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Saúde

Médicos ensinam a fazer “detox” no corpo após o Carnaval

Além de reforçar a hidratação, é preciso equilibrar a alimentação, regular o sono e praticar exercícios físicos

Médicos ensinam a fazer “detox” no corpo após o Carnaval
- Sarah Pilon reforça que não existem soluções “milagrosas”
Foto de perfil de Will Anholetti

Will Anholetti

Will Anholetti é jornalista formado pelo Centro Universitário Faesa e pós-graduado em Língua Portuguesa e docência no Ensino Superior. Repórter multimídia, escreve para A Tribuna e Tribuna Online.

Última atualização



O Carnaval é um período intenso de diversão e folia, mas também costuma vir acompanhado de exageros, principalmente no consumo de bebidas alcoólicas e na alimentação. A volta à rotina pode ser marcada por cansaço, inchaço, dor de cabeça e sensação de mal-estar.

Com o corpo “intoxicado”, muitos buscam soluções rápidas para recuperar o equilíbrio. Para a endocrinologista Maria Amélia Julião, o termo “intoxicão” não é apenas força de expressão.

“Durante o Carnaval, submetemos o organismo a um combo de agressões: álcool em excesso, privação de sono e dieta inflamatória, rica em gordura saturada e ultraprocessados. Quando bebemos, o fígado prioriza a metabolização do etanol, que é uma toxina. Nesse processo, há produção de acetaldeído, substância ainda mais tóxica, e um aumento do estresse oxidativo, sobrecarregando as células do fígado”, explica.

Ela acrescenta que a irregularidade do sono “desregula o ciclo circadiano, aumentando o cortisol, hormônio do estresse, e alterando a sinalização da insulina, o que favorece o acúmulo de gordura e a retenção de líquidos”.

A gastroenterologista Sarah Pilon reforça que não existem soluções milagrosas. “Quem faz a desintoxicação é o próprio organismo. O que precisamos é oferecer condições adequadas para que ele funcione bem.”

Para ela, a hidratação é a principal medida. “O álcool é diurético e inibe o hormônio antidiurético, levando à desidratação celular. É fundamental não esperar a sede aparecer. Nesse período pode alternar água com água de coco ou bebidas com eletrólitos”.

Na alimentação, o foco deve ser comida de verdade. “Precisamos reduzir a carga inflamatória e priorizar proteínas magras, vegetais verdes e fibras”, orienta Sarah.

A nutróloga Sandra Fernandes acrescenta que descanso e regularidade são essenciais. “Não existe nada melhor do que boa alimentação, hidratação e sono para recuperar. Sucos detox isolados não fazem isso.”

Ela recomenda ingestão de 35 a 40 ml de água por quilo ao dia e consumo de fibras entre 25 e 35 gramas. “A proteína é fundamental para síntese de glutationa e reparação hepática”, destaca.

Sobre exercícios, as três são unânimes: nada de compensar excessos com treinos exaustivos logo no primeiro dia, pois pode causar lesões ou desidratação severa. O retorno deve ser gradual, com foco na recuperação do organismo.

Fique por dentro

Hidratação

A reidratação é a peça-chave. O corpo já possui um sistema próprio de desintoxicação, mas ele precisa de insumos para funcionar.

O álcool é diurético porque inibe o hormônio antidiurético (ADH), favorecendo a perda de líquidos e levando à desidratação celular. A água é essencial para que os rins filtrem e eliminem as toxinas.

A orientação é não esperar a sede aparecer e alternar copos de água com água de coco ou bebidas com eletrólitos.

Bebidas muito açucaradas ou com excesso de cafeína devem ser evitadas, pois podem intensificar a desidratação ou mascarar a fadiga.

A recomendação é beber de 35 a 40 ml de líquido por quilo ao dia.

Alimentação equilibrada

O foco deve ser comida de verdade. A prioridade é reduzir a carga inflamatória e “limpar o caminho” metabólico com o aumento da ingestão de fibras.

Frutas, vegetais e grãos integrais ajudam na eliminação de resíduos e favorecem a microbiota intestinal.

Proteínas magras, como ovo, frango e peixe, auxiliam na recuperação do organismo.

Vegetais verdes escuros, como brócolis, couve e repolho, contêm sulforafanos, compostos que estimulam enzimas hepáticas envolvidas na metabolização de toxinas.

Também é fundamental evitar o que agride o fígado nesse período: açúcar refinado, embutidos e manter distância do álcool por alguns dias.

Priorizar alimentos

Vegetais crucíferos (brócolis, couve-flor, rúcula), alho e cebola, frutas vermelhas, chá verde e azeite extravirgem.

Sono reparador

O descanso é parte central da recuperação. O fígado tem um tempo metabólico próprio para processar o álcool, e o sono adequado favorece o equilíbrio hormonal e a redução da inflamação.

Regular novamente os horários de dormir e acordar é o primeiro passo para reorganizar o metabolismo.

Atividade física

A prática de exercícios ajuda na circulação, auxilia na drenagem de líquidos e contribui para o metabolismo hepático, além de liberar endorfinas que melhoram humor e sono.

Tempo de recuperação

O processo depende da quantidade de álcool ingerida, idade, condições de saúde e capacidade metabólica individual.



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