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Homem mata capivara a pauladas em Boa Viagem e polícia busca suspeito

Câmeras de segurança registraram o crime na madrugada desta segunda-feira; agressor desferiu golpes por mais de um minuto

Homem mata capivara a pauladas em Boa Viagem e polícia busca suspeito
- Giovanni Amenta, síndico profissional
Foto de perfil de Aline Moura

Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização

Com informações de Carlos Simões


Um homem matou uma capivara a pauladas na madrugada desta segunda-feira (6), na Rua Professor Augusto Lins e Silva, no bairro de Boa Viagem, Zona Sul do Recife. O crime, ocorrido por volta de 1h10, foi registrado por câmeras de segurança de edifícios da localidade.

As imagens mostram o agressor — que estava descalço, sem camisa e vestindo uma bermuda azul — desferindo vários golpes contra o animal utilizando um pedaço de madeira semelhante a um cabo de vassoura.

A agressão contra o animal, que virou um símbolo afetivo na cidade, durou pouco cerca de um minuto. Após matar o animal, o homem abandonou o cadáver na calçada e fugiu do local sem levar o corpo, o que levanta questionamentos sobre a motivação, já que o animal não foi utilizado para consumo.

Moradores da área acionaram a Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana (Emlurb) no início da manhã para o recolhimento do animal.

O síndico profissional Giovanni Amenta, que atua na região, relatou o choque da vizinhança ao visualizar as imagens do circuito interno.



“Vi uma postagem logo cedo falando que tinha uma capivara morta. Acionei o meu prédio para mandar as imagens. Foi uma agressão com requinte de crueldade; o cara batia com vontade. É algo abominável e inofensivo”, afirmou Amenta. Segundo ele, há relatos de que o suspeito circula pela localidade e possivelmente reside em áreas próximas ao canal de Setúbal.

Enquadramento legal e investigação

A Polícia Civil de Pernambuco já iniciou as diligências para identificar e localizar o autor do crime. De acordo com o delegado Ademar Cândido, responsável pelo caso, o homem deve responder por dois crimes em concurso: o artigo 29 (matar espécime da fauna silvestre) e o artigo 32 (maus-tratos), ambos da Lei de Crimes Ambientais.

“A somatória desses crimes dá dois anos de detenção, o que ainda é considerado um crime de menor potencial ofensivo. Além da pena de prisão, há previsão de multa que pode chegar a R$ 50 mil”, explicou o delegado.

Cândido ressaltou que, embora o suspeito possa ser preso em flagrante, a legislação prevê a liberação para responder em liberdade devido à pena máxima. No caso de pessoas em situação de rua, caberá ao magistrado avaliar a aplicação da multa. A delegacia disponibilizou o número (81) 3184-7119 para denúncias que ajudem a localizar o agressor.

A lei Sansão

Mesmo sendo um ato “bárbaro” e “cruel”, como o síndico descreveu, o sistema judiciário brasileiro ainda trata a fauna silvestre com penas que permitem a liberdade imediata na maioria dos casos.

Em 2020, foi aprovada a Lei Sansão, que alterou o Artigo 32 apenas para cães e gatos, elevando a pena para 2 a 5 anos de reclusão.

Como a capivara é um animal silvestre (e não um pet doméstico como cão/gato), ela não foi beneficiada por esse aumento de pena. Por isso, matar uma capivara a pauladas tem uma punição muito menor, no papel, do que fazer o mesmo com um cachorro.

O “especismo” na Legislação

Protetores e juristas da área do Direito Animal criticam o que chamam de especismo antropocêntrico. Eles argumentam que a lei brasileira criou uma “hierarquia de dor”:

Se você espanca um cachorro, a pena é de reclusão (prisão imediata e regime fechado).

Se você espanca uma capivara ou um mico, a pena é de detenção (regime aberto, geralmente convertida em prestação de serviços).

O argumento: A dor do animal é a mesma, mas a lei protege mais o animal que “serve” ao afeto humano (pets) do que o animal que pertence à natureza.

A sensação de impunidade (crime de “papel”)

Juristas apontam que penas de até 2 anos entram no rito da Lei 9.099/95, que é focada na conciliação, e não na punição.

Muitos chamam essas penas de “irrisórias” ou “simbólicas”, pois o agressor raramente pisa em uma delegacia por mais de duas horas.

Eles defendem que isso passa uma mensagem perigosa para a sociedade: a de que matar um animal silvestre “não dá em nada”.

A Teoria do Elo

Este é um argumento muito forte usado por delegados e juristas modernos. Eles citam estudos que mostram que quem é violento com animais tem uma predisposição altíssima para ser violento com seres humanos.

Protetores costumam dizer: “Hoje ele matou uma capivara a pauladas na calçada; amanhã, o alvo pode ser uma criança ou um idoso”.

Eles defendem que a pena deveria ser maior não só pelo animal, mas pela periculosidade social do indivíduo que demonstra tamanha crueldade em via pública.

Assista a matéria de Carlos Simões exibida nesta segunda-feira no JT1, que passa de segunda a sexta-feira, a partir das 12h. É só clicar



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