
As buscas pelos envolvidos no estupro de uma adolescente de 13 anos em Juiz de Fora, Minas Gerais, foram retomadas nesta quarta-feira, 29, pela Polícia Civil. A menina levou os investigadores a três lugares onde os suspeitos a mantiveram refém e a estupraram.
Segundo a polícia, o crime teria sido cometido por dez suspeitos, sendo dois maiores de idade. A mãe da adolescente contou em entrevista que a filha só reapareceu após um vídeo ser divulgado na internet.
Em operação na terça-feira, 28, a polícia identificou seis suspeitos. A delegada Ângela Fellet informou que quatro se apresentaram na delegacia, mas ainda não há detidos. “Os quatro que se apresentaram são adolescentes e tentaram preservar os mais velhos, mas nós já identificamos dois maiores de idade envolvidos. Eles foram ouvidos e liberados, a princípio, porque não foi durante o flagrante. Nesta manhã, a ação foi para identificar os três locais onde ocorreram o crime e chegar a outros suspeitos, além de ouvir depoimentos e testemunhas”, afirmou.
Um segundo vídeo feito enquanto a menina era mantida refém chegou ao conhecimento da polícia. “São imagens mais fortes e mais contundentes do que o primeiro vídeo, que sugerem efetivamente a prática de conjunção carnal”, disse ainda a delegada.
O outro vídeo já está no inquérito, ele havia sido publicado em uma rede social e depois excluído. Nele há uma voz masculina que falaria sobre o estupro, que está sendo apurada. Os adolescentes que se apresentaram deram versões conflitantes em depoimento.
“Eles disseram que foi apenas sexo oral e não houve conjunção carnal, mas as imagens mostram a vítima se limpando. Disseram que ela quis ter a relação, o que sabemos que não é verdade. Independentemente da concordância dela, que não houve, é crime de estupro de vulnerável porque a adolescente tem 13 anos. E mesmo que fosse sexo oral, é ato libidinoso com menor de 14 anos, o que configura estupro de vulnerável”, destacou a delegada.
De acordo com a delegada, testemunhas prestaram novos depoimentos, assim como os autores do crime. A investigação ainda terá a qualificação completa dos autores, outras diligências e a análise do laudo pericial. “Dos seis identificados, sabemos que tem um maior de idade e os demais a gente está chegando à qualificação principalmente por causa da idade. Assim vamos saber se o processo vai correr perante a Vara de Infância e Juventude ou na Justiça comum”, explicou.
O crime foi descoberto após um vídeo surgir nas redes sociais. A adolescente contou que foi a uma festa junina na escola onde estuda. Ela saiu do local com uma amiga e outros dois jovens. Eles foram a uma casa abandonada no bairro Olavo Costa, onde contou consentiram em ter relação sexual.
Segundo a menina, oito suspeitos chegaram ao local, e três estavam armados. Eles exigiram que as duas meninas tivessem relações com eles. A amiga da vítima contou neste momento que era irmã de um traficante do bairro Vila Ideal e foi liberada com os dois rapazes.