTI) da Polilaminina no Estado, Mitter Mayer.

De acordo com Mitter, o idoso, que mora em Cariacica, se acidentou após cair de um telhado, lesionando a vértebra T12. O acidente aconteceu na última terça-feira à tarde. Segundo os estudos, a aplicação da medicação deve ocorrer dentro da janela terapêutica considera crítica, ou seja, antes de 72 horas após o acidente.

“Mas o Luiz Fernando Mozer (capixaba de 37 anos que sofreu um acidente de moto durante uma competição de motocross), que foi o primeiro paciente capixaba, recebeu a substância seis dias depois. Porque a polilaminina, além de ajudar na regeneração, tem uma ação anti-inflamatória na região”.

O paciente, de acordo com Mitter, está estável, lúcido e sabe da medicação. “Quando a pessoa tem uma lesão completa, que é exatamente esse caso, a perspectiva de ela ter alguma sensibilidade ao movimento, da lesão para baixo, é praticamente zero”.

“Esse medicamento, que é único no mundo, está demonstrando ser promissor para esse tratamento. Ele vai revolucionar a história da medicina”, destaca o coordenador do GTI.

A aplicação da polilaminina é única, e o paciente precisa de uma reabilitação intensiva, explica Mitter.

“Isso é o que estamos buscando fazer com todos os pacientes que recebem o medicamento experimental aqui no Estado. Ele precisa reaprender os movimentos”.

Como a polilaminina funciona

A polilaminina é baseada na laminina, uma proteína natural que forma uma grande malha durante a fase embrionária e auxilia na comunicação entre neurônios. Com o tempo, essa proteína se torna rara no organismo adulto.

O fármaco é resultado de 25 anos de pesquisa liderada pela professora doutora Tatiana Coelho de Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com o laboratório Cristália.

tatiana descobriu que era possível recriar em laboratório essa malha, extraindo a proteína de placentas, e aplicá-la diretamente na região lesionada da medula.

Quando reintroduzida no corpo, a polilaminina ajuda os neurônios a formarem novos caminhos para os impulsos elétricos que permitem movimentos.

O tratamento consiste em uma aplicação cirúrgica única no ponto da lesão, geralmente dentro de até 72 horas após o acidente, aumentando as chances de recuperação.

Testes

Os primeiros testes foram realizados em animais e mostraram efeitos animadores.

Em ratos, os sinais começaram a aparecer em 24 horas e a recuperação em cerca de oito semanas; em cães houve diferentes níveis de recuperação do movimento das patas.

Nos estudos clínicos iniciais em humanos, 8 voluntários receberam a medicação até três dias após a lesão. O efeito foi visto como promissor.

Autorização

O estudo clínico de fase 1 autorizado pela Anvisa vai avaliar a segurança da polilaminina em cinco pacientes com idade entre 18 e 72 anos.

Fontes: FAPERJ e pesquisa AT.

Acidente de motocross



O piloto de motocross Luiz Fernando do Nascimento Mozer, de 37 anos, foi o primeiro paciente do Espírito Santo a receber a substância após uma decisão judicial, dias depois de sofrer um grave acidente, em 7 de dezembro do ano passado, em Vargem Alta. O trauma resultou em uma lesão medular completa, considerada grave e irreversível.

O paciente tem apresentado sensibilidade nas pernas, com alguns movimentos de força no quadril e já consegue equilibrar a perna parada, segundo o coordenador do Grupo de Trabalho Intersetorial (GTI) da Polilaminina no Estado, Mitter Mayer.

Lesão após mergulho



Um jovem de 24 anos, morador de Cariacica, recebeu o tratamento experimental com o medicamento polilaminina após sofrer uma lesão na coluna depois de um mergulho em cachoeira, ocorrido no domingo, dia 4, em Santa Leopoldina.

A aplicação foi realizada na quarta, dia 7, e, após menos de 24 horas, o paciente demonstrou melhora no quadro, com sensibilidade na altura do abdômen.

ES tem interesse em sediar estudo clínico

Nos próximos dias deve ser divulgado o local que sediará a fase 1 do estudo clínico da polilaminina, autorizado no início do mês pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O Espírito Santo, de acordo com o coordenador do Grupo de Trabalho Intersetorial (GTI) da Polilaminina no Estado, Mitter Mayer, tem interesse em sediar os estudos.

A polilaminina é desenvolvida a partir da proteína laminina, extraída da placenta humana. A molécula é fruto de 25 anos de pesquisa liderada por Tatiana Coelho de Sampaio, professora doutora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com o laboratório Cristália.

“Fizemos uma solicitação ao Cristália, colocando à disposição nossa rede, inclusive, sugerimos os hospitais São Lucas ou Jayme Santos Neves. Eles estão avaliando e ficaram de dar a resposta nos próximos dias. A definição que tínhamos deles é que a fase 2 seria no Espírito Santo”.

A polilaminina gerou repercussão em setembro de 2025, após a divulgação de resultados promissores e depoimentos de pacientes que participaram dos testes pré-clínicos.

Entre os pacientes está Bruno Drummond de Freitas, bancário de 31 anos. Ele sofreu um grave acidente de carro, em 2018, que causou lesão cervical completa e o deixou sem movimentos. Com autorização da família, ele passou a integrar o estudo acadêmico da UFRJ. Hoje ele consegue andar e leva uma vida ativa.



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