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Com Erlon, Isaquias leva prata e se torna o maior brasileiro em uma Olimpíada

Isaquias e Erlon são prata. Foto: Reprodução / Internet. Isaquias Queiroz chegou à Olimpíada do Rio como promessa e saiu dela como herói nacional. ...

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Isaquias e Erlon são  prata. Foto: Reprodução / Internet. Isaquias e Erlon são prata. Foto: Reprodução / Internet.

Isaquias Queiroz chegou à Olimpíada do Rio como promessa e saiu dela como herói nacional. Quando ele falava que queria conquistar três medalhas, não importava a cor, muita gente pode não ter acreditado. Mas neste sábado, 20,  ele cumpriu a promessa ao garantir o segundo lugar, ao lado de Erlon de Souza, no C2 1000m da canoagem velocidade. Antes, havia obtido a prata no C1 1000m e o bronze no C1 200m. Apenas a dupla Sebastian Brendel e Jan Vandrey, da Alemanha, chegou à frente deles na prova deste sábado.

“Esse era meu objetivo. Me dediquei bastante para tentar fazer história e conseguimos. Ganhei a primeira medalha e queria mais. Não é ganância. Foram seis dias pesados de competição, mas não senti cansaço no C2, pois o cronograma das provas ajudava a competir”, disse o rapaz de 22 anos, sem lamentar por não ter chegado ao lugar mais alto do pódio. “Minha medalha de ouro foi o carinho do público. A torcida veio todos os dias, cantou o hino, estou muito feliz por isso e queria agradecer a todo mundo.”

O feito dele é histórico. Pela primeira vez um atleta do País conquistou três pódios numa mesma edição de Olimpíada. Antes dele, quatro já tinham chegado à marca de duas medalhas em uma única edição: Guilherme Paraense e Afrânio da Costa, no tiro esportivo, nos Jogos de 1920, e os nadadores Gustavo Borges, em 1996, e Cesar Cielo, em 2008. Com o feito, Isaquias leva o recorde nacional a um novo patamar.

Outra marca histórica é ser o primeiro atleta da canoa no mundo a conquistar três medalhas numa mesma Olimpíada. Até aqui apenas atletas do caiaque chegaram a tal façanha: o soviético Vladimir Parfenovich, em 1980, os suecos Lars-Erik Moberg e Agneta Andersson, em 1984, a búlgara Vanja Gesheva e a alemã Birgit Fischer, ambas em 1988, e a húngara Rita Köbán, em 1992.

A dupla Isaquias e Erlon, campeã do mundo em 2015 e prata nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, no mesmo ano, era a favorita para a prova. Além das boas colocações anteriores, tinha como vantagem o fato de ser mais leve que seus principais concorrentes, os alemães Sebastian Brendel, de 28 anos, e Jan Vandrey, de 24. Enquanto a canoa brasileira levava 163 quilos (85 kg de Isaquias e 78 kg de Erlon), a alemã tinha 180 quilos de peso (92 kg de Brendel e 88 kg de Vandrey). Mas eles sabiam que os rivais eram muito fortes. Os alemães foram os últimos a se classificarem para a Olimpíada, ao ganharem a vaga dos bielo-russos Andrei e Aliaksandr Bahdanovich, depois que a Federação Internacional de Canoagem baniu a Romênia e a Bielo-Rússia, por uso sistemático de doping. No último duelo, eles largaram lado a lado. Brendel e Vandrey ficaram com o ouro, ao passarem os brasileiros nos metros finais.

Apesar de não ter chegado ao ouro, Isaquias ficou muito feliz por contribuir para Erlon chegar ao pódio. “Ganhei a prata e estou muito feliz por ter ajudado o Erlon, pois ele me ajudou muito nos últimos anos e merecia sair daqui também com uma medalha. A sensação é de trabalho realizado”, comentou.

Erlon, por sua vez, estava radiante. Mesmo não conseguindo o ouro nos últimos metros, quando a dupla foi ultrapassada pelos alemães Sebastian Brendel e Jan Vandrey, ele festejou. “É uma medalha que vale ouro. Essa daqui é uma semana sem dormir, só olhando. Vai ser meu travesseiro na verdade. Não dá pra cair a ficha assim”, disse.

Ele conta que evitou tocar nas medalhas do amigo Isaquias, que já tinha conquistado uma prata e um bronze no Rio, porque queria ter um pódio na sua prova. “Nem peguei nas medalhas dele. Estava na minha mente: eu quero ver a minha. Agora vejo que ela é bonita como eu imaginava. É linda, principalmente no meu pescoço”, comemorou.

Um dos motivos para a canoagem brasileira ter chegado ao pódio no Rio não é apenas o talento de Isaquias. Um dos trunfos foi o trabalho do técnico espanhol Jesus Morlán, que havia levado David Cal a cinco medalhas olímpicas. Ele chegou em abril de 2013 para trabalhar no País e disse que o foco era uma medalha. Conseguiu logo três.

Avesso a entrevistas, Morlán ainda não anunciou seu futuro. Apenas pediu férias e quer descansar. Já Isaquias espera que o técnico continue e já projeta os Jogos de 2020, em Tóquio. Mas também quer descansar. “Combinei com ele que teria férias até janeiro. Aí ele falou que seria até novembro porque eu só tinha conseguido duas medalhas. Eu falei que ganharia mais uma e seria até janeiro, e foi isso que aconteceu”, brincou.

 

Por Clarissa Thomé, Mariana Durão e Paulo Favero

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