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Saúde

Pílula contra o câncer que fez médicos chorarem é aprovada nos EUA

Medicamento usado para tratar câncer de pâncreas foi apresentado em evento e fez pesquisadores e médicos chorarem

Pílula contra o câncer que fez médicos chorarem é aprovada nos EUA
- Novo remédio precisa passar por avaliação e liberação da Anvisa antes de ser comercializado no Brasil
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Camila Lima

Jornalista formada pela Faculdade Estácio de Sá de Vitória, atua há 7 anos no jornal A Tribuna. Integrante da editoria de Cidades, tem como principal foco a cobertura de saúde, área na qual construiu sólida experiência em reportagens, entrevistas e coberturas de eventos pelo Brasil. Apresenta o podcast Fala, Doutor, dedicado a levar informação acessível e de qualidade sobre medicina e bem-estar ao público.

Última atualização



Depois de décadas sendo considerado um dos tumores mais difíceis de tratar, o câncer de pâncreas acaba de ganhar um tratamento inovador. A Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora americana, aprovou o daraxonrasib.

A medicação, aprovada na última quarta-feira (26), será vendida no país com o nome comercial Rasonque e é a primeira terapia-alvo que atua diretamente sobre a proteína RAS nesse tipo de tumor.

Em junho, a apresentação do tratamento durante a reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), em Chicago, Estados Unidos, fez médicos e pesquisadores chorarem e aplaudirem de pé os dados do estudo RASolute 302.

O estudo mostrou que, com a medicação, na época experimental, o risco de morte em pacientes com a doença caiu aproximadamente 60% .

A proteína RAS, segundo especialistas, é uma das principais responsáveis pelo crescimento dos tumores e está alterada em mais de 90% dos casos de câncer de pâncreas.

A oncologista Luana Pescuite, da São Bernardo Samp, explica que o daraxonrasib é uma droga oral, potente e multisseletiva do complexo codificador genético da proteína RAS que tem a capacidade de suprimir esta sinalização celular, tanto para as formas que sofreram mutação (principalmente os tipos G12, G13 e Q61) quanto para as formas sem a mutação.

“Ela confere abrangência a esta inibição e contenção mais eficaz do crescimento do câncer de pâncreas, com um perfil de toxicidade manejável e tolerável pelo paciente”, destaca.

A oncologista Virgínia Sessa ressalta que a aprovação da medicação vale para pacientes adultos com adenocarcinoma. Ela aponta ainda que a medicação dobrou a sobrevida dos pacientes em 13 meses com o comprimido.

A oncologista Caroline Secatto, da Unimed Vitória, observa que a nova medicação atende uma necessidade de tratamento para linhas subsequentes, ou seja, para quando a primeira opção terapêutica no câncer de pâncreas apresenta falhas.

“Com o comprimido é possível bloquear essa via de ativação do crescimento tumoral. Saímos de um cenário super obscuro para um cenário de esperança”.

Medicamento deve demorar a chegar ao Brasil



A aprovação histórica do daraxonrasib (Rasonque) nos Estados Unidos gerou esperança em pacientes com câncer de pâncreas metastático. No entanto, para os brasileiros, o novo tratamento pode demorar a chegar.

Segundo a oncologista clínica Virgínia Sessa, a chegada da medicação ao País depende da liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Embora alguns fármacos ganhem aval com agilidade, o processo pode levar meses ou até anos. “A gente tem que esperar, mas é algo que pode demorar”, afirma a médica.

Após aprovação da Anvisa, o medicamento vai depender ainda de sua inclusão obrigatória no Rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para que seja fornecido pelos planos de saúde.

Nos Estados Unidos, o preço é de aproximadamente 39,8 mil dólares (cerca de R$ 220 mil) para o tratamento de 30 dias.

Fique por dentro 

Câncer de pâncreas



  • O câncer de pâncreas é um dos tumores com pior prognóstico para a oncologia. A taxa de sobrevida estimada em 5 anos para o câncer de pâncreas é de cerca de 5%.
  • Muitos pacientes descobrem a doença já em estágio avançado e as opções de tratamento costumam oferecer ganhos modestos de sobrevida.
  • Historicamente era tratado com quimioterapias genéricas de alta toxicidade e baixa efetividade. Terapias-alvo anteriores eram limitadas a raros grupos (como mutações no gene BRCA). Descobriu-se que mais de 90% dos casos apresentam mutações na via celular da proteína RAS.

O que é essa nova pílula?

  • O Daraxonrasib, com nome comercial Rasonque, é um medicamento desenvolvido para tratar o câncer de pâncreas avançado. Ele atua bloqueando a proteína RAS, uma das principais responsáveis pelo crescimento dos tumores e que está alterada em mais de 90% dos casos desse tipo de câncer.
  • O medicamento oral, potente e multisseletivo, atua no complexo codificador da proteína RAS. Ele suprime essa sinalização celular, tanto nas formas com mutação (G12, G13, Q61) quanto nas sem mutação, contendo o crescimento do tumor com um perfil de toxicidade manejável.
  • Nos estudos clínicos, dobrou a sobrevida global dos pacientes no cenário metastático, passando de cerca de 5 a 6 meses para aproximadamente 13 meses.

Indicação

  • Indicado para pacientes com adenocarcinoma de pâncreas (o tipo mais frequente).
  • Aprovado pelo FDA nos Estados Unidos como tratamento de segunda linha (após progressão com a quimioterapia) e também para pacientes muito debilitados que não toleram a quimioterapia de primeira linha.
  • A droga já está em fase de estudos para cenários mais precoces da doença (primeira linha e neoadjuvância, antes da cirurgia).

Quando chega ao Brasil

  • O medicamento precisa passar pela avaliação e liberação da Anvisa antes de poder ser comercializado no Brasil, um processo que pode levar tempo.



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