Uma nova arma no combate ao câncer pode estar disponível em oito anos: é a vacina contra a doença. É o que promete a BioNTech, empresa alemã de biotecnologia responsável pelo imunizante da covid-19 desenvolvido em parceria com a Pfizer.
Entre a série de aplicações em testes pela empresa, as mais avançadas, na fase dois dos três estágios clínicos, são as injeções para o câncer colorretal, o melanoma (câncer de pele), o melanoma avançado e o câncer de cabeça e pescoço.
Há ainda vacinas para o câncer de ovário, de próstata e tumores sólidos na primeira etapa dos estudos com humanos.
Para a BBC, o professor de oncologia Ugur Sahin disse que o objetivo é usar a vacina individualizada para garantir que, após a cirurgia, os pacientes recebam uma dose personalizada e individualizada que induzam a resposta imune para que as células T ( defesa) no corpo do paciente consigam rastrear as células tumorais restantes e, idealmente, eliminá-las.
Segundo os pesquisadores da vacina, O RNAm age como um manual de instruções e informa ao corpo para produzir a vacina.
Para o oncologista Fernando Zamprogno a “ciência não marca data”. “Eles estão procurando mais uma terapia. Se vai curar o câncer é uma outra história”.
Zamprogno observou que são agregados novos tratamentos, que são aliados dos convencionais. “Diante de tantas armas, acredito na terapia personalizada multimodal: cirurgia, quimioterapia, radioterapia, anticorpos”.
A oncologista clínica Kitia Perciano acredita na eficácia da vacina. “É uma coisa diferente do que vinha sendo feito. Acredito na chegada em oito anos, porque já está em fase dois. E melanoma é um tumor muito agressivo. Você dá o tratamento e vê a eficácia com poucos anos”.
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O oncologista Wesley Vargas Moura se vê cauteloso. “A gente, após 30 anos fazendo oncologia, espera para ver. O caminho é bom, não sabemos se vai se aplicar”.
O médico destacou que a única vacina capaz de evitar o câncer, hoje, é a do papilomavírus humano (HPV), que evita a contaminação pelo vírus, que causa a doença.
Como destaca o oncologista Luiz Gustavo Berriel, no câncer, o processo de mutação das células é muito dinâmico, rápido, e individualizado.
“O câncer surge a partir das células da pessoa, diferente dos vírus. Fica uma coisa muito mais específica (no caso de uma vacina)”.