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Cidades

“Clubes de Mulheres” para tratar temas sérios e descontrair

Encontros acontecem para que elas debatam temas como carreira e maternidade, servindo como ferramenta de ajuda uma para outra

Ruana Homem, Glenda Casagrande, Catherine Gallerani e Paola Fischer formam o grupo Entre Nós
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Camila Lima

Jornalista formada pela Faculdade Estácio de Sá de Vitória, atua há 7 anos no jornal A Tribuna. Integrante da editoria de Cidades, tem como principal foco a cobertura de saúde, área na qual construiu sólida experiência em reportagens, entrevistas e coberturas de eventos pelo Brasil. Apresenta o podcast Fala, Doutor, dedicado a levar informação acessível e de qualidade sobre medicina e bem-estar ao público.

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Existem mulheres que decidem se dedicar exclusivamente ao maternar, enquanto outras tentam equilibrar “os pratos” da profissão e cuidado com os filhos.

Diante dos desafios impostos, seja na escolha de “viver para o lar” ou até mesmo empreender, mulheres têm se organizado em “clubes femininos” para debater carreira e maternidade, sendo apoio uma para as outras.

Glenda Casagrande, de 33 anos, é um desses exemplos. Casada e mãe da Olívia, de 4 anos, e do Lorenzo, de 2, ela mora na Serra e empreende como maquiadora, produtora de conteúdo, microinfluenciadora, social media e também é idealizadora do Entre Nós, grupo de conexão entre mulheres empreendedoras locais.

Mesmo sendo participante assídua de eventos voltados ao empreendedorismo feminino, com a chegada dos filhos, ela conta que acabou se distanciando desses ambientes.

“A performance de vida que eu desejava não cabia nas ‘caixinhas’ da esposa troféu, da maternidade exclusiva, nem da profissional de sucesso que abdica de todos os outros papéis em busca de uma carreira. Mas, ao mesmo tempo, tinha pontos em comum com todas elas”.

“E, na vida real, existe muita gente tentando fazer o mesmo, embora muitas vezes desacreditada de que seja possível, pela falta de referências, acolhimento e ajuda. O Entre Nós surgiu para ser esse espaço de troca. Um ‘happy hour de negócios’. Eu acredito muito que mulheres precisam de outras mulheres, especialmente as mães”, contou Glenda.

No grupo — que nasceu a partir dos eventos presenciais — as mulheres tiram um tempo para si, para celebrar, se capacitar, se conectar, falar de negócios, de filhos e se inspirar, segundo Glenda.

Entre essas mulheres estão a social media Ruana Homem, de 37 anos; a estrategista digital Catherine Gallerani, de 37 anos; e Paola Fischer, de 25 anos, dona de uma papelaria personalizada.

“O Entre Nós faz com que nós, mães e empreendedoras, entendamos que podemos almejar muito mais, além de compreendermos nossos limites e prioridades. Estar perto de tantas mulheres inspiradoras me permitiu enxergar tudo isso e fazer conexões valiosas, que têm agregado muito à minha empresa”, destaca Paola.

Espaços combatem cobrança excessiva

Por mais que as mulheres tenham “ajuda”, ainda assim o peso sobre o cuidado com os filhos e a carreira faz com que muitas sejam ou se sintam cobradas para “dar conta de tudo”.

Por isso, para a psicóloga Thays Hage, mestra e doutoranda em Psicologia pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Ufes, esses espaços femininos preenchem três lacunas críticas: o isolamento, a pressão por papéis contraditórios e a sobrecarga mental.

“Esses espaços combatem a cobrança de que a mulher trabalhe como se não tivesse filhos e crie os filhos como se não tivesse carreira. Neles, a condição de mãe não precisa ser omitida para que a competência seja reconhecida, o que reduz a ansiedade e a frustração”.

A psicóloga Juliana Nascimento, mestra e doutoranda sobre psicologia e carreira pelo Programa de Psicologia da Ufes, destaca que os grupos abrem espaço para falar sobre a sobrecarga, a culpa, o cansaço e os desafios concretos de conciliar trabalho e cuidado, além de responderem ainda à falta de rede de suporte estruturada.

“Eles funcionam como espaços de validação emocional e de troca de estratégias práticas. Ali, as mulheres percebem que o desafio não é individual, mas estrutural. E essa consciência reduz o sentimento de inadequação e fracasso que muitas carregam”.



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