Os médicos do Estado estão sempre se atualizado e em busca de inovações para trazer mais precisão, conforto, resultados e menos riscos aos pacientes no tratamento de diversas doenças.
Com isso, o Espírito Santo tem recebido técnicas inéditas de tratamento, tanto na rede privada quanto na rede pública de saúde.
Um exemplo é a nova técnica para o tratamento da dor crônica no Estado feita em três pacientes na Santa Casa de Misericórdia de Vitória.
O médico especialista em dor crônica Ramon D’Angelo Dias, responsável pelo Serviço de Algologia (dor crônica) do hospital, explica que foram realizadas no começo deste mês três cirurgias usando a técnica de rizotomia por crioablação, sendo uma de joelho, uma de quadril e uma de ombro.
“É um procedimento minimamente invasivo que utiliza agulhas especiais que congelam na ponta e podem chegar a -60 graus, causando uma lesão no nervo e determinando, com isso, a diminuição ou a interrupção da entrada do estímulo doloroso no organismo. É mais efetiva porque a área de lesão é maior e, com isso, conseguimos controle maior da dor”.
Outro tratamento inédito no Espírito Santo é a terapia biológica de regeneração tecidual, conhecida também como Actigraft, realizada no Hospital Estadual de Urgência e Emergência (HEUE), em Vitória.
O cirurgião vascular Eliud Garcia, que coordena a equipe de cirurgia vascular do hospital, conta que HEUE é o primeiro do Estado e um dos quatro hospitais no Brasil a trabalhar com essa tecnologia.
“Diferente de cicatrização, as terapias biológicas utilizam células com potencial de regenerar tecidos, promovendo restauração das lesões e mais qualidade de vida aos pacientes”, explica.
No Hospital Santa Rita, a inovação, segundo o cardiologista Fabrício Vassalo, é a nova técnica de ablação de fibrilação atrial guiada pelo ecocardiograma intracardíaco, sem uso de raio-X.
“Tem sido usada nos maiores centros americanos e também no Hospital Santa Rita. A técnica, além de evitar a radiação, dá mais segurança e precisão ao procedimento. Com ecocardiograma intracardíaco temos uma imagem em tempo real e muito fidedigna do coração, além de trazer mais conforto a todos os envolvidos, já que não precisam usar o colete de chumbo”.
Expectativa para novos remédios
Novas medicações também são esperadas pelos médicos. Algumas já estão em análise pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e outras ainda são estudadas fora do País, mas já se mostram como esperança para o tratamento da obesidade, insônia e Alzheimer.
“Estamos aguardando medicamentos para Alzheimer, que atua inibindo a formação de proteína beta-amiloide no cérebro, que é a principal causa da degeneração dos neurônios. O medicamento está aguardando aprovação final da agência de regulação nos Estados Unidos”, aponta a neurologista Soo Yang Lee.
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A pneumologista especialista em sono Jessica Polese conta que é esperado um medicamento contra a insônia que tem uma atuação diferente dos que existem no mercado hoje. “Não acho que vai demorar a liberação. Ele atua na hipocretina, uma substância ligada à vigília”.
Para o tratamento do diabetes e da obesidade, há a expectativa que novos remédios, com duração prolongada, cheguem até 2024, como pontuou o endocrinologista Mário Sérgio Zen.
Confira as novidades
1. Testes genéticos
Hoje, os testes genéticos conseguem predizer o risco da pessoa ter doenças cardíacas e determinados tipos de câncer no futuro.
A esperança é que eles consigam identificar mais doenças e estejam cada vez mais acessíveis à população.
O radiologista Bruno Aragão Rocha, coordenador médico de inovação da Fleury, acredita que essa será ainda mais a personalização da medicina diagnóstica.
Segundo ele, essa possibilidade de prevenção de doença, principalmente de câncer e patologias cardíacas, vai mudar o jeito que se faz na medicina hoje.
2. Edição genética
A Crispr/Cas9 é a técnica de edição de DNA mais avançada em estudos hoje. Com ela, é possível editar o gene causador da doença com a ajuda de uma enzima presente no sistema de defesa das bactérias.
Os pesquisadores usam a Cas9 junto com um RNA “guia” para “recortar” a parte que é de interesse no DNA, com isso é possível silenciar ou reparar o gene.
A técnica já está disponível para algumas doenças, mas ainda é muito cara e não autorizada pelas agências reguladoras como tratamento.
3. Terapia gênica
Terapia gênica é um tratamento que introduz no organismo genes saudáveis, chamados de terapêuticos ou de interesse, para substituir, modificar ou suplementar genes inativos ou disfuncionais que causem algum problema de saúde.
Para algumas doenças já é realidade, mas ainda é bem caro. Em 2020, a Anvisa autorizou os primeiros tratamentos utilizando esta tecnologia: para Doenças Hereditárias da Retina (DHR), que são raras e causam perda da visão, e Atrofia Muscular Espinhal (AME), que também é rara e a terapia visa suplantar a falta do gene SMN1, responsável pela sobrevivência do neurônio motor e pelo controle do movimento muscular.
Este ano, a Anvisa aprovou o primeiro produto de terapia gênica para tratamento de cânceres do tipo hematológico, que têm origem no sangue.
4. CAR-T
A tecnologia CAR-T consiste em reprogramar células de defesa do corpo humano para reconhecer células tumorais presentes no organismo.
Ela utiliza as células T do paciente, que funcionam como “soldados” do sistema imunológico, que são modificadas geneticamente para reconhecer o câncer e, depois, destruí-lo.
Este ano, a Anvisa aprovou o primeiro tratamento com a tecnologia CAR-T, o Kymriah (tisagenlecleucel), da empresa Novartis Biociências.
É um produto de terapia avançada para câncer hematológico. A esperança é que mais doenças seja beneficiadas com a terapia.
5. Rizotomia por crioablação
É uma nova técnica para o tratamento de dor crônica que foi realizada de forma inédita no Estado neste mês.
O médico especialista em dor crônica Ramon D’Angelo Dias explica que são utilizadas agulhas refrigeradas que ultrapassam a camada da pele e chegam ao ponto exato da dor sem precisar realizar cortes ou cirurgias abertas.
As agulhas alcançam a temperatura de menos 60 graus, causando uma lesão os nervos sensitivos que conduzem o estímulo à dor. O aparelho é mais efetivo, tem uma área de lesão maior, trazendo um controle das dores.
6. Novos medicamentos para tratar obesidade
Uma das novidades que deve chegar no mercado no ano que vem é a caneta de semaglutida com dose maior para o tratamento de obesidade.
O pedido está em analise pela Anvisa. Hoje, a substância é utilizada em dose menor para o tratamento de diabetes.
Outra medicação esperada, segundo o endocrinologista Mário Sérgio Zen, que também está em aprovação pela Anvisa, é a medicação que combina naltrexona e bupropriona.
Ela atua no cérebro reduzindo o apetite, aumentando a sensação de saciedade e cortando o desejo intenso por comida. Deve chegar no mercado no início do ano.
7. Novos medicamentos para o controle da diabetes
São esperadas dois novos tipos de insulinas que estão em teste e que terão aplicação semanal.
Segundo o endocrinologista Mário Sérgio Zen, as medicações representam maior conforto para o paciente, que terá menos aplicações. A previsão é que cheguem em 2024.
Outra medicação esperada também é uma caneta de injeção semanal de tirzepatida, que atua mimetizando dois hormônios intestinais que induzem a uma perda de peso potente e por diferentes mecanismos, tanto cerebrais como via gastrointestinais.
O medicamento foi liberado no Estados Unidos para tratamento de pessoas com diabetes tipo 2 e aguarda esta aprovação no Brasil. A previsão é que chegue no ano que vem.
8. Laserterapia em pacientes oncológicos
Uma novidade no Hospital Evangélico de Vila Velha (HEVV) é a caneta de laserterapia. É um procedimento indolor e que acelera a cicatrização auxiliando no tratamento dos pacientes que possuem algum tipo de lesão.
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Tem sido usada em pacientes com úlceras venosas e úlceras por pressão, além de pacientes da oncologia em tratamento quimioterápico e radioterápico, que desenvolvem quadro de mucosite, que é uma inflamação interna da boca e da garganta e pode levar a úlceras e feridas na região, geralmente bem dolorosas, e que impossibilitam até a alimentação e a fala do paciente.