
Duas famílias passam por uma situação inusitada em meio a um dos períodos mais dolorosos. Os corpos de dois homens foram trocados em São Paulo e um deles foi enterrado pela família errada. Um dos cinco filhos do pintor Ramiro Benatti, 57 anos, percebeu a troca quando o carro da funerária chegou ao local do velório.
“Na hora que chegou o carro da funerária, pedi para ver se o rapaz tinha feito a barba que eu tinha pedido. Quando olhei já falei pro meu irmão ‘nossa está muito diferente’”, contou Saulo Benatti. O pintor morreu no Hospital Municipal de Pirituba, na Zona Norte de São Paulo, na sexta-feira, 25, depois de ficar internado por três dias com cirrose hepática e pneumonia.
Saulo e um irmão foram ao hospital por volta de 11 horas do dia 25 e foram informados de que deveriam pegar os documentos e uma roupa para o corpo.
Às 13h40, quando retornaram, o hospital disse que deveriam ir à funerária da Lapa, mas no local disseram para ir a Agência Funerária do Araçá. Na noite do dia 25, os irmãos voltaram ao hospital e o carro da funerária chegou depois da meia-noite, quando viram que o corpo não era do pai.
Quando o filho disse que o corpo não era do pai, os funcionários do hospital alegaram que o corpo “muda mesmo” após o óbito. No entanto, o filho pediu para conferir uma cicatriz na perna, a retina que era verde e os dentes. As características de Ramiro não foram encontradas. “Meu pai não tinha só meia dúzia de dente”, disse Saulo.
Os irmãos registraram um boletim de ocorrência no 33º Distrito Policial e a Polícia Civil investiga o caso. Após exame de impressão digital no Instituto Médico Legal (IML), o investigador comprovou que o corpo não era de Ramiro.
“O corpo estava sem identificação no necrotério. O erro partiu do hospital”, disse Saulo. A família espera ainda conseguir enterrar o pai, mas já sabe que não conseguirá fazer um velório. Até o começo da tarde desta terça-feira, 30, a família ainda aguardava a exumação de um corpo enterrado no dia 25 por outra família.
Em uma conversa por telefone com a outra família, os familiares disseram ter achado o corpo diferente, mas pensaram que seria por causa dos medicamentos que o homem havia tomado.
“Para a minha família acabou, não vai ter [o velório]. Dói bastante. A outra família talvez consiga velar o corpo porque provavelmente ele está na geladeira do IML”, afirmou Saulo. O corpo de Ramiro será enterrado por sua família após ser exumado.
Em nota, a Autarquia Hospitalar Municipal afirmou que “lamenta o ocorrido e abriu sindicância”. A unidade disse ainda que “familiares de outro paciente que veio a óbito reconheceram equivocadamente o corpo do senhor R.B. e realizaram o velório e o enterro.