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Rachadinha na Alepe: ex-deputado é alvo de esquema de até R$ 6 milhões

Esquema também envolvia outro líder político, que já havia sido deputado e dava suporte ao gabinete dos desvios

Rachadinha na Alepe: ex-deputado é alvo de esquema de até R$ 6 milhões
- Até barras de prata foram encontradas durante as buscas e apreensões, além de euro e dólar
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Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização


Um ex-deputado estadual é apontado como peça central de um esquema que pode ter desviado entre R$ 2,8 milhões e R$ 6 milhões da Assembleia Legislativa de Pernambuco, por meio de um sistema de “rachadinha” com funcionários-fantasmas. A informação foi detalhada nesta quarta-feira (15), durante coletiva da Polícia Civil, que deflagrou a Operação Draft. Nas buscas, foram encontradas até barras de prata e moeda estrangeira em uma imóvel com porta blindada.

Segundo o delegado Juliano Ferronato, as investigações, conduzidas pela 1ª Delegacia de Combate ao Crime Organizado, também apontam a participação de um segundo ex-deputado estadual no esquema, embora a atuação principal esteja concentrada em um único gabinete. Os mandados foram cumpridos no Recife, em Jaboatão e em Olinda.

“A investigação aponta que […] o esquema era operado em um gabinete de deputado estadual específico. Agora, um dos integrantes desse esquema já havia sido também deputado estadual em momento anterior”, afirmou o delegado.

Ao todo, a operação teve oito alvos de mandados de busca e apreensão. Todos, segundo a polícia, são ou foram agentes públicos ligados ao grupo investigado.

Questionado sobre eventuais prisões, o delegado não detalhou se houve detidos durante a operação. O principal foco da operação deixou de ser deputado em 2024. A Polícia Civil não divulgou os nomes dos ex-deputados investigados.

Esquema de rachadinha dentro de gabinete da Alepe

De acordo com a Polícia Civil, o esquema funcionava com a nomeação de assessores que não exerciam qualquer atividade, mas eram obrigados a devolver quase todo o salário.

“Os fatos apurados são peculato desvio, em que pessoas, assessores, são nomeados formalmente, mas sem a contraprestação de trabalho, devendo repassar quase a totalidade do salário para o esquema”, explicou o delegado.

Os salários variavam entre R$ 6 mil e R$ 18 mil. Na prática, os servidores ficavam com uma quantia simbólica.

“Sendo acordado com cada funcionário, ele deveria ficar com R$ 300, passando a totalidade do salário para o esquema”, disse.

Funcionários fantasmas também são investigados

Os próprios assessores nomeados ilegalmente também devem responder criminalmente.

“Penalmente, os funcionários fantasmas respondem também pelo crime de peculato de desvio, porque anuíram o esquema e, de certa forma, se beneficiaram com valores que ingressavam nas contas”, afirmou Ferronato.

Estrutura criminosa com divisão de tarefas

A investigação identificou que o esquema não era pontual, mas estruturado como uma organização criminosa.

O grupo era composto por oito integrantes, divididos entre núcleo político, operadores financeiros e executores responsáveis pela arrecadação dos valores.

“Conseguiu-se verificar que o núcleo […] era composto por oito membros, tendo dois líderes políticos, operadores financeiros e operadores materiais do esquema”, detalhou o delegado.

Operador financeiro movimentou até R$ 2 milhões

Um dos personagens centrais da engrenagem era um operador financeiro, responsável por conectar o núcleo político aos demais envolvidos.

“No decorrer do período investigativo, movimentou valores extremamente relevantes, em torno de R$ 200 mil reais a R$ 2 milhões de reais”, afirmou.

Segundo a polícia, ele atuava na escolha dos envolvidos, intermediação e cobrança dos repasses.“Escolhia as pessoas, cobrava, por vezes exigia”, disse o delegado.

A evolução do crime

A investigação também aponta uma mudança no comportamento do grupo ao longo do tempo.

Inicialmente, os repasses eram combinados. Depois, passaram a ser exigidos — o que caracteriza outro crime.

“Não só o peculato desvio foi apurado, também a concussão, quando já não há mais uma solicitação, uma exigência de devolução desses valores”, explicou Ferronato.

Dinheiro em espécie e lavagem para ocultação

A maior parte do dinheiro era sacada em espécie e entregue diretamente aos operadores.

“Na maior parte dos casos, o próprio assessor fantasma sacava o dinheiro em espécie e repassava a totalidade do valor”, disse.

Para dificultar o rastreamento, o grupo também utilizava transferências para contas de terceiros.

“Pulverizando em contas de terceiros para dificultar a própria rastreabilidade do dinheiro”, afirmou.

Segundo a polícia, há indícios de lavagem de dinheiro com uso de laranjas e movimentações fracionadas.

Apreensão de dinheiro, moedas estrangeiras e barras de prata

Durante a operação, foram apreendidos celulares, documentos, dinheiro em moeda estrangeira e três barras de prata. O valor em moedas estrangeiras gira entre R$ 110 mil e R$ 120 mil.

Em um dos imóveis, na Zona Sul do Recife, a polícia encontrou resistência para entrar. “Havia uma porta blindada na residência, o que dificultou ainda mais a entrada da equipe”, relatou o delegado.

Segundo ele, foi necessário romper a barreira após recusa do investigado em abrir o local.

Investigação começou com compartilhamento de dados

A apuração teve início em 2023, a partir do compartilhamento de informações entre órgãos policiais.

“A partir daí, a DECOR instaurou o inquérito policial, com base nesses dados compartilhados”, explicou. As investigações analisam fatos ocorridos entre 2015 e 2019.

Outro deputado citado, mas sem detalhamento

Embora a polícia confirme a existência de dois líderes políticos no esquema, os detalhes sobre a participação do segundo ex-deputado ainda são limitados. O delegado deu a entender que um dos líderes já não era mais deputado, mas dava suporte ao mandato do investigado.

Até o momento, a investigação indica que o funcionamento do esquema estava concentrado em um único gabinete, mas com ramificações políticas.

Próximos passos

O material apreendido será analisado para aprofundar as investigações.A Polícia Civil apura os crimes de peculato-desvio, concussão, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

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