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Saúde

Seis mortes suspeitas por dengue hemorrágica são investigadas no ES

Uma delas é da menina Valentina, de 9 anos, que morava na Serra e morreu no dia 23 de junho, após ser levada ao hospital pela 4ª vez

Seis mortes suspeitas por dengue hemorrágica são investigadas no ES
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Foto de perfil de Beatriz Brandão

Beatriz Brandão

Beatriz Brandão é estudante de jornalismo na Universidade Federal do Espírito Santo e é repórter multimídia no jornal A Tribuna. Tem experiência em assessoria de imprensa, rádio e jornalismo digital.

Última atualização

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) está investigando seis mortes por suspeita de dengue grave no Estado, popularmente chamada de dengue hemorrágica, causada pelo mosquito Aedes aegypti. O dado é do painel “Monitoramento das Arboviroses no Espírito Santo”.

A investigação dos casos leva entre 60 e 90 dias e depende da análise de documentos, entrevista com familiares e avaliação de exames, como explica João Paulo Cola, referência técnica das Arboviroses do Núcleo Especial de Vigilância Epidemiológica da Sesa.

“Quando ocorre um óbito suspeito, o serviço de saúde tem até 24 horas para comunicar o caso à Secretaria de Estado da Saúde.”

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Um dos casos é o da menina Valentina, de 9 anos, que morreu no dia 23 de junho, em Balneário de Carapebus, na Serra. A mãe, Anna Paula Gonçalves, relata que levou a filha quatro vezes ao hospital após ela apresentar febre alta.

Segundo ela, a suspeita de dengue foi levantada apenas na terceira ida ao hospital, em 22 de junho, mas a menina recebeu alta novamente. No dia seguinte, o quadro se agravou.

“Ela teve uma convulsão em casa e outra a caminho do hospital. Quando chegamos, o médico disse que provavelmente era dengue hemorrágica. Logo ela foi entubada e depois não vi mais nada.”



O caso vem à tona uma semana após a morte da dentista Lorena Nascimento Cardoso, de 29 anos, que também está sendo investigada por suspeita de dengue grave.

A presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia no Estado, Marina Malacarne, explica que a principal característica de um caso de dengue grave é a desidratação.

“Os principais sinais de alerta são boca e olhos secos, diminuição da quantidade de urina, pele desidratada e pressão baixa.”

Segundo a infectologista Rúbia Miossi, os grupos com maior risco de evoluir para casos graves são gestantes, crianças menores de dois anos, idosos, pessoas com diabetes, hipertensos e pacientes com outras doenças crônicas.

E o acompanhamento depende da classificação do paciente. “Os pacientes do grupo B, com comorbidades, devem ser reavaliados em até 48 horas, mesmo que estejam bem, para verificar a evolução da doença”, conclui Rúbia.

Anna Paula Mãe da Valentina

“É difícil acreditar que minha filha partiu assim”



A Tribuna — Agora o caso da sua filha ainda está sendo investigado, certo?

Anna Paula Gonçalves — Sim. Estamos aguardando os laudos. Fiz boletim de ocorrência, conforme orientação da polícia, e agora estamos esperando a conclusão da investigação para saber se realmente foi um caso de dengue.

Você considera que houve negligência no atendimento?

Sim. Foi uma sequência de erros. Se ela tivesse feito o ultrassom quando foi solicitado, ou se tivessem tido um pouco mais de atenção aos sinais, talvez muita coisa pudesse ser evitada. A gente procura atendimento porque acredita na medicina, mas nunca imagina perder uma filha de 9 anos dessa forma.

O que a família pretende fazer após a investigação?

Vamos buscar nossos direitos para que isso não aconteça com outras famílias. Eu prometi isso para a minha filha. Não queremos que outras pessoas passem pelo que estamos vivendo.

Como a senhora e a família estão lidando com essa perda?

É muito difícil lidar com esse sentimento de impotência. Hoje eu mesma fico com medo de procurar atendimento médico. A gente confiou que ela receberia o tratamento necessário e acabou acontecendo essa tragédia.

Como a senhora gostaria que as pessoas lembrassem da Valentina?

Ela era uma menina muito alegre, amava a vida e não gostava de ver ninguém triste. Era uma criança muito querida. Por isso é tão difícil acreditar que minha filha partiu assim.


Saiba mais

Dengue no Estado

Casos em 2026

  • Confirmados: 12.089
  • Prováveis: 16.060

Óbitos em 2026

  • Confirmados: 4
  • Sob investigação: 6

Classificação da doença



Grupo A: Pacientes sem sinais de alarme, sem comorbidades e sem risco social.

Grupo B: Sem sinais de alarme, mas com comorbidades (gestantes, idosos acima de 65 anos, crianças menores de 2 anos, hipertensos, diabéticos) ou com sangramentos espontâneos ou induzidos.

Grupo C: Presença de sinais de alarme, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes, queda brusca de plaquetas, sangramento de mucosas e letargia.

Grupo D: Dengue grave, antes chamada de hemorrágica. O paciente apresenta sinais de choque, disfunção grave de órgãos ou sangramento severo.

Sintomas

  • Febre alta
  • Dor de cabeça
  • Dor atrás dos olhos
  • Dores musculares e nas articulações
  • Cansaço intenso
  • Falta de apetite
  • Náuseas e vômitos
  • Manchas vermelhas na pele
  • Sinais de alerta
  • Sangramentos
  • Boca e olhos secos
  • Pressão baixa
  • Tontura ou desmaio
  • Diminuição da quantidade de urina

Tratamento

  • Os principais tratamentos são hidratação e repouso

Prevenção

  • Eliminar recipientes que acumulem água
  • Manter caixas d’água e reservatórios fechados
  • Usar repelente
  • Permitir a vistoria dos agentes de combate às endemias.



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