Uma família foi expulsa por traficantes do bairro Boa Vista, em Vila Velha. Depois de passar a noite no Departamento de Polícia Judiciária (DPJ) de Vila Velha, um feirante de 23 anos; a esposa dele, uma dona de casa de 16; e dois filhos do casal uma menina de 8 meses e um garoto de 2 anos , estão em um abrigo provisório, localizado na Grande Vitória.
Segundo o feirante, o fato aconteceu no início da tarde quinta-feira, às 12h30, quando foi atraído por dois rapazes para a boca de fumo onde concentra-se o movimento do tráfico. Ao chegar lá, outros seis suspeitos o aguardavam, com armas em punho, o obrigando a se retirar do bairro. Para o trabalhador, uma discussão que teve na véspera com o pai de um suspeitos de liderar o tráfico na região pode ter motivado a explusão.
“Foi intriga mesmo. O pai de um desses meninos ligados o tráfico achava que eu tivesse vigiando a vida dele, sei lá. Moramos no bairro há 4 anos, e nunca tivemos problema. Nunca havia recebido ameaça de morte, não estava esperando por aquilo. Um estava com uma pistola 765 e, os outros, com garruchas. Mas os 8 estavam aramados, eles me chamaram para me matar”, explica.
Ainda de acordo com o feirante, os suspeitos tentaram amarrá-lo, mas ele conseguiu escapar correndo. Teve perseguição e a vítima pediu socorro na delegacia de São Torquato. A esposa dele o acompanhava já que, ao perceber que o marido havia sido retirado de casa, deixou as crianças com o pai dela e foi atrás.
“Voltamos mais tarde no bairro para buscar as crianças. O GOT nos acompanhou. Naquele momento, minha maior preocupação eram meus filhos, minha família”
“O que aconteceu, foi mais uma oportunidade que vida”
A TRIBUNA – Você disse que dois te atraíram para o local. Foi sem medo ou, naquele momento, preocupou-se com alguma coisa?
FEIRANTE – Não estava com medo de nada, fui tranquilo. Comecei a me preocupar quando cheguei na boca de fumo e vi os caras apontando as armas contra mim.
Eles tentaram te amarrar?
Sim, mas não deixei. Saí correndo e vieram atrás de mim. Acho que só não atiraram porque tinha gente deles correndo atrás de mim.
Depois que buscou as crianças, para onde foram levados?
Viemos para o DJP de Vila Velha localizado no Centro, onde passamos a noite.
Quando foi buscar as crianças, chegou a ver o estado da casa de vocês? Sabe se eles voltaram para depredar, algo assim?
Não. Não sei da casa. Se não quebararm tudo… só Deus sabe o que aconteceu lá.
A casa é de vocês?
Não, alugada. Somos sobreviventes daquele deslizamento das pedras, desde então, vivemos de aluguel social. Aliás, que está suspenso há cinco meses, devido a um problema de documentação.
Quando aconteceu o deslizamento, estavam todos em casa?
Não. Somente eu e meu filho. O que aconteceu ontem, eu escapar dos traficantes, foi mais uma oportunidade de vida.
Agora, você vão para um abrigo provisório. E depois, já pensou no que fazer?
Sim. Quero voltar para o Rio (de Janeiro) levando minha família.
Reportagem: Déborah Hemerly