
Cerca de um ano após o rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana (MG), a mineradora Samarco está realizando obras para conter os rejeitos de mineração e evitar que eles voltem a atingir a calha do Rio Doce.
As principais obras, no entanto, devem ficar prontas em meio ao período de chuvas, conforme alerta dado pelo Ibama, que aponta a possibilidade de novas ondas de rejeitos atingir a calha do Rio Doce. Mas a mineradora afirmou que as obras devem conseguir realizar a contenção dos rejeitos que se desloquem no vale de Fundão.
Dentre as obras consideradas mais importantes pela mineradora está a construção da barragem Nova Santarém, próximo à antiga barragem de água que foi atingida pelos rejeitos de mineração, com capacidade de reter até 7 milhões de metros cúbicos de lama. A previsão é que essa barragem fique pronta até janeiro de 2017.
A Samarco também está finalizando uma série de quatro barreiras que tem capacidade de frear rejeitos antes que cheguem a Nova Santarém. Duas dessas barreiras estão finalizadas e outras duas devem ficar prontas em novembro.
A mineradora convidou o jornal A Tribuna para conhecer a planta industrial de Germano, em Mariana e, após um ano, ainda é possível ver em detalhes a destruição causada pelo rompimento da barragem que despejou 32 milhões de metros cúbicos de rejeitos e matou 19 pessoas em novembro de 2015.
Fora da área da Samarco, a empresa construiu três diques e inicia a obra de um quarto, para reter rejeitos antes que cheguem ao rio Gualaxo do Norte, um dos que fazem parte da bacia do Rio Doce.
Esse quarto dique deve funcionar por cinco anos e vai alagar a área do distrito de Bento Rodrigues que foi destruída pela lama de rejeitos de mineração. “A altura do dique foi pensada para que o lago não atingisse a Capela de São Bento e o cemitério”, afirmou o engenheiro coordenador de obras da Samarco, Eduardo Moreira.
No distrito de Bento Rodrigues, que deve ser reconstruído pela Fundação Renova até março de 2019, assim como parte de Paracatu de Baixo e Gesteira, uma equipe de arqueólogos fez a recuperação de 2 mil itens, além de retirar debaixo da lama o que restou da capela de São Bento, construída em 1718. Também fazem mapeamento de itens pessoais dos moradores.
Daniel Figueredo, de Mariana- Minas Gerais
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