Taxistas estão optando por não cobrar a bandeira dois durante o dia neste mês para tentar atrair clientes. Alguns deles apontam que a medida é uma forma de tentar competir com aplicativos para transporte de passageiros como o Uber.
No mês de dezembro, as prefeituras autorizam a cobrança de bandeira dois durante o dia, como forma de garantir o 13º salário dos motoristas de táxi. No entanto, a cobrança não é obrigatória. Normalmente, a mudança de bandeira é feita nos horários noturnos, fins de semana ou quando o taxista sai do seu município de origem.

Em Vila Velha, Serra e Cariacica, a medida é regulada por lei. Já em Vitória, a prefeitura informou que o decreto autorizando a cobrança deve ser feito nos próximos dias.
No caso de Vitória, o quilômetro rodado passa de R$ 2,53 para R$ 3,04, além da cobrança inicial de bandeirada, no valor de R$ 4,44.
O taxista Adriano Antunes da Silva, 37 anos, é um dos que não vão fazer a cobrança.
[quote]“Por mim, seria padronizado durante todo o ano. Não cobro bandeira dois durante o dia. Se cobra a bandeira dois, as pessoas vão procurar outros meios de transporte.”[/quote]
Para o taxista Valdeque Pereira, 47, a cobrança entre as duas bandeiras vai depender do cliente. “Alguns acham que podemos cobrar e não veem problema. Mas, se reclamar, cobro a bandeira um. É melhor pegar mais clientes.”
O diretor social da Associação dos Taxistas do Estado, Maurício Vicente de Oliveira, afirmou que também não fará a cobrança em seu táxi. Um dos motivos, segundo ele, é a concorrência com o Uber.
[quote]“Como não é obrigatório, manterei a bandeira um. Estamos em crise, poucos estão andando de táxi e temos uma concorrência que é injusta. Cobrar a bandeira dois vai afastar o passageiro.”[/quote]
Direito de escolha
Segundo o Sindicato Profissional dos Motoristas de Táxi do Estado (Sinditavi-ES), João Valatti, foi realizada uma conversa com os profissionais para que não fosse usada a bandeira dois, mas alguns taxistas não aceitaram, por considerarem um direito da categoria. Ele explicou, no entanto, que a medida não é obrigatória.
[quote]“Não é uma obrigação, mas um direito. Então, o motorista pode optar pela bandeira.”[/quote]
Para o presidente do Sindicato dos Taxistas do Estado (Sinditaxi-ES), Ronaldo Vieira de Almeida, com a crise e o Uber, os motoristas deveriam abrir mão da bandeira dois para tentar atrair clientes.
“Perdemos 60% das corridas com a chegada do Uber, o movimento caiu muito. Temos de abrir mão, para conseguirmos trabalhar. Mas é uma opção de cada taxista.”