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Disputa pela água leva a denúncia e briga de vizinhos

Morador de São Roque, Tadeu Gonzalez viu o rio Santa Maria do Doce secar: “Agora é um deserto de areia”. Foto: Nilo Tardin / AT. A disputa pela água ...

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Morador de São  Roque, Tadeu Gonzalez viu o rio Santa Maria do Doce secar: “Agora é um deserto de areia”. Foto: Nilo Tardin / AT. Morador de São Roque, Tadeu Gonzalez viu o rio Santa Maria do Doce secar: “Agora é um deserto de areia”. Foto: Nilo Tardin / AT.

A disputa pela água no Estado destrói famílias inteiras, joga pai contra filhos, acaba com velhas amizades, separa vizinhos e sempre termina em brigas que vão parar na Justiça.  Já são cerca de 4 mil processos tramitando na Comarca de Santa Teresa e São Roque do Canaã, na região serrana, relacionados a conflitos pelo restante de água nos rios, nascentes e córregos dos municípios castigados pela seca.

Segundo a promotora de Justiça de Santa Teresa, Vera Lúcia Murta Miranda, a confusão só aumenta. “A desavença por causa da água para beber, servir casas e irrigar está jogando as pessoas umas contra as outras. A ação vai se desmembrando, uma se transforma em cinco ou seis, devido ao grande número de envolvidos. Dos 6.500 processos em andamento na  comarca, 60% a 70% estão relacionados à disputa por água e ao campo ambiental”, detalhou.

A promotora cita o exemplo da briga entre irmãos por um olho d’água no distrito de Alto Caldeirão, em Santa Teresa. O caso, por pouco não resulta em morte. Uma lavradora de 63  anos atirou  uma foice na cabeça do irmão, de 43 anos. Para se proteger, a vítima colocou a mão na frente e teve os dedos amputados. “O crime foi de lesão corporal grave. A terra nem era deles, mas dos pais e avós. Durante a audiência, a lavradora disse que, se preciso, faria tudo de novo ”, contou Vera Lúcia Miranda.

Dezenas de denúncias de uso indevido da água na lavoura chegam todos os dias ao Ministério Público do Espírito Santo (MP-ES), de acordo com a promotora. Em São Roque do Canaã, a falta d’água atingiu proporções alarmantes. Nem uma gota de água corre mais no rio Santa Maria do Doce há mais de ano em toda extensão do município. No Centro, o leito do rio virou estrada de chão.

O racionamento afeta 6.800 moradores que só recebem água encanada de três em três dias. O motorista Tadeu Gonzalez, 60, morador de São Roque, recorda que, em sua infância, havia trecho do rio Santa Maria que chegava a ter 4 metros de profundidade. “Agora é um deserto de areia”, diz.

 

Reportagem por Nilo Tardin,  Edson Sodré e Wilton Junior

Confira a reportagem completa no Jornal A Tribuna deste domingo

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