
O ex-governador do Rio de Janeiro e secretário de Governo de Campos dos Goytacazes, Anthony Garotinho, foi preso na manhã desta quarta-feira (16) em sua casa no Flamengo, na Zona Sul do Rio, por agentes da Polícia Federal. Garotinho é investigado na Operação Chequinho, que apura o uso do programa social Cheque Cidadão para compra de votos na cidade em 2016.
A prisão do ex-governador é preventiva, não há prazo para sua libertação. A Polícia Federal cumpre ainda oito mandados de prisão temporária, oito de busca e apreensão e um de condução coercitiva, todos expedidos pelo juiz Glaucenir Silva de Oliveira, da 100º Zona Eleitoral de Campos.
A Polícia Federal informou que Garotinho foi preso em seu apartamento e deixou o local sem algemas. Ele foi levado para a sede da PF na Zona Portuária do Rio, mas deve ser levado para Campos ainda nesta quarta.
Garotinho foi governador do Rio entre os anos de 1998 e 2002, quando concorreu à presidência e foi derrotado por Lula. Sua mulher, Rosinha Garotinho, foi eleita governadora do estado, e ele assumiu a secretaria de Segurança. Na época, uma série de denúncias contra o casal surgiu, que incluiam crimes eleitorais e comuns.
O juiz Glaucenir já havia negado um pedido de habeas corpus de Garotinho no dia 9 de novembro. O advogado do ex-governador, Fernando Augusto Fernandes, afirmou nesta quarta que o decreto de prisão “vem na sequência de uma série de prisões ilegais decretadas por aquele juízo e suspensas por decisões liminares do Superior Tribunal Eleitoral”.
Em nota, a defesa de Garotinho ainda afirma que a comarca é alvo de denúncia de abusos de maus-tratos a pessoas presas ilegalmente. Fernandes informou ainda que o ex-governador fez uma declaração quando os policiais federais chegaram na sua casa. “Engraçado, eu que ajudo os pobres estou sendo preso por conta de Cheque Cidadão, que ajudo direcionado a população carente. Aqueles que roubam de verdade na Lava Jato, a grande maioria está solta ainda aqui no Rio de Janeiro”.
“A prisão a qual está submetido o ex-governador é abusiva e ilegal e decorre de sua constante denúncia de abusos de maus tratos a pessoas presas ilegalmente naquela comarca. Estas denúncias de abuso foram dirigidas à Corregedoria da Polícia Federal e ao juiz, que nenhuma providência tomou. Pessoas presas mudaram vários depoimentos após ameaças do delegado. No entanto, o TSE já deferiu quatro liminares por prisões ilegais. A Justiça certamente não permitirá que este ato de exceção se mantenha contra Garotinho”, diz nota da defesa.
No Blog do Garotinho, página na internet do ex-governador, uma publicação afirma que não há provas contra Garotinho e que a operação se baseia em depoimentos de “pessoas que foram coagidas a dizer ao delegado que havia participação política no programa, pois senão ficariam presas”.
A Operação Chequinho investiga um esquema de compra de votos em Campos. De acordo com o Ministério Público Estadual, a prefeitura oferecia inscrições fraudulentas no programa Cheque Cidadão, que dá R$ 200 por mês para cada beneficiário, em troca de votos.
A operação teve início em setembro, quando o MPE e a PF perceberam um “crescimento desordenado” do Cheque Cidadão. O número de inscritos no programa passou de 12mil para 30 mil em dois meses. Até o momento, já foram presos vereadores, eleitores e outros envolvidos no caso, e todos foram soltos.