Uma briga de trânsito terminou em morte para o motorista operacional de guincho José Pinto dos Santos Filho, de 30 anos. O carro que ele dirigia impediu a passagem de um ônibus do Transcol em Vale do Sol, Viana, e a suspeita é de que um passageiro tenha atirado na vítima.

Tudo aconteceu por volta de 22h de domingo (4). De acordo com investigadores da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), José estacionou seu carro, um Fiat Uno verde, em frente a um bar, na avenida Rio de Janeiro. Nesse momento, um coletivo da linha 906 (Terminal de Campo Grande – Soteco) tentou passar pelo local, mas não havia espaço.
Ao perceberem que o carro de José estava impedindo a passagem do ônibus , os passageiros reclamaram com a vítima, que teria, segundo a polícia, jogado uma pedra no coletivo. Um rapaz que estava no Transcol teria sido atingido pela pedra e começado uma briga com a vítima. A suspeita é de que esse passageiro tenha perseguido José e feito os disparos.
Outro versão
A irmã do motorista, uma diarista de 33 anos, deu outra versão para o crime. Segundo ela, outro carro que estava estacionada na contramão é que estava impedindo o trânsito.
“O carro do meu irmão estava perto, mas não estava atrapalhando. O ônibus se deparou com o carro que estava errado e não conseguiu passar, porque a rua é estreita. O motorista buzinou e pediu passagem”, revelou a irmã da vítima.
Ela destacou que o irmão retirou o carro dele do local, apesar de o veículo não estar atrapalhando o ônibus. “Um passageiro do ônibus começou a brigar com ele, achando que era o carro do meu irmão que estava atrapalhando. O meu irmão deu um tapa no vidro do ônibus e quebrou o vidro. Esse passageiro e o meu irmão bateram boca, e o cara falou: ‘vou ali e volto logo’”.
José saiu com seu carro e logo depois começou a ser perseguido por um outro veículo, que emparelhou com ele. O ocupante que estava no carona do veículo atirou três vezes contra a vítima. Ele foi atingido com um tiro na costela, que perfurou o pulmão. Ferido, ele perdeu o controle da direção e colidiu contra um muro, na rua Amazonas.
“A família está muito revoltada com tudo”
Irmã da vítima, a diarista conversou com a reportagem de A Tribuna e afirmou estar revoltada com a forma como o irmão morreu.

A Tribuna – Onde o seu irmão estava quando a confusão começou com o passageiro?
Diarista – Ele estava em um barzinho. Eu e o meu marido estávamos com ele. Acontece que a rua na frente do bar é muito estreita e tinha um carro estacionado na contramão, em local proibido. Mas não era o carro do meu irmão, era um carro de outro cliente do bar. O carro do meu irmão estava certo, estacionado um pouco afastado.
O que aconteceu?
O ônibus entrou na rua e se deparou com o carro na contramão. Não conseguiu passar porque a rua é muito estreita. O motorista buzinou para que o dono do carro tirasse o veículo. O meu irmão, mesmo estando com o carro mais distante, afastou ainda mais e ficou tudo bem. Mas um passageiro achava que era o carro do meu irmão que estava atrapalhando e começou a brigar com ele.
Como foi a briga?
O cara, de dentro do ônibus, xingou o meu irmão, e o meu irmão respondeu. Não teve agressão física, mas o meu irmão deu um tapa em um vidro lateral do ônibus e o vidro quebrou. Não vi se o vidro atingiu o passageiro, mas ele falou: “vou ali e volto agora”. Eu não imaginei nessa hora que essa briga fútil fosse terminar em tragédia.
O que o seu irmão fez?
Ele entrou no carro e saiu para dar uma volta e estacionar em outro lugar. Mas ele não voltou. Eu fui andando para casa e ouvi os disparos. Na hora eu já sabia que era com o meu irmão. Não tem outra explicação para o que fizeram com ele, só pode ter sido a briga.
O que você fez quando ouviu os tiros?
Fui até a minha casa e tentei ligar para o meu irmão, ele não atendeu. Estava desesperada. Logo depois um colega me ligou e avisou o que tinha acontecido. Meu irmão não merecia isso.
Como era o seu irmão?
Sempre foi um homem honesto, trabalhador, nunca se envolveu com coisa errada. Ele era casado e tinha sete filhos, tudo o que ele conseguiu na vida foi a custa de muito suor. Agora espero que a justiça seja feita, que quem fez isso seja preso. Foi uma atrocidade, um motivo fútil. A família está muito revoltada com tudo.