
A testemunha de defesa da presidente afastada no julgamento do impeachment, o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, afirmou que Dilma Rousseff cometeu uma “despedalada”. Belluzzo , que é ouvido como informante, disse ainda que a presidente afastada fez contingenciamento, limitação dos gastos do governo.
“Vou tratar isso com um pouco de bom humor, porque eu acho que, em 2015, não houve uma pedalada, houve uma ‘despedalada'”, afirmou Belluzzo. “No momento em que a economia estava se contraindo, estava perdendo receita, a presidente fez um contingenciamento de mais R$ 8,5 bilhões em cima de um contingenciamento que já tinha ocorrido, de R$ 70 (bilhões)”.
Pedalada é como ficou conhecida a prática de atrasar o repasse de dinheiro a bancos públicos que efetuam o pagamento de programas federais, e apontada com uma das irregularidades cometidas pela presidente afastada.
Belluzzo afirmou ainda que em sua visão Dilma não cometeu crime de responsabilidade, mas teve “excesso de responsabilidade fiscal”. “Ao contrário, eu vou repetir, do que aconteceu da suposição de que ela cometeu um crime de responsabilidade, na verdade, ela procurou correr atrás da queda, e correr atrás da queda não deu certo”, disse Belluzzo. “Foi o contrário: ela foi excessivamente responsável, excesso de responsabilidade fiscal”.
O economista é ouvido como informante a pedido do advogado de defesa de Dilma, José Eduardo Cardozo. O pedido foi acatado por Ricardo Lewandowski, presidente do julgamento do impeachment. Como informante, Belluzzo não precisou fazer juramento de que falaria a verdade, e o que diz não é anexado ao processo como prova.
De acordo com Cardozo, o pedido foi um acordo feito com os senadores favoráveis ao impeachment. Em troca, eles não pediriam a suspeição de mais nenhuma testemunha de defesa.
O advogado de Dilma também retirou outras duas das seis testemunhas de defesa, entre elas a ex-secretária de Orçamento Federal Esther Dweck.