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Saúde

Tratamentos mais modernos contra o lipedema

Ultrassom microfocado e laser são algumas novidades para combater a doença, que provoca acúmulo anormal de gordura

Tratamentos mais modernos contra o lipedema
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Camila Lima

Jornalista formada pela Faculdade Estácio de Sá de Vitória, atua há 7 anos no jornal A Tribuna. Integrante da editoria de Cidades, tem como principal foco a cobertura de saúde, área na qual construiu sólida experiência em reportagens, entrevistas e coberturas de eventos pelo Brasil. Apresenta o podcast Fala, Doutor, dedicado a levar informação acessível e de qualidade sobre medicina e bem-estar ao público.

Última atualização


Durante anos, diversas mulheres ouviram que o aumento desproporcional das pernas era apenas sobrepeso, sedentarismo ou celulite. Atualmente, especialistas sabem que, em muitos casos, o diagnóstico correto era lipedema.

A doença crônica, que provoca acúmulo anormal de gordura, afeta cerca de 200 mil mulheres no Espírito Santo — cálculo baseado na estimativa de que 12,3% das brasileiras apresentam a condição.

Os avanços no diagnóstico e no tratamento do lipedema, como ultrassom microfocado e laser, estiveram entre os principais temas debatidos no Encontro Capixaba de Angiologia e Cirurgia Vascular, realizado em Vitória na segunda-feira (8) e terça-feira (9).

Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular Regional Espírito Santo (SBACV-ES), Wanderley de Paula Silva, o crescente interesse pelo tema está relacionado ao aumento do conhecimento da população sobre a doença.

“As mulheres treinam, mas não perdem a massa de gordura. Isso porque o lipedema, gordura que cresce desordenada, não tem uma resposta imediata ao exercício físico, já que depende de diversos fatores: dieta, atividade física, medicação e tratamentos”.

O diagnóstico ainda é um desafio, já que, segundo especialistas, a doença pode se confundir com outras condições, como sobrepeso.

Para auxiliar nesse diagnóstico, a ultrassonografia tem sido utilizada, conforme explica a angiologista e ecografista vascular Fanilda Barros.

“O diagnóstico do lipedema é essencialmente clínico, mas há exames complementares que podem ajudar a confirmar esse diagnóstico e diferenciar o lipedema da obesidade e do linfedema. Hoje temos desenvolvido o mapeamento ultrassonográfico com doppler, porque o que acontece com o lipedema é um depósito de gordura no subcutâneo”, explicou.

Quanto aos novos tratamentos, o angiologista e cirurgião vascular José Marcelo Corassa explica que o ultrassom microfocado atua em diferentes profundidades do tecido e pode ajudar a reduzir dores e melhorar o aspecto da pele. Já o laser possui ação anti-inflamatória e auxilia na drenagem dos tecidos.

“Mas o básico do tratamento continua sendo a mudança no estilo de vida”, destacou.

Opções para cuidar das varizes

Embora acometa cerca de 30% da população, as varizes ainda carregam o estigma de uma condição estética, sendo que sua manifestação revela a insuficiência venosa crônica – quando as veias das pernas, que deveriam reconduzir o sangue de volta ao coração, acabam não funcionando com eficiência.

O assunto também foi discutido no Encontro Capixaba de Angiologia e Cirurgia Vascular. De acordo com os especialistas, exames modernos permitem individualizar cada vez mais os tratamentos.

“Para as varizes, o ultrassom é padrão-ouro para diagnóstico. Não existe tratamento de varizes sem fazer o ecodoppler, que é uma ultrassonografia das veias e vai avaliar se essa elas estão doentes ou não. O exame vai diferenciar cada caso, permitindo que o tratamento seja individualizado”, explica a angiologista e ecografista vascular Fanilda Barros.

Atualmente, entre as opções disponíveis para tratamento estão cirurgia convencional, espuma, laser endovenoso ou radiofrequência. Segundo o angiologista e cirurgião vascular José Marcelo Corassa, nem sempre a técnica menos invasiva é a melhor escolha.

“O médico tem de dominar todas as técnicas para escolher a melhor para cada paciente. Alguns podem ter um resultado melhor com a cirurgia convencional, para outros pode ser melhor associar tratamentos. O importante é tratar, já que as varizes são evolutivas e aumentam as chances de trombose e úlceras”.

O que eles dizem 

Atualizações

“Estamos trazendo atualizações das mais novas tecnologias. Escolhemos temas em evidência, como o lipedema. Muitas mulheres têm nos procurado porque começaram a descobrir a doença. É uma gordura desordenada que depende de tratamento multidisciplinar. Não é doença vascular, mas tem um componente vascular, a insuficiência venosa que piora a circulação, levando à inflamação da gordura”.

Diagnóstico

“Existem exames complementares que ajudam a confirmar o diagnóstico de lipedema e também os diagnósticos diferenciais, já que pode haver obesidade, linfedema (acúmulo de líquido linfático) e outras doenças que acometem o subcutâneo. No lipedema existe uma destruição desse subcutâneo e das fibras conjuntivas que eu consigo interpretar no ultrassom”.

Estilo de vida

“O lipedema tem três períodos de acentuação: puberdade, gravidez e menopausa. Infelizmente, há médicos que desconhecem a doença, por isso as mulheres que chegam com dor estão sendo tratadas com fibromialgia. Hoje, para melhorar os sintomas e aspectos estético, temos novos aparelhos, como ultrassom microfocado e laser. Mas o básico do lipedema continua sendo mudança do estilo de vida”.

Fique por dentro 

60% dos casos têm histórico familiar

Lipedema

  • Caracterizado pelo acúmulo simétrico e doloroso de gordura subcutânea, principalmente nas pernas e braços — poupando mãos e pés, o lipedema é frequentemente confundido com obesidade ou linfedema.
  • Diferentemente da obesidade, a gordura associada à doença não responde bem à dieta ou à prática de exercícios. Já o linfedema, causado por falhas no sistema linfático, tende a ser assimétrico e costuma afetar também os pés.

Prevalência

  • A condição atinge quase exclusivamente mulheres e costuma surgir em fases de intensas variações hormonais, como a puberdade, a gravidez e a menopausa. Estima-se que até 60% dos casos tenham histórico familiar, o que reforça o papel de fatores genéticos.
  • Estima-se que 12,3% das mulheres brasileiras tenham lipedema, segundo estudo científico publicado em 2022 no Jornal Vascular Brasileiro.

Sinais

  • Entre os principais sinais estão a distribuição desproporcional da gordura, dor constante, sensibilidade ao toque, hematomas frequentes e limitação funcional.
  • Embora o diagnóstico seja clínico, exames como ultrassonografia com doppler ajuda a excluir outras condições.

Tratamento

  • Apesar de não ter cura, o lipedema pode ser controlado por meio de tratamento multidisciplinar. Entre as abordagens mais eficazes estão a drenagem linfática manual, o uso de meias de compressão, exercícios de baixo impacto com foco no fortalecimento muscular, principalmente nas coxas, além de uma alimentação anti-inflamatória e com baixo índice glicêmico. Em casos selecionados, pode-se recorrer à lipoaspiração para lipedema.
  • Entre os novos tratamentos também estão o ultrassom microfocado, que atua em diferentes profundidades do tecido e pode ajudar a reduzir dores e melhorar o aspecto da pele. E o laser Velaryan, com quatro comprimentos diferentes de ondas, que sob uma área de inflamação, tem um efeito anti-inflamatório e auxilia na drenagem dos tecidos.
  • Há ainda o uso off-label (fora da bula) do Mounjaro como um tratamento adjuvante, já que melhora a inflamação, com a redução de peso.


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