
O astrônomo e físico, Gustavo Rojas, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR), destaca que o fenômeno é uma coincidência. “Enquanto a Lua Azul é a segunda Lua cheia de um mês, a Lua Negra é o nome dado à segunda Lua nova no mesmomês. É apenas uma coincidência de calendário; nada muda no céu”, disse. “É importante lembrar que não, em nenhuma das ocasiões, a Lua muda de cor”.
A última vez que ocorreu uma Lua Negra foi em março de 2014. A próxima vez que o fenômeno está previsto é agosto de 2019. No Brasil, ela acontece às 21h12, mas não poderá ser vista no céu, pois como qualquer Lua Nova, sua face iluminada não estará voltada para a Terra.
O físico destaca que mesmo não tendo nada, exatamente, de peculiar, a Lua Negra atrai muita atenção de pessoas que seguem a religião Wicca , realizam rituais ou acreditam na influência da Lua. Pelo ponto de vista astronômico, o evento não passa de uma lua nova comum e não é considerado raro, pois acontece a cada dois anos em média. “Assim como qualquer Lua nova, a Lua Negra não aparece no céu e isso facilita a observação de estrelas”, afirma Rojas.
A ocorrência da terceira lua cheia em uma mesma estação ganhou o nome de Lua Azul pelo Farmer’s Almanac, uma publicação centenária americana. A partir disso, as pessoas começaram a nomear a ocorrência de outras luas, como a Lua Negra. “No século XIX, para contar os meses de uma estação e se preparar para a entrada da próxima, as pessoas utilizavam as Luas: como o ano possui quatro estações distintas e temos 12 meses, cada estação teria 3 meses. Para saber quando a estação iria mudar, eram contados os números de Luas cheias; a cada três Luas cheias, mudava a estação – e a terceira Lua, portanto, anunciava essa mudança”, explica Daniel Mello, astrônomo do Observatório do Valongo, da Universidade federal do rio de Janeiro (UFRJ).
No entanto, a contagem de períodos lunares é de 29 dias e os meses têm entre 30 e 31 dias. Com isso, em determinadas estações, o ciclo teria quatro luas cheias, ao invés de três.