
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se defende das acusações do Ministério Público Federal (MPF) em evento do Partido dos Trabalhadores (PT) na tarde desta quinta-feira, 15, em São Paulo. O evento foi aberto à imprensa e transmitido ao vivo. Lula apresenta sua versão dos fatos apresentados pelos procuradores na quarta-feira, 14, e afirmou que “tem orgulho de andar de cabeça erguida”.
“Conquistei o direito de andar de cabeça erguida neste país. Provem uma corrupção minha, que eu irei a pé para ser preso”, disse.
Logo no início de seu discurso, Lula contou sua história política e disse ter orgulho de ter formado o “mais importante país de esquerda da América Latina”. Ele afirmou ainda que é atacado junto ao PT pelo sucesso de seu governo. “Nós tiramos da sala o tapete que escondia a corrupção deste país. Isso vale para o PT e para qualquer partido político”, afirmou.“Ontem eu fui vítima de um momento de indignação. Sinceramente, nunca pensei em passar por isso. Convocaram uma coletiva para mostrar o crime que o Lula cometeu. ‘Será que eu tenho uma doença de esquecimento?”
“Eu não vou fazer um show de pirotecnia, como fizeram ontem; não vou me comportar como ex-presidente da República; não quero me comportar como um cara perseguido, como se estivesse reivindicando algum favor”, disse. “Minha declaração é de um cidadão indignado com as coisas que aconteceram e que estão acontecendo. Neste país, tem pouca gente com a vida mais pública, mais fiscalizada do que a minha”, afirmou.
Lula questionou também o uso do dinheiro público para convocar uma coletiva em um hotel e não apresentar provas contra ele. “Como você convoca uma coletiva, gastando dinheiro público, montando uma estrutura para apresentar a prova de um crime e dizem: ‘eu não tenho prova, mas tenho convicção”, disse Lula citando uma frase que é compartilhada na internet e atribuída ao procurador Deltan Dallagnol.
“Eles construíram uma mentira, construíram uma inverdade, como se fosse um enredo de uma novela e está chegando o fim do prazo. Afinal de contas, já cassaram o [ex-deputado federal Eduardo] Cunha, já elegeram o [Michel] Temer pela via indireta, com o golpe, já cassaram a [ex-presidente] Dilma [Rousseff]. Agora, precisa concluir a novela. Quem é o bandido e quem é o mocinho? Vamos agora dar o fecho, acabar com a vida política do Lula”, afirmou.
O ex-presidente ressaltou que sua fala de indignação é de quem quer avisar ao país que o “o país que eu sonho está longe de ser construído. Nós subimos apenas um degrau na escada social deste país, que eles estão tirando agora.”