- Vitória, ES 25°C

Vitória 25°C

Publicidade: Combate os sintomas da gripe
Saúde

Infecções em hospital: “Os médicos não sabem o que eu tenho”

Durante entrevista, técnica de enfermagem internada desabafa

Infecções em hospital: “Os médicos não sabem o que eu tenho”
- Ao todo, 26 funcionários apresentaram sintomas respiratórios semelhantes aos de pneumonia
Foto de perfil de Camila Lima

Camila Lima

Jornalista formada pela Faculdade Estácio de Sá de Vitória, atua há 7 anos no jornal A Tribuna. Integrante da editoria de Cidades, tem como principal foco a cobertura de saúde, área na qual construiu sólida experiência em reportagens, entrevistas e coberturas de eventos pelo Brasil. Apresenta o podcast Fala, Doutor, dedicado a levar informação acessível e de qualidade sobre medicina e bem-estar ao público.

Última atualização


“Não posso voltar para casa porque nem os médicos sabem o que eu tenho”. Esse é o desabafo de uma técnica de enfermagem do Hospital Santa Rita, que preferiu não se identificar e está internada.

Durante a entrevista, a profissional recebeu a informação de que poderá ir para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) hoje. Ela contou que há duas semanas começou a apresentar sintomas gripais.

“Comecei a sentir dor no corpo, de cabeça, tive febre e uma tosse seca, mas sem coriza. Aquilo me incomodou. Durante alguns dias até mascarei essa febre, já que, por causa da dor de cabeça, eu tomava dipirona e ‘mascarava’ a febre”.

De um dia para o outro, o quadro piorou, levando a técnica à internação.

“Fico preocupada, porque é algo invisível, a gente não sabe o que é. Tenho medo de voltar a trabalhar sem descobrir a causa. Não sei o que está em mim”.

A Tribuna: Você teve febre alta?

Técnica de enfermagem: Era baixa, em torno de 37,7°C a 37,9°C. Quando procurei o médico, pela primeira vez, fiz um raio-x, que estava aparentemente normal, e o médico me prescreveu amoxicilina com clavulanato, acetilcisteína e prednisolona. Usei por sete dias, mas não melhorei.

A Tribuna: Quando percebeu que seu caso estava agravando?

Técnica de enfermagem: Quando as dores aumentaram e a febre subiu para 38,2°C e 38,9°C. Voltei ao médico com dor precordial (na região do peito sobre o coração) e dor nas costas. Achei que estava infartando, porque a dor era muito forte e minha pressão subiu.

No pronto-socorro, a médica viu que minha taxa de infecção (PCR) estava muito alta. Pediu uma tomografia, que mostrou um quadro sugestivo de pneumonia viral.

Como eu já tinha usado antibiótico forte e não havia melhorado, decidiram me internar. De um dia para o outro, o quadro piorou. Comecei a ter esforço respiratório e precisei de oxigênio.

A Tribuna: Quando relacionou o seu quadro com o hospital?

Técnica de enfermagem: Quando comecei a saber de colegas que estavam internando nos mesmos dias, com os mesmos sintomas. Fomos juntando as informações e vimos que eram os mesmos casos.

A Tribuna: Como você está nesse momento?

Técnica de enfermagem: Estou no sexto dia de antibiótico venoso. Já consigo ficar sem o cateter, mas ainda canso quando ando. Faço fisioterapia duas vezes por dia. Meu pulmão estava tomado, mas agora o nível de infecção está diminuindo.

“Eu nunca fumei na vida e agora meu pulmão está como de alguém de 80 anos que fumou a vida toda.” destaca a Técnica de enfermagem.

“Ele está isolado em casa, sem contato com a família”

Uma gerente administrativa, que não quis se identificar, mas tem um parente que trabalha no Hospital Santa Rita e está infectado, contou que o homem, que é enfermeiro, relatou à família que, aproximadamente há 13 dias, a equipe notou que alguns médicos começaram a usar máscara N95.

Dias depois, após funcionários saberem dos primeiros casos, o homem chegou em casa passando mal, com febre alta, dor no corpo e falta de ar.

“Na semana passada ele passou pelo médico, fez radiografia e exames, e o diagnóstico que deram para ele foi pneumonia bacteriana. Só que até agora ninguém sabe que bactéria é essa. Ele está se tratando em casa, isolado no quarto, sem contato com a família. As coisas passando pela porta, tudo sendo higienizado com álcool, a mulher e filhos usando máscara. Por conta do cansaço e da baixa saturação, ele passou esses dias dormindo pronado (de bruços)”.

Segundo a mulher, o enfermeiro foi chamado ao hospital e foi verificado que seu pulmão está “muito prejudicado”, mas não quiseram deixar o homem internado.

“Ele teve uma crise de tosse em que ficou todo roxo. Ele ficou de atestado cinco dias e agora mais sete dias para ver se ele melhora. Estamos muito tristes com toda essa situação e dos outros pacientes. Meu parente não está bem, não tem diagnóstico”.

“Muitos têm medo de falar por medo de serem demitidos, mas temos de falar para não ser igual à covid, com tantas pessoas mortas”, afirmou a gerente administrativa.





Mais Lidas

Ver tudo ›