Mais uma vez tentando evitar que o Uber seja regulamentado em Curitiba, taxistas da capital, da Região Metropolitana de Curitiba (RMC) e também de outros estados se mobilizaram na manhã desta quinta-feira (7) em novo protesto. A classe conseguiu ser atendida pelo juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos casos da Operação Lava a Jato, que recebeu em mãos um dossiê com argumentos jurídicos e econômicos contra a multinacional de mobilidade.
O protesto começou pela manhã, nas proximidades do Aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais (RMC). O grupo partiu de lá rumo à Justiça Federal e o mesmo caminho foi feito pelos taxistas que se reuniram em Curitiba. Unidos, taxistas até de Belo Horizonte (MG) e São Paulo (SP) clamavam por alguma solução para o problema apontado por eles.
Era por volta de meio-dia quando quatro taxistas foram escolhidos para serem recebidos por Sérgio Moro. “Ele nos disse que é solidário a nossa causa. Explicou que, dentro das possibilidades e da competência dele, vai analisar o dossiê e repassar para as esferas competentes. Acreditamos que ele se sensibilizou com a nossa causa, com essa concorrência desleal que tem assolado não só Curitiba, mas o Brasil inteiro”, disse Rogério Félix, que é representante da União dos Taxistas de Curitiba (UTC).
O documento que os taxistas entregaram teria 300 páginas.. O dossiê foi produzido por advogados e assessores de empresas de táxi do País e organizado pelo vereador de São Paulo Adilson Amadeo (PTB). A documentação reunida pelos taxistas estaria recheada de denúncias de crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas contra o Uber.
Para os taxistas, a discussão não é pela qualidade do serviço, e sim pela legalidade. “Temos a consciência de que a discussão jurídica não envolve a justiça federal. O juiz Sérgio Moro, inclusive, não tem qualquer competência natural do que está se discutindo. Mas (o ato) é mais por conta da simbologia e, principalmente, porque o foco do Moro é na questão da legalidade. É isso que estamos discutindo. Não estamos discutindo qualidade, se serve água mineral ou docinho”, afirmou o advogado, Marcelo Araújo.
PROTESTO
Na semana passada, taxistas e motoristas do Uber passaram por momentos de tensão em frente à Câmara Municipal de Curitiba, em outro protesto. “Diga não à pirataria”, diziam os trabalhadores, que reuniram cerca de 300 taxistas para cobrar que os vereadores não aprovem a regulamentação do aplicativo na capital. O protesto aconteceu depois de episódios de violência em Curitiba.