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Saúde

O que diz a ciência: novas recomendações para melhorar o intestino preso

Diretrizes recentes apontam que nem toda fibra ajuda a resolver a constipação crônica, também conhecida como intestino preso

O que diz a ciência: novas recomendações para melhorar o intestino preso
- Sandra Fernandes analisa alimentos possuem fibras e propriedades funcionais específicas
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Will Anholetti

Will Anholetti é jornalista formado pelo Centro Universitário Faesa e pós-graduado em Língua Portuguesa e docência no Ensino Superior. Repórter multimídia, escreve para A Tribuna e Tribuna Online.

Última atualização


Quem sofre com intestino preso certamente já ouviu a clássica recomendação: aumentar o consumo de fibras. Embora o conselho não esteja errado, novas evidências científicas indicam que a solução não é tão simples.

Diretrizes recém-publicadas pela Associação Dietética Britânica (BDA) mostram que, no caso da constipação crônica, mais importante do que a quantidade é o tipo de fibra consumida.

Após analisar dezenas de estudos, os especialistas concluíram que não há evidências sólidas de que uma dieta genericamente rica em fibras resolva o problema. Em alguns casos, o aumento indiscriminado pode até provocar gases, inchaço e piora dos sintomas.

“A constipação crônica raramente se resolve só comendo mais fibras. Sabemos que o tipo de fibra, o contexto intestinal e o funcionamento do intestino são determinantes”, diz a nutróloga e gastroenterologista Christian Kelly.

Entre os alimentos e compostos com melhores evidências estão o psyllium, o kiwi, o figo, a manga, o farelo de aveia, a linhaça, o pão de centeio e a ameixa seca. A nutróloga Sandra Fernandes analisa que esses alimentos têm fibras e propriedades funcionais específicas, sendo melhor toleradas e mais eficazes.

“Esses alimentos não dependem apenas de volume, mas de fermentação, viscosidade e retenção hídrica. O que a evidência mostra é que fibras insolúveis isoladas (como o farelo de trigo) podem piorar dor, gases e empachamento. Já fibras solúveis e fermentáveis melhoram frequência, esforço evacuatório e consistência. Portanto, qualidade é melhor do que quantidade”.

O nutricionista Júlio Bordin lembra que as fibras alimentares são essenciais para a saúde intestinal. Elas ajudam a formar e dar consistência às fezes, favorecem o trânsito intestinal e promovem o equilíbrio da microbiota, que participa da digestão, da absorção de nutrientes e da imunidade.

“O funcionamento intestinal é multifatorial. Além do consumo adequado de fibras, fatores como hidratação, alimentação variada e equilibrada e estilo de vida, como a prática regular de atividade física, sono adequado e manejo do estresse, têm papel essencial. Todos esses aspectos interagem para manter a motilidade intestinal, a saúde da microbiota e o intestino funcionando de forma eficiente”.

Saiba mais

Fibras solúveis viscosas e/ou fermentáveis

Psyllium, kiwi, farelo de aveia e pão de centeio.

Benefícios

Aumentam o teor de água das fezes, melhoram a consistência e a frequência evacuatória. Além disso, estimulam a microbiota benéfica (produção de SCFAs).

Fibras + compostos bioativos

Ameixa seca (fibra + sorbitol + polifenóis), figo e manga.

Benefícios

Efeito osmótico suave e menor risco de gases excessivos quando usados com moderação.

Fibras mistas (solúvel + insolúvel)

Linhaça.

Benefícios

Facilita o trânsito intestinal e auxilia na lubrificação fecal.

O que a evidência mostra:

Fibras insolúveis isoladas (ex.: farelo de trigo) podem piorar dor, gases e empachamento, enquanto fibras solúveis e fermentáveis melhoram frequência, esforço evacuatório e consistência.

Sinais de alerta

Alguns sinais indicam que a constipação não deve ser tratada apenas com mudanças na dieta e precisam de avaliação médica:

Sangue nas fezes; perda de peso não intencional; anemia e dor abdominal persistente ou progressiva;

E também constipação de início recente em pessoas acima dos 50 anos; histórico familiar de câncer colorretal ou doenças inflamatórias intestinais e necessidade frequente de laxantes para evacuar.

Qual é o tratamento adequado?

O tratamento adequado envolve uma abordagem multifatorial, com ingestão hídrica adequada; regularidade alimentar; estímulo ao reflexo gastrocólico (respeitar o horário de evacuação); atividade física; e, em muitos casos, avaliação da microbiota e do trânsito intestinais.

Tratamento individualizado e progressivo

Ajuste da dieta, priorizando fibras de melhor qualidade, introduzidas de forma gradual;

Suplementos de fibra específicos, como psyllium, quando indicados;

Laxativos osmóticos, que ajudam a hidratar as fezes, em casos selecionados;

Medicamentos que atuam no movimento intestinal, em constipações mais resistentes;

Avaliação de causas associadas, como distúrbios do assoalho pélvico e doenças metabólicas;

uso de medicamentos ou alterações hormonais.

Fonte: Especialistas consultados.


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