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Política

Polícia Federal afirma que não avisa Ministério da Justiça sobre operações especiais

Entrevista coletiva da Polícia Federal sobre operação Omertà. Foto: Reprodução / Youtube. A Polícia Federal afirmou em entrevista coletiva nesta ...

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Entrevista coletiva da Polícia Federal sobre operação Omertà. Foto: Reprodução / Youtube. Entrevista coletiva da Polícia Federal sobre operação Omertà. Foto: Reprodução / Youtube.

A Polícia Federal afirmou em entrevista coletiva nesta segunda-feira, 26, que não repassa informações sobre suas operações especiais ao Ministério da Justiça. A declaração foi feita em nota lida na manhã desta segunda pelo delegado da PF Igor Romário de Paula, coordenador da força-tarefa.

A declaração da Polícia Federal é feita após o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, ter declarado na noite de domingo, 25, em evento em Ribeirão Preto, São Paulo, que haveria novas operações da Lava Jato nesta semana.

“Em relação à 35ª fase da Operação Lava Jato, a Polícia Federal esclarece que adotou o mesmo padrão de compartimentação e cuidado com a informação que caracterizaram as quase 500 operações deflagradas este ano. Somente as pessoas diretamente responsáveis pela investigação possuem conhecimento de seu conteúdo. Da mesma forma, as datas de desencadeamento das operações especiais de polícia judiciária são acompanhadas apenas pelos responsáveis pela coordenação operacional. Como já foi amplamente demonstrado em ocasiões anteriores, o Ministério da Justiça não é avisado com antecedência sobre operações especiais. No entanto, é sugerido ao seu titular que não se ausente de Brasília nos casos que possam demandar sua atuação, não sendo informado a ele os detalhes da operação. A Polícia Federal, instituição do Estado brasileiro, reafirma sua atuação de acordo com o Estado Democrático de Direito”, diz nota.

A fase da operação batizada de Omertà investiga a relação entre o Grupo Odebrecht e o ex-ministro. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), há evidência que o ex-ministro e Branislav receberam propina para atuar em favor da empreiteira entre os anos de 2006 e 2013, interferindo em decisões tomadas pelo governo federal. Palocci ainda teria participado de conversas sobre a compra de um terreno para a sede do Instituto Lula, que foi feita pela empreiteira.

“Conforme planilha apreendida durante a operação, identificou-se que entre 2008 e o final de 2013, foram pagos mais de R$ 128 milhões ao PT e seus agentes, incluindo Palocci. Remanesceu, ainda, em outubro de 2013, um saldo de propina de R$ 70 milhões, valores estes que eram destinados também ao ex-ministro para que ele os gerisse no interesse do Partido dos Trabalhadores”, diz o MPF.

As primeiras suspeitas contra Palocci na operação surgiram na delação de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, que afirmou que Alberto Youssef pediu R$ 2 milhões de cota de propinas do PP para a campanha presidencial de Dilma Rousseff, por encomenda de Palocci.

A Polícia Federal afirmou que há indícios de que exista uma relação criminosa entre Palocci e a empreiteira. “Há indícios de que o ex-ministro atuou de forma direta a propiciar vantagens econômicas ao grupo empresarial nas mais diversas áreas de contratação com o poder público, tendo sido ele próprio e personagens de seu grupo político beneficiados com vultosos valores ilícitos”, diz a PF.

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