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Saúde

Procura por bariátrica cai até 40% com uso de caneta

Redução no volume de cirurgias realizadas tem sido percebida em todo País. Canetas para emagrecer podem atuar como aliadas

Procura por bariátrica cai até 40% com uso de caneta
- Canetas emagrecedoras ganham espaço no tratamento da obesidade e influenciam a procura por cirurgias bariátricas
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Francine Spinassé

Graduada em Jornalismo pela Faculdade Estácio de Sá de Vitória, atua como repórter de A Tribuna desde 2008. Em 2011, passou a integrar a equipe responsável pelas reportagens especiais diárias do jornal, ao lado da jornalista Eliane Proscholdt.

Última atualização


A popularização das chamadas “canetas emagrecedoras” já provoca impacto na procura por cirurgias bariátricas. No Espírito Santo, especialistas apontam queda de até 40% na procura pelo procedimento, principalmente entre pacientes da rede privada que passaram a apostar primeiro nos medicamentos para perda de peso.

Segundo o presidente do capítulo Espírito Santo da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), Gustavo Peixoto Soares Miguel, a mudança no volume de cirurgias realizadas tem sido percebida em todo País.

“Temos até mesmo pacientes que já estavam em preparação para a cirurgia e decidiram interromper o processo para tentar nova alternativa clínica. Essa é uma escolha compreensível”, afirmou.

Apesar da redução na procura pelas operações, o médico destaca que as canetas não são rivais da bariátrica e podem, inclusive, atuar como aliadas do procedimento.

Em pacientes com obesidade grave, por exemplo, o uso dos medicamentos antes da cirurgia pode ajudar na perda inicial de peso e melhorar condições clínicas, como hipertensão e diabetes, aumentando a segurança da operação.

“Muitas vezes, o paciente que chega com 190 quilos faz uso do medicamento durante três ou quatro meses e consegue reduzir mais de 20 quilos. A gente opera ele com mais segurança.”

Outro benefício, segundo ele, é do uso do medicamento por quem fez a cirurgia bariátrica há mais de 10 anos e teve algum reganho de peso. “O uso de canetas também tem grande sucesso para esses pacientes, porque a obesidade é uma doença crônica e os tratamentos são conduzidos pela vida inteira”.

Gustavo ressalta, porém, que os medicamentos ainda não substituem a cirurgia nos casos de obesidade grave.

Segundo ele, estudos mostram que a bariátrica é até cinco vezes mais eficiente que canetas no controle do peso e de doenças associadas à obesidade, além de apresentar melhores resultados na prevenção de complicações cardiovasculares e até alguns cânceres.

“As canetas são muito boas principalmente para quem não tem indicação cirúrgica, pacientes com IMC mais baixo e necessidade de perder cerca de 15% do peso. Já para os obesos mórbidos, a cirurgia continua sendo mais eficiente.”

Mudança 

Rotina e alimentação

Com quase 124 quilos, diabetes tipo 2, hipertensão e gordura no fígado, o empreendedor Cleber Gonçalves, 41, iniciou no ano passado o processo para a bariátrica.

Durante o pré-operatório, porém, recebeu orientação médica para fazer tratamento com tirzepatida. O resultado foi a perda de 41 quilos em sete meses, chegando a 82 quilos.

Mas a mudança, segundo ele, não foi só no uso da medicação. Precisou de esforço. Ele deixou de beber, mudou a rotina e a alimentação. “Antes eu não conseguia andar 100 metros. Hoje corro 10 quilômetros”.

Melhora da autoestima

“Cheguei a perder 40 quilos”

A professora de informática Kelmann Dantas de Oliveira, 37, convive com a obesidade desde a infância. Após duas gestações, chegou aos 124 quilos e recorreu à cirurgia bariátrica em 2022. “Com a cirurgia, cheguei a eliminar 40 quilos”.

Segundo a professora, com o passar dos anos, porém, recuperou parte do peso. “Três anos depois, vi que estava chegando novamente aos 90 quilos, então retomei o acompanhamento médico, com uso da semaglutida”.

No ano passado, ela iniciou o tratamento com a medicação, associada à alimentação e atividade física. “Hoje, estou com 71 quilos. O que vejo hoje é que, tanto o tratamento cirúrgico, quando as medicações trazem benefícios para quem tem obesidade”.

O que eles dizem 

Rebote

“As canetas são boas opções de tratamento, principalmente para quem não tem indicação cirúrgica, como pacientes com IMC mais baixo. Já para os mais obesos, a cirurgia continua sendo mais eficiente. Além disso, medicamentos exigem uso contínuo. Muitos interrompem o tratamento e enfrentam ‘efeito rebote’.”

Preocupação

“Dados dos EUA mostram redução de 34,1% nas cirurgias bariátricas entre 2022 e 2024, acompanhada de aumento de 140,4% no uso de medicamentos. A abordagem mais eficaz para obesidade continua sendo multimodal e individualizada, integrando mudança de estilo de vida, farmacoterapia e cirurgia, conforme o perfil de cada um.”

Entenda 

Cirurgia bariátrica

  • É um procedimento cirúrgico indicado para tratar casos de obesidade grave ou obesidade moderada com comorbidades associadas.
  • Ela reduz a capacidade do estômago e altera o trânsito intestinal, promovendo perda de peso e controle de doenças metabólicas. As cirurgias mais comuns são por meio de laparoscopia (com pequeno orifício no abdômen).
  • A perda de peso chega a 30% do peso total no 1º e 2º ano da cirurgia. Essa perda de peso se mantém em mais de 60% dos pacientes ao longo de 10 a 20 anos.

Indicação

Desde o ano passado, o Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou novas regras para os procedimentos.

  • Os pacientes com IMC (calculado a partir do peso dividido pelo quadrado da altura) entre 30 kg/m e 34.9 kg/m poderão ser submetidas à cirurgia bariátrica, desde que apresentem comorbidades graves, como diabetes tipo 2 de difícil controle, apneia obstrutiva do sono ou esteatose hepática avançada.
  • Para paciente com IMC entre 35 kg/m e 39.9 kg/m, a cirurgia é recomendada caso haja pelo menos uma doença agravada pela obesidade.
  • Já para aqueles com IMC acima de 40 kg/m, não há necessidade de enfermidade associada.

Canetas emagrecedoras

  • As chamadas “canetas emagrecedoras” se popularizaram nos últimos anos, em especial com a aprovação de medicações como liraglutida, semaglutida e, a mais recente, a tirzepatida. A última tem estudos apontando perda que chega entre 15% e 20% do peso corporal.
  • Medicamentos imitam a ação de hormônios produzidos no intestino, atuando na regulação do apetite, retardando o esvaziamento do estômago.

Indicação

  • O uso das canetas deve ser feito com acompanhamento médico. É indicado a pacientes com obesidade (IMC acima de 30) ou com sobrepeso (IMC acima de 25) que apresentam doenças associadas, como diabetes tipo 2 e outras.

Canetas x Cirurgias

  • Apesar de serem tratamentos indicados para a obesidade, médicos afirmam que as indicações são diferentes e cada paciente deve ser avaliado de forma individual. Além disso, os tratamentos podem ser complementares.


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