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Inteligência Artificial melhora a produção de café

Tradição e tecnologia andam de mãos dadas em Linhares, com melhora no padrão da bebida. Domingo (24) foi o Dia Nacional do Café

Inteligência Artificial melhora a produção de café
- José de Melo decidiu apostar na tecnologia no cultivo de café conilon com auxílio do filho, Marcos Melo
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Clóvis Rangel

Clóvis Rangel é publicitário e jornalista formado pela Faculdade Pitágoras. Pós-graduado em Redes Sociais e em Sociologia, atua como especialista na editoria de variedades. É repórter do jornal A Tribuna e do portal Tribuna Online, além de professor de Marketing.

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Domingo (24), foi o Dia Nacional do Café, data que marca o início tradicional da colheita e destaca a importância econômica, cultural e histórica da bebida no País. No Espírito Santo, tradição e tecnologia estão de mãos dadas, com o uso da Inteligência Artificial para melhorar a qualidade e aperfeiçoar o processo de fermentação dos grãos.

A tecnologia é usada em Linhares, onde produtores utilizam um aplicativo conectado a sensores que monitoram, em tempo real, todas as etapas do processamento. Dados como temperatura, tempo de fermentação e condições ambientais são coletados continuamente e analisados por sistemas de Inteligência Artificial.

Segundo especialistas, as informações são cruzadas com avaliações sensoriais feitas por técnicos, permitindo que os produtores recebam orientações mais precisas sobre os métodos mais adequados para cada lote.

Dedicado à cafeicultura há cerca de 12 anos, José de Melo, 64, decidiu apostar na tecnologia no cultivo de conilon com auxílio do filho, Marcos Melo, 25. Presidente da Associação dos Pequenos Produtores Rurais do Farias (Aprucof), José conta que buscava por alternativas para melhorar o padrão da produção.

“Tudo começou quando buscamos entender melhor o comportamento do café. A partir daí fomos conhecendo novas técnicas e percebemos que a tecnologia poderia ajudar a produzir um café de mais qualidade”, afirma.

Segundo o produtor, o uso da IA permite maior controle durante a fermentação dos grãos, etapa considerada decisiva para definir aroma, sabor e qualidade da bebida. “Hoje conseguimos acompanhar detalhes que antes passavam despercebidos. Isso ajuda a reduzir erros, melhorar o resultado final e aumentar o valor do nosso café”.

Para técnicos do Incaper, o avanço tecnológico representa uma mudança importante para a cafeicultura capixaba. “A tecnologia permite decisões mais precisas no processamento e contribui diretamente para a valorização do café. É um caminho sem volta para quem busca produzir cafés de qualidade e de valor”, diz o extensionista Maurício Bianchi.

Tecnologia identifica a qualidade

Pesquisadores da Ufes estão desenvolvendo um aplicativo capaz de identificar a qualidade do café ainda na fase pós-colheita por meio de Inteligência Artificial e processamento digital de imagens. A tecnologia promete ajudar produtores rurais a tomar decisões mais rápidas e precisas durante o beneficiamento dos grãos.

O projeto é liderado pelo professor Samuel Silva, do Departamento de Engenharia Rural da Ufes, no campus de Alegre. A proposta é que o sistema consiga indicar a nota de Qualidade Global (QG) da bebida a partir da análise de imagens dos grãos cereja recém-colhidos na lavoura.

A escala de Qualidade Global é utilizada pela Associação Brasileira de Cafés Especiais para classificar o padrão sensorial do café.

Segundo o pesquisador, a ferramenta poderá auxiliar produtores na separação de lotes com maior potencial de qualidade, agregando valor e reduzindo perdas. “O sistema ainda não é operacional porque está em fase de prototipagem, mas o modelo computacional já está pronto. A ideia é construir uma plataforma que trabalhe com aprendizado por reforço”.

A expectativa é que a tecnologia facilite o acesso dos cafeicultores a análises que hoje dependem de provas sensoriais mais complexas e demoradas, ampliando a competitividade do café capixaba no mercado de especiais.


Tags Café

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