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POLÊMICA

Adufepe aciona MP após falas de Silas Malafaia contra professores na Arena PE

Sindicato dos professores protocola notícia de fato no Ministério Público Federal e Estadual por declarações sobre manipulação e marxismo cultural

De acordo com o documento protocolado da Adufepe, a manifestação de Silas Malafaia contribui para o descrédito social da atividade docente
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Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização



A Associação dos Docentes da Universidade Federal de Pernambuco (Adufepe) protocolou uma notícia de fato no Ministério Público de Pernambuco (MPPE) e no Ministério Público Federal (MPF) contra o pastor Silas Malafaia.

A medida ocorre após o líder religioso proferir declarações sobre professores e sistema de ensino durante o festival gospel The Send 2026, realizado no último sábado (31), na Arena Pernambuco.


O sindicato solicita a análise de conduta e a adoção de medidas para tutela de direitos coletivos. Segundo a Adufepe, Malafaia atribuiu à atuação docente o controle do pensamento de estudantes por meio do que chamou de “marxismo cultural”.

De acordo com o documento protocolado, a manifestação contribui para o descrédito social da atividade docente, afetando a honra coletiva e a imagem dos professores perante a sociedade.


Conteúdo das declarações


Durante o evento na Região Metropolitana do Recife, Malafaia afirmou que os alunos são manipulados em prol de um projeto político. Em sua fala, preservada na íntegra pela Adufepe, o pastor declarou:


“Escuta, moçada, existe hoje uma coisa que é séria, é o chamado controle do pensamento pelo marxismo cultural. Se você pensar diferente, você é banido. Se você for contra ideologia de gênero, se você for contra o aborto, se você for contra práticas homossexuais, se você for contra essa cultura, você é ridicularizado, debochado. Vocês têm que estar preparados para esse enfrentamento.”


Para a Adufepe, as afirmações carecem de base fática concreta e possuem potencial de reforçar estigmatizações do trabalho pedagógico, atingindo o ambiente escolar e universitário.


Histórico e contexto político


A Adufepe pontua que Malafaia atua como influenciador no campo conservador e religioso, sendo aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro. O texto da associação recorda que o líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo foi incluído no inquérito da Polícia Federal que apura tentativa de golpe de Estado, sob suspeita de coação no curso do processo, organização criminosa e abolição violenta do Estado Democrático.


A nota do sindicato cita ainda um indiciamento de 2017 por lavagem de dinheiro, referente ao recebimento de R$ 100 mil de um escritório investigado por desvios de royalties de exploração mineral em prefeituras.


Pedidos ao Ministério Público





  • Na notícia de fato, a Adufepe demanda:
  • Instauração de procedimento para apuração das declarações;
  • Análise do conteúdo audiovisual e transcrição da fala;
  • Eventual ajuizamento de ação civil pública para reparação de danos morais coletivos;
  • Medidas para a tutela da dignidade da docência.


A associação afirma que as declarações de Malafaia fazem parte de um plano de sucateamento do ensino e alienação da população. Segundo a Adufepe, o líder religioso utiliza a defesa da “moral e dos bons costumes” para anular o pensamento crítico.


O sindicato conclui reforçando que permanecerá em alerta contra ataques à educação e à democracia, especialmente no ano eleitoral de 2026.



O outro lado


A reportagem do Tribuna Online PE, portal da TV Tribuna PE/Band, entrou em contato com a sede da Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC), no Rio de Janeiro, às 15h15 desta quinta-feira (5).


Em contato telefônico, a atendente Elenilda informou que não seria possível o atendimento pela assessoria de imprensa no momento, indicando o contato para a próxima semana ou por correio eletrônico.


A reportagem encaminhou a solicitação de posicionamento via e-mail para o endereço oficial divulgado pela atendente, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para a manifestação do pastor Silas Malafaia e dos organizadores do evento The Send.

Veja também: Bolsonaro fez descaso com preceitos éticos dos militares, diz MPM

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