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Saúde

Presença de enfermeiros em partos ganha força

No Espírito Santo são 205 enfermeiros especialistas em obstetrícia atuando em maternidades e assistindo a gestantes

Presença de enfermeiros em partos ganha força
- Os enfermeiros obstétricos vêm ampliando sua atuação no Espírito Santo.
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Camila Lima

Jornalista formada pela Faculdade Estácio de Sá de Vitória, atua há 7 anos no jornal A Tribuna. Integrante da editoria de Cidades, tem como principal foco a cobertura de saúde, área na qual construiu sólida experiência em reportagens, entrevistas e coberturas de eventos pelo Brasil. Apresenta o podcast Fala, Doutor, dedicado a levar informação acessível e de qualidade sobre medicina e bem-estar ao público.

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Entre uma contração e outra, há quem ensine a respirar, alivie a dor com massagens, incentive mudanças de posição, acompanhe a evolução do trabalho de parto e permaneça ao lado da gestante do início ao fim do nascimento.

Cada vez mais presentes nas maternidades, os enfermeiros obstétricos vêm ampliando sua atuação no Espírito Santo.

O número de partos assistidos por enfermeiros obstétricos no Espírito Santo, segundo o Painel de Monitoramento de Nascidos Vivos do Ministério da Saúde, saltou de 133, em 2022, para 490 em 2023 e chegou a 562 em 2024 — um crescimento de mais de 320% em apenas dois anos.

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Mas o que é assistir o parto? O coordenador da Câmara Técnica Materno-Infantil do Conselho Regional de Enfermagem do Espírito Santo (Coren-ES), Ulysses Maria Pereira explica:

“No parto normal, o profissional não ‘faz’ o parto. Ele assiste o parto, porque se trata de um processo natural. A lógica é semelhante à das antigas parteiras: elas estavam presentes para acompanhar a mulher e intervir apenas se surgisse alguma intercorrência.”

Ele destaca que ao usar o termo “assistir o parto”, há um reconhecimento de que o nascimento é conduzido pelo próprio corpo da mulher, e o profissional está ali para acompanhar e garantir segurança.

A ciência também respalda esse modelo de assistência. Uma revisão sistemática da Cochrane, que reuniu 15 estudos envolvendo 17.674 mulheres e bebês, mostrou que gestantes acompanhadas por enfermeiras obstétricas têm menos chances de passar por intervenções desnecessárias, como episiotomia (corte feito entre a vagina e o ânus) e partos com fórceps, além de apresentarem maior probabilidade de parto normal.

Apesar do crescimento dessa assistência realizada por enfermeiros obstetras, os indicadores mostram que os partos no Estado ainda são marcados pelas cesarianas.

Segundo dados divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), com base no Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc), 64,7% dos nascimentos registrados entre 2024 e 2026 ocorreram por cesariana.

Por nota, a Sesa informou que a “ocorrência de cesarianas é um fenômeno multifatorial, influenciado por condições maternas e fetais, perfil de risco da gestação, histórico obstétrico e organização dos serviços, razão pela qual a taxa de cesarianas não deve ser analisada de forma isolada como indicador da qualidade da assistência”.

“Me surpreendi com o trabalho ”

Ao descobrir a gravidez, a autônoma Julyanne Santos, de 26 anos, decidiu fazer um plano de saúde, mas, devido à carência, não seria possível ganhar o bebê na rede particular. “Confesso que estava insegura, mas me surpreendi com as enfermeiras”, afirma.

Ela conta que sempre desejou o parto normal e sabia da importância do acolhimento de uma enfermeira obstétrica.

“Eu tinha medo de como me tratariam, por estar em um momento vulnerável. Eu gostaria de ser respeitada e ouvida, e assim foi. Não tenho do que reclamar”, afirma Julyanne, que ganhou o filho Vicente, hoje com três meses, e teve o apoio do marido Yago Machado, 26 anos.

Outra presença que ela considerou fundamental ao seu lado foi a da enfermeira obstetra Bruna Sena, 34 anos, coordenadora do PPP (Pré-parto, Parto e Pós-parto) no Hospital Municipal Materno Infantil da Serra, onde Julyanne teve seu filho.

“Todas as enfermeiras que me atenderam, sem exceção, foram muito solícitas. Um atendimento totalmente humanizado, prezando a minha vontade, meu bem-estar e do meu bebê”, afirmou.

Bruna Sena explica que a enfermagem obstétrica é habilitada para conduzir o parto normal de risco habitual. “Realizamos o parto, a assistência da mãe e do bebê e conduzimos o pós-parto. Mas quando surge alguma evolução inesperada, como hemorragia, sofrimento fetal ou necessidade de cesariana, contamos com a parceria do obstetra que passa a atuar diretamente”.

“A enfermagem obstétrica une o conhecimento técnico, o raciocínio clínico e o cuidado humanizado, pensando na segurança da mãe e do bebê.”

Saiba mais

Partos assistidos por enfermeiros obstetras no ES

Ano — Quantidade

  • 2026* — 76
  • 2025 — 396**
  • 2024 — 562
  • 2023 — 490
  • 2022 — 133
  • 2021 — 86
  • 2020 — 99
  • *Até abril
  • **Dados sujeito a alterações

Entre 2022 e 2024 houve um crescimento superior a 320%.

Enfermeiros obstetras no Espírito Santo

Ano — Quantidade de inscrições

  • 2007 a 2015 — 28
  • 2016 — 15
  • 2017 — 5
  • 2018 — 7
  • 2019 — 20
  • 2020 — 10
  • 2021 — 14
  • 2022 — 24
  • 2023 — 19
  • 2024 — 11
  • 2025 — 38
  • 2026 — 15

206 profissionais no total, sendo 205 enfermeiros especialistas em obstetrícia + 1 obstetriz)

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