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Brasil pode deixar de exportar R$ 16,5 bilhões em carne bovina para a China

Prejuízo pode acontecer por conta do volume de carne que não entraria na China devido às tarifas e cotas de importação do produto

Brasil pode deixar de exportar R$ 16,5 bilhões em carne bovina para a China
- Peças de carne bovina: setor aponta que tarifa adotada pela China “altera condições de acesso ao mercado”
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Redação Jornal A Tribuna

Reportagens produzidas pela equipe de jornalistas da Rede Tribuna, publicadas no jornal A Tribuna.

Última atualização


O Brasil poderá deixar de obter uma receita de cerca de US$ 3 bilhões (cerca de R$ 16,5 bilhões) com as exportações de carne bovina que não conseguirem entrar na China por causa da nova política do país de tarifas e cotas de importação do produto.

Esta é a estimativa preliminar de Paulo Mustefaga, presidente da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo).

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) afirmaram, em nota conjunta, que a adoção de medidas de salvaguarda pelo governo chinês à importação de carne bovina “altera as condições de acesso ao mercado” e “impõe necessidade de reorganização dos fluxos de produção e de exportação”.

Na última quarta-feira, a China comunicou que vai estabelecer uma cota de 1,1 milhão de toneladas ao ano para a importação de carne bovina do Brasil, com tarifa de 55% sobre o volume que exceder esse limite.

Também foram estabelecidas cotas isentas desta tarifa para outros grandes fornecedores de carne bovina para o mercado chinês.

Para 2025, o setor estimou que o Brasil exportaria 1,7 milhão de toneladas de carne bovina para a China. Até novembro, as exportações para o mercado chinês alcançaram 1,5 milhão de toneladas e renderam US$ 8 bilhões.

Mustefaga evitou cravar que a tarifa inviabilizará as exportações brasileiras para além da cota estabelecida, mas reconheceu que o percentual de 55% dificulta bastante o acesso ao mercado chinês nas atuais condições de mercado.

“Uma tarifa de 55%, de fato, pode inviabilizar a exportação de qualquer volume fora da cota”, afirmou.

Uma limitação das exportações brasileiras a 1,1 milhão de toneladas representaria um retorno do ritmo de exportações anterior a 2022. A partir daquele ano, os embarques brasileiros de carne bovina para a China superaram a marca de 1 milhão de toneladas anuais.

Para Alcides Torres, sócio da Scot Consultoria, a cota de 1,1 milhão de toneladas é mais severa com o Brasil.

“Nessa manifestação, a Argentina e o Uruguai ficam com um bom volume em relação ao rebanho que eles têm”, ressaltou.


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