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Saúde

Sucesso em testes com vacina experimental contra o câncer de pele

Laboratórios anunciam imunizante experimental que reduziu o risco de progressão do melanoma em pacientes de alto risco

Sucesso em testes com vacina experimental contra o câncer de pele
- O melanoma é um tipo de câncer de pele invasivo, com alto risco de metástase, que é quando o tumor se espalha para outros órgãos do corpo
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Nicolas Nunes

Nicolas Nunes é formado pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Com passagem pelo jornal australiano The Courier Mail, e participação na Jornada Galápagos de Jornalismo, atua como repórter do jornal A Tribuna e do Tribuna Online.

Última atualização


Uma vacina experimental personalizada contra um tipo de câncer de pele (melanoma), desenvolvida pela Merck e pela Moderna, reduziu o risco de a doença voltar após a cirurgia, segundo resultados preliminares do primeiro ensaio clínico de fase final do tratamento. O relatório foi divulgado pela Moderna na última quarta-feira (19).

Batizada de intismeran autogene, a vacina é inovadora e diferente das tradicionais, e é utilizada no combate ao melanoma. O imunizante é produzido para cada paciente, com base nas mutações genéticas do tumor.

“Após pegar um pedaço do melanoma, um anticorpo é produzido para combater o material retirado, e depois, injetado no paciente. Você ensina o sistema imunológico a combater o tumor, com a carga genética do próprio organismo”, explicou Cintia Givigi, médica oncologista do Hospital Santa Rita.

A vacina em testes é indicada para pacientes com melanoma em metástase, ou seja, que pode se espalhar para outras partes do corpo.

“Essa nova vacina não vai prevenir a ocorrência do melanoma, mas sim evitar que o tumor volte, e também que ocorra metástase”, destacou Caroline Secatto Tres, médica oncologista da Unimed Vitória.

Apesar de o imunizante ainda estar em período de testes e não haver previsão de chegada ao mercado brasileiro ou ao Sistema Único de Saúde (SUS), a expectativa é promissora, afirma Juliana Alvarenga, médica oncologista da São Bernardo Samp.

“Eu diria que estamos diante de uma tecnologia bastante promissora. Os próximos passos do estudo são decisivos”, disse.

A médica apontou ainda que será necessário acompanhar a pesquisa até a liberação da vacina.

“Será necessário demonstrar não apenas a redução da recorrência do melanoma, mas acompanhar se o efeito permanece no longo prazo e se isso se converte em benefício ao paciente”, afirmou.

O médico oncologista Fernando Zamprogno e Silva, da Rede Meridional, também destacou o desenvolvimento no combate ao câncer.

“Se essa vacina impactar no aumento de cura de pacientes, será um grande passo. O seguinte é o acesso a essa nova tecnologia e quando ela vai chegar”, destacou.

Saiba Mais 

Combate ao melanoma

Uma vacina experimental contra o câncer de pele, desenvolvida pelas farmacêuticas Moderna e Merck, reduziu o risco de recidiva do melanoma após cirurgia, segundo resultados preliminares de um estudo clínico de fase 3.

O melanoma é um tipo de câncer de pele invasivo, com alto risco de metástase, que é quando o tumor se espalha para outros órgãos ou estruturas do corpo do paciente.

Batizada de intismeran autogene, a vacina é diferente das tradicionais, usadas para prevenir doenças infecciosas.

O imunizante não tem como objetivo impedir que o câncer surja. Ele é produzido especificamente para cada paciente, com base nas mutações genéticas encontradas no tumor.

Como funciona

Primeiro, uma amostra do câncer é colhida e sequenciada para identificar as alterações genéticas, uma espécie de “impressão digital” molecular daquele tumor.

A partir dessas informações, os pesquisadores desenvolvem uma molécula de RNA mensageiro (mRNA) capaz de apresentar ao sistema imunológico até 34 alvos específicos, chamados neoantígenos.

O RNA (ácido ribonucleico) é uma molécula presente nas células, responsável por ler as instruções genéticas do DNA (molécula que guarda as instruções genéticas) e transformá-las em proteínas, que dão forma e função ao corpo.

Depois de aplicada, a vacina orienta o sistema imunológico a reconhecer essas alterações e atacar as células tumorais que apresentam essas características.



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