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ECONOMIA

Por que o desconto da Petrobras demora a chegar no bolso do pernambucano?

Presidente do Sindicombustíveis explica o peso de impostos e da logística no preço

Dentre todas as refinarias brasileiras, A RNEST, em Suape, apresenta a maior taxa de conversão de petróleo cru em diesel (70%),
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Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização



O anúncio de queda no preço da gasolina pela Petrobras nem sempre significa alívio imediato nas bombas de Pernambuco. Segundo Alfredo Pinheiro Ramos, presidente do Sindicombustíveis-PE, os postos de combustíveis não compram o produto diretamente da estatal, mas sim de distribuidoras. Nesse trajeto, custos de transporte, mistura de biocombustíveis e a falta de dutos no Nordeste travam o repasse integral do desconto ao consumidor.


O caminho do combustível


O Nordeste vive uma realidade logística diferente do Sul e Sudeste. Sem uma rede de dutos (canos subterrâneos) para o transporte, a região depende de navios e caminhões. Atualmente, apenas entre 30% e 40% da gasolina consumida aqui vem da Petrobras.



O restante é suprido pela Refinaria Acelen (Bahia), privatizada no governo Jair Bolsonaro, e por importadoras. Quando a Petrobras baixa o preço em suas refinarias, a queda não atinge automaticamente as outras fornecedoras que abastecem o mercado regional.

Embora Pernambuco tenha uma refinaria, a Abreu e Lima, localizada em Suape, ela é focada principalmente na produção de Diesel S-10, que corresponde a cerca de 70% de sua produção total.


Diferente da Acelen na Bahia, que já opera com um portfólio completo de gasolina, a RNEST foi projetada para reduzir a dependência brasileira de diesel importado. Com a recente conclusão da ampliação do Trem 1 (dezembro de 2025) e o início das obras do Trem 2, sua cesta de produtos e capacidade estão em expansão. 

Mesmo com a expansão (Trem 2), o objetivo anunciado pela Petrobras permanece sendo o aumento da oferta de diesel para o mercado do Norte e Nordeste. Não há planos públicos para a instalação de uma Unidade de Craqueamento Catalítico (FCC), que é o “coração” da produção de gasolina em uma refinaria.


Onde o desconto “trava”


A queda anunciada de R$ 0,14 pela Petrobras muitas vezes chega reduzida às empresas nordestinas. Ramos afirma que, em anúncios recentes, recebeu apenas R$ 0,06 de redução das distribuidoras.

Além disso, a gasolina vendida nos postos contém 30% de etanol anidro. Se o preço do álcool sobe no mercado, ele anula a queda da gasolina pura. Segundo o sindicato, cerca de 80% do valor final na bomba é composto por custos de extração, refino e impostos (como os R$ 1,57 fixos de tributos por litro).


“O que trava a redução de preços é o mercado, os aumentos invisíveis… O álcool anidro, por exemplo, subiu quase R$ 60 centavos, o biodiesel é duas vezes o valor do diesel. ninguém sabe que teve aumento do biodiesel e, o etanol, é o mercado que regula”.


Custos e fiscalização



Segundo Alfredo Ramos, manter um posto aberto exige o cumprimento de 12 a 14 licenças anuais, envolvendo órgãos como Ibama e Procon. O setor opera com margens médias de lucro de 14% para gasolina, 8% para etanol e 4% para diesel. O empresário ainda ressalta que o preço final também é impactado por custos fixos, como folha de pagamento e energia. Ramos alerta que preços excessivamente baixos podem esconder fraudes, como a mistura irregular de combustíveis, o que prejudica a livre concorrência e a saúde financeira dos revendedores tradicionais


Para o presidente do Sindicombustíveis-PE, o cenário atual exige uma briga diária por preços mais competitivos junto às distribuidoras. Ramos destaca que o empresário do setor convive com uma alta carga de responsabilidades e custos que variam constantemente, como o preço do etanol anidro e do biodiesel. Segundo ele, o setor segue sob rigorosa fiscalização de diversos órgãos, e o desafio permanece em equilibrar as contas diante de um mercado internacional volátil e de uma logística regional limitada.

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