
Os manifestantes que invadiram o plenário da Câmara dos Deputados na tarde de quarta-feira (16) foram liberados no fim da noite, após prestarem depoimento à Polícia Federal em Brasília. O grupo invadiu a Casa por volta de 15h30 e foi retirado pela Polícia Legislativa por volta de 18h30.
Em pronunciamento após a invasão, na noite de quarta, o porta-voz da Presidência da República, Alexandre Parola, afirmou que o presidente Michel Temer considerou a atitude dos manifestantes uma “afronta” à Câmara. “O presidente da República lamenta a invasão do Congresso Nacional na tarde de hoje. A infração representa uma afronta à instituição que representa a soberania popular e um desrespeito às normas de convívio democrático”, disse.
O presidente condenou a invasão e afirmou ainda que ações como esta são “inaceitáveis”. “Episódios como o de hoje são inaceitáveis e serão combatidos à luz da lei, em defesa da garantia de integridade de cada uma das instituições de Estado”, diz o pronunciamento.
Os manifestantes pediam intervenção militar no país e a aprovação das Medidas contra a Corrupção. O ato contou com a participação de cerca de 50 pessoas, que gritaram palavras de ordem contra a corrupção. Uma manifestante chegou a cuspir em um dos seguranças da Câmara, dando início a um tumulto.
Os manifestantes apresentaram um manifesto em que pedia o fim dos “supersalários” a servidores públicos, de aposentadorias em valores elevados, de ensino classificado por eles como “carregado de ideologia”, entre outros pontos. O grupo ainda afirmou que os deputados federais estão implantando o comunismo no país.
Durante o protesto, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), classificou os manifestantes de “baderneiros” para a imprensa, e informou ter determinado ao Departamento de Polícia Legislativa que encaminhasse os manifestantes à Polícia Federal. “A partir do momento que pessoas resolveram invadir o Parlamento, resolveram quebrar as dependências do parlamento, entrar no plenário sem autorização, subiram na mesa da diretoria da Câmara, a ordem que eu dei ao diretor do Depol é que todos saiam presos daqui presos e que sejam levados à Polícia Federal, com o apoio da Polícia Federal, porque não vamos aceitar esse tipo de abuso, de agressão. Não há negociação”, disse.
Com a invasão, uma das portas de acesso ao Plenário da Câmara foi quebrada e uma pessoa ficou ferida. Após os policiais legislativos retirarem os manifestantes do local, um segundo grupo, que protestava na área externa do Congresso, montou um cordão na tentativa de impedir a passagem do ônibus que levaria os detidos para a Polícia Federal. Com isso, os policiais chegaram a usar gás de pimenta para dispersar os demais manifestantes.