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Economia

Regras para trabalho por aplicativos são adiadas após protestos

Após protestos feitos por motoristas e entregadores, projeto foi retirado de pauta na Câmara, por decisão do próprio governo

Regras para trabalho por aplicativos são adiadas após protestos
- Motociclistas e motoristas participaram de manifestação em Vitória contra mudanças previstas em projeto
Foto de perfil de Eliane Proscholdt

Eliane Proscholdt

Graduada em Comunicação Social, com ênfase em Jornalismo Faesa, Vitória-ES, em julho de 2000, atua como repórter especial multimídia em A Tribuna (Grupo Nassau Editora Rádio e TV), ao lado de Francine Spinassé. Ingressou na empresa em dezembro de 2000, acumulando experiências em todas as editorias.

Última atualização


Após protestos em mais de 20 capitais, incluindo Vitória, as regras para o trabalho por aplicativos “ficam para depois”. A pressão de entregadores, motoristas e do próprio governo levou à retirada do Projeto de Lei Complementar (PLP 152/2025) da pauta da Câmara dos Deputados. A votação estava prevista para terça-feira (14), em comissão especial.

A afirmação foi feita pelo novo ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, que não deu uma data para retomar as discussões sobre o tema. “Nós retiramos de pauta os aplicativos. Não há consenso na Casa, nem de um lado, nem do outro. Fica pra depois. Eu penso que é uma medida necessária. Estou cuidando disso para contornar esses problemas”.

O tema também foi discutido em reunião entre o presidente Lula e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). No encontro, o chefe do Executivo disse que não era um bom momento votar esse assunto agora e a tramitação foi suspensa.

Na Câmara, o governo passou a atuar contra o texto do relator da proposta, deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE).

De acordo com Coutinho, a mudança de posição do governo, que inicialmente indicava apoio com ressalvas, foi motivada principalmente pelo impasse em torno do piso mínimo para entregadores.

O relatório estabelece o valor de R$ 8,50. Já integrantes do governo defendiam um piso de R$ 10.

Para o relator, elevar esse valor pode comprometer a sustentabilidade do modelo. “A medida que o nosso se inviabilizou, o governo tem agora a obrigação de enviar um projeto que é do governo. Se ele (Boulos) mandar, eu voto a favor e ele vai ter que se justificar com o consumidor”, disse, em referência a um possível aumento dos preços caso o piso dos entregadores seja de R$ 10.

Em Vitória, a mobilização começou por volta das 9h15, na Praça do Papa, na Enseada do Suá. Do local, os participantes seguiram em carreata até a Assembleia Legislativa e, depois, até o Palácio Anchieta. O ato foi encerrado às 13h15.

O presidente da Associação dos Motoristas de Aplicativos do Espírito Santo (Amapes), Luiz Fernando Muller, estima que cerca de 150 entregadores em motos e mais 300 motoristas de aplicativos participaram do ato ontem.

Novas manifestações não estão descartadas

Com o olhar voltado para Brasília, o presidente da Associação dos Motoristas de Aplicativos do ES (Amapes) e do Sindicato dos Motoristas de Aplicativos do Espírito Santo, Luiz Fernando Muller, disse que a categoria não vai desistir de defender os direitos e não descata novas manisfetações.

Segundo ele, o principal ponto de insatisfação é o conteúdo atual do PLP 152/2025. “Até dezembro, o texto era considerado razoável e poderia ser aprimorado. No entanto, após mudanças no Congresso, o cenário mudou e foram retirados muitos direitos dos motoristas”.

Entre as alterações criticadas está a taxa de retenção das plataformas. No texto original, a estimativa era de um percentual fixo entre 20% e 25%. Já na versão atual, a taxa passou a ser de 30% variável. “Isso significa que, em uma corrida, pode tirar 50% e, em outra, 10%, fechando uma média de 30%. É muito prejudicial. Não há previsibilidade”.

Outro ponto citado é a retirada da tarifa mínima, que no projeto anterior era de R$ 8,50. “Não era o ideal, mas poderia melhorar. Agora foi retirada”, concluiu.

Saiba Mais 

Câmara Federal

  • Estava prevista a votação do parecer do relator, deputado Augusto Coutinho, ao PLP 152/25, do deputado Luiz Gastão (PSD-CE), mas foi cancelada, sem nova data marcada.
  • Um dos principais pontos de divergência é o valor mínimo a ser pago aos trabalhadores. O governo federal defende a fixação de R$ 10 por entrega, acrescidos de R$ 2,50 por quilômetro adicional. Hoje, o valor praticado pelas plataformas gira em torno de R$ 7,50. O relator propõe um valor mínimo de R$ 8,50, com possibilidade de ajustes por meio de emenda.

Líder da bancada federal

  • À reportagem, o deputado federal Josias Da Vitória, líder da bancada federal capixaba, disse que é preciso criar uma regulamentação que proteja os trabalhadores por aplicativo com responsabilidade, garantindo direitos, remuneração justa e sem comprometer a flexibilidade e a liberdade dos profissionais.
  • “Assim como a Câmara tem feito, o tema só deverá ir para o plenário quando houver acordo e a proposta atender aos trabalhadores, que são os maiores interessados”.

Manifestações pelo Brasil




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