
A Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) está cobrando R$ 179.564,25 de cinco alunos por conta da ocupação da reitoria, em dezembro de 2015.
O valor, que deve ser pago por cada um dos estudantes, que foram responsabilizados no processo administrativo é de R$ 35.912,85. Caso eles não recorram nos 15 dias estipulados a partir da data das notificações, o valor deverá ser pago. O documento foi expedido no último dia 17.
Os nomes dos estudantes não foram divulgados e por meio de nota a Ufes informou que foi aberto um inquérito administrativo do qual participaram quatro professores e um representante discente. Deste inquérito resultou o processo administrativo ao qual os estudantes estão respondendo.
Conforme a notificação foi apurado um prejuízo relativo a danos a equipamentos e materiais e ao prejuízo ao erário pelo não cumprimento da jornada de trabalho de servidores que trabalham no prédio.
A assessoria de comunicação da instituição não soube responder se a Ufes também entrará na Justiça contra os estudantes.
Ocupação
A ocupação aconteceu entre 4 e 11 de dezembro de 2015, motivada pelo atraso no pagamento das bolsas-auxílio. Na época, o movimento afirmava que cerca de 50 estudantes estavam ocupando a reitoria.
Protesto
Na última sexta-feira (25), estudantes protestaram contra a cobrança e o reitor, Reinaldo Centoducatte, precisou sair escoltado da reitoria e os servidores deixaram o prédio.
O grupo ateou fogo em papéis em frente à Ufes interditando uma pista da Avenida Fernando Ferrari.
Entrada na reitoria só com identificação.
O acesso ao prédio está sendo feito somente com identificação, controlada pela guarda patrimonial da universidade, após um grupo tomar a reitoria protestando contra a cobrança.
Nota de repúdio
Após o ocorrido, os servidores técnico-administrativos da universidade divulgaram um manifesto repudiando o episódio. O texto foi publicado nesta segunda-feira (28) no site da Ufes.
“Viemos a público manifestar nossa indignação contra o episódio ocorrido no dia 25 de novembro de 2016, quando um grupo de estudantes invadiu o prédio e agrediu verbal e fisicamente funcionários terceirizados, servidores técnicos, professores e o reitor”, diz o texto.
O manifesto destaca ainda que situação como a do dia 25 tem se repetido e “atingindo limites insustentáveis, gerando constante ambiente de medo e insegurança, e um permanente estado de alerta”.
O texto menciona que respeita o direito às manifestações, mas que “ações desta natureza não devem ser toleradas”.
Reportagem: Carlos Mobuto