
O primeiro-ministro britânico, David Cameron, anunciou nesta sexta-feira, 24, que vai renunciar ao cargo e que o Reino Unido “deve buscar um novo primeiro-ministro”. O anúncio foi feito após os britânicos decidirem em plebiscito sair a União Europeia, em frente a residência oficial do premiê.
“Os britânicos votaram pela saída e sua vontade deve ser respeitada. A vontade dos britânicos deve ser seguida”, afirmou sobre a “Brexit”, que é a junção das palavras em inglês “Britain” (Grã-Bretanha) e “exit” (saída)”.
A consulta popular foi proposta por Cameron, ele a realizaria se vencesse as eleições gerais de 2015. Porém, o premiê era favorável à permanência do país no bloco.
Cameron destacou que o Reino Unido precisa de uma nova liderança para levar a decisão popular adiante. “A negociação deve começar com um novo primeiro-ministro”, afirmou.
“Agora que a decisão foi tomada, precisamos encontrar o melhor caminho. Farei o que for preciso para ajudar”, disse. “Eu amo esse país e me sinto honrado de ter servido a ele.”
Após seu anúncio, o premiê foi ao Palácio de Buckingham para comunicar pessoalmente à rainha Elizabeth II sobre sua intenção de renunciar em outubro.
Antes da votação, Cameron já enfrentava pressão intensa para renunciar, pois, além de ser contrário à saída, ele era acusado de não conseguir diminuir a imigração para o país. Em 2015, 330 mil imigrantes entraram no país, sendo metade deles da União Europeia.
Nesta sexta, as Bolsas na Ásia e os mercados futuros da Europa e dos Estados Unidos já apresentavam queda, mesmo antes do resultado oficial da vitória do “Brexit” ser divulgado. O resultado também provocou a maior queda da libra esterlina em 31 anos, chegando a ser cotada a 1,32 dólares.
O plebiscito realizado no país não é “vinculante”, ou seja, não torna obrigatória a saída do bloco. No entanto, Cameron dificilmente poderá contrariar a decisão popular. A saída também pode ser bloqueada por parlamentares, mas analistas consideram que seria suicídio político.