Uma campanha internacional contra a corrupção colocou o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) como garoto-propaganda. Cunha, que teve seu mandato cassado na noite de segunda-feira, 12, aparece em um vídeo da Transparência Internacional, de Berlim, como o “Sr. Trust do Brasil”.
A campanha tem o objetivo de conscientizar a opinião pública mundial sobre os riscos do trust. No vídeo, a entidade aponta que em 213 casos de corrupção em 80 países do mundo, 70% utilizam “algum tipo de veículo secreto” para “esconder dinheiro ilícito”. “Um desses veículos é o Trust”, aponta a Transparência Internacional.
A entidade destaca ainda que o mecanismo é utilizado como um instrumento que permite que pessoas transfiram ativos a um administrador, podendo ser usado para “esconder ativos”. Ele administra os ativos em nome de um grupo ou de uma pessoa.
Cunha é apresentado como beneficiário de um trust, que utiliza um banco suíço. De acordo com a entidade alemã, o “Mr. Trust é um dos políticos mais poderosos investigados pelo Ministério Público”.
Cunha ainda é citado como tendo um papel no “escândalo de corrupção da Petrobras”, por ter mentido ao Congresso e perdido seu mandato. A mentira ocorreu em março de 2015, quando o político garantiu que não tinha conta fora daquelas mencionadas em sua declaração de renda.
“Alguns meses depois, procuradores suíços localizaram quatro contas relacionadas a ele e sua esposa em um banco na Suíça”, diz a entidade. “No total, as autoridades brasileiras estão pedindo de volta do Mr. Trust e de sua mulher US$ 30 milhões”.
“Não sabemos para onde o dinheiro foi. Mas sabemos que o Mr. Trust gastou US$ 42 mil em uma semana de compras em Miami”, diz ainda o vídeo.
A Transparência Internacional e outras entidades tentam mostrar que “lutam para que se esclareça quem se beneficia de trusts”. Com a campanha, a entidade alemã pede que todas as informações sejam tornadas públicas para “acabar com o ciclo vicioso de impunidade” que o mecanismo permite. “Precisamos saber quem são as pessoas e os reais beneficiários de entidades secretas”, indicou. “Se soubermos, isso vai ajudar a acabar com a grande corrupção”.