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Saúde

Mais de 16 mil pessoas no Espírito Santo já usam canetas para perder peso

Em 2025, as vendas de medicamentos injetáveis cresceram em ritmo histórico, impulsionadas pela eficácia nos resultados

Mais de 16 mil pessoas no Espírito Santo já usam canetas para perder peso
- Canetas emagrecedoras
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Francine Spinassé

Graduada em Jornalismo pela Faculdade Estácio de Sá de Vitória, atua como repórter de A Tribuna desde 2008. Em 2011, passou a integrar a equipe responsável pelas reportagens especiais diárias do jornal, ao lado da jornalista Eliane Proscholdt.

Última atualização

Impulsionadas pelos resultados e pela popularização das chamadas “canetas emagrecedoras”, as vendas de medicamentos injetáveis cresceram em ritmo histórico em 2025.

No Estado, mais de 16 mil pessoas fazem tratamento com essas medicações para controlar obesidade e doenças como diabetes.

Dados da Close-Up International apontam que, somente em novembro de 2025, mais de 820 mil unidades dos medicamentos “agonistas de GLP-1” foram vendidas em farmácias brasileiras.

As medicações agem no organismo “imitando” um hormônio natural para controlar o açúcar no sangue e retardar a digestão, aumentando a saciedade.

Considerando que o Espírito Santo corresponde a cerca de 2% da população do País, estima-se que, no Estado, cerca de 16 mil pessoas faziam uso das medicações em novembro.

Entre as medicações comercializadas atualmente estão as populares semaglutida (como o Ozempic e o Wegovy), a tirzepatida (Mounjaro), entre outras.

Segundo a Close-Up, atualmente o País vive uma epidemia, sendo observado um aumento na prevalência de 77,4% em 15 anos.

No relatório elaborado, a empresa ressalta que o Mounjaro – da Eli Lilly – consolidou-se rapidamente como o produto líder em valor, com crescimento superior a 30% no último mês analisado.

A percepção de alta nas vendas também chega ao balcão das farmácias. Segundo a farmacêutica Natália Possatti, a procura pelas canetas já vinha crescendo, mas ganhou novo fôlego em meados do ano passado, com o Mounjaro. “Chega e sai rápido”, afirma.

Para a endocrinologista e presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia no Estado (SBEM-ES), Maria Amélia Sobreira Gomes Julião, a difusão das “canetas” representa uma mudança no tratamento da doença.

“A obesidade é condição reconhecida com CID, associada a quadros como diabetes, hipertensão, AVC e doença hepática. A conscientização tem contribuído para a procura pelas medicações”.

Segundo a médica, a classe do GLP-1 é considerada “disruptiva” pela possibilidade de reduzir de 15% a 20% do peso.

Para a nutróloga Mariana Comério, o uso das canetas cresceu porque o resultado percebido pelos pacientes é rápido e consistente. “É uma medicação revolucionária. O que impressiona é o controle sobre o apetite e a compulsão alimentar. Muitos pacientes que falharam por anos em outros tratamentos conseguem resposta”.

Segundo ela, a eficácia está levando, inclusive, pacientes a priorizarem o gasto. “Há quem substitua despesas com delivery e bebidas, mude padrão alimentar e reduza uso de remédios para hipertensão, colesterol ou diabetes”.



As medicações

Tratamento contra diabetes e obesidade

Moléculas, principais produtos e indicações

Liraglutida



Produtos Referência: Victoza e Saxenda (Novo Nordisk)

Produtos Similares: Olire e Lirux (EMS)

Indicações: Diabetes Tipo 2 e controle de peso

Semaglutida



Produtos Referência: Ozempic e Wegovy (Novo Nordisk)

Indicações: Diabetes Tipo 2 e controle de peso

Tirzepatida



Produtos Referência: Mounjaro (Eli Lilly)

Indicações: Diabetes Tipo 2 e controle de peso.

Patentes

Das medicações, a Liraglutida é a única que já perdeu a patente. Em 2025 foram lançados similares da EMS. A patente da Semaglutida expirará em março, apesar da Novo Nordisk ter entrado com pedido para estendê-la. Já a Tirzepatida ainda tem exclusividade do Eli Lilly até 2036.

Unidades vendidas

Novembro de 2025

Mounjaro: 477.022

Wegovy: 223.118

Ozempic: 95.217

Saxenda: 12.941

Trulicity: 7.953

Victoza: 4.704

Lirux: 123

Olire: 58

Total: 821.136

Como agem no corpo



Canetas emagrecedoras

Fazem parte de uma classe de medicamentos “agonistas” do GLP-1. Isso significa que essas medicações “imitam” o hormônio natural (GLP-1) para controlar o açúcar no sangue, estimular a produção de insulina, retardar a digestão e reduzir o apetite.

No caso da tirzepatida (Moujaro), ele se diferencia dos outros por ser um “duplo” agonista, ou seja, imita a ação tanto do hormônio intestinal GLP-1 quanto do GIP.

As medicações são aprovadas para tratamento de diabetes, assim como para controle do peso.

Para isso, devem ser usadas em conjunto com dieta de baixa caloria e aumento de atividade física, em adultos com obesidade ou com sobrepeso, na presença de pelo menos uma doença associada (por exemplo, hipertensão, colesterol alto, apneia obstrutiva do sono, doença cardiovascular e pré-diabetes).

Mecanismos de ação

Pâncreas

Estimulam a produção de insulina (que reduz glicose) e inibem a produção de glucagon (que aumenta glicose).

Estômago

Retardam o esvaziamento gástrico, prolongando a sensação de saciedade.

Cérebro

Atuam em áreas que controlam o apetite, diminuindo a fome e o desejo por comida.



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