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PERIGO REAL

Médico foragido: Justiça decreta prisão por morte em harmonização no Recife

Marcelo Alves Vasconcelos não tinha CRM na época do crime; vítima pagou R$ 21 mil e morreu após ter "plástico" injetado no corpo

Médico foragido: Justiça decreta prisão por morte em harmonização no Recife
- Marcelo Alves Vasconcelos dobrou de seguidores mesmo depois de ser indiciado por homicídio doloso
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Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização


Com informações de Carlos Simões

O brilho das redes sociais esconde um rastro de impunidade e luto. Marcelo Alves Vasconcelos é, oficialmente, um foragido da Justiça. Com prisão preventiva decretada desde o dia 27 de março para garantir a ordem pública, o homem que se apresenta como médico desapareceu após ser acusado pela morte da comerciante Adriana Soares Lima Laurentino, de 46 anos.

O crime, ocorrido em janeiro do ano passado em uma clínica particular no Recife, revela um cenário de exercício ilegal da medicina e lucro acima da vida. Marcelo já tinha sido indiciado por homicídio doloso em maio do ano passado, mas estava livre.

Lucro acima da tragédia

O que mais estarrece a família e as autoridades é o comportamento de Marcelo após o desfecho fatal. Segundo a advogada Cira Filizola, o acusado não apenas continuou atendendo, como intensificou sua estrutura de marketing no Instagram.

De acordo com a advogada, ele quase dobrou o número de seguidores — chegando a mais de 230 mil com um marketing agressivo — vendendo promessas de “corpo perfeito” enquanto o processo pela morte de Adriana corria em segredo de justiça. Para a magistrada que assinou a prisão, a liberdade de Marcelo representa um risco real, já que ele atuava em 11 estados da federação. 

“Entre as razções da magistrada estão: a garantia da ordem pública e o risco à saúde pública que a soltura desse médico proporciona”, diz.

“Plástico” nos tecidos: uma bomba-relógio

Adriana pagou 21 mil reais por uma harmonização glútea. O exame pericial confirmou que foi injetada uma quantidade absurda de PMMA, um plástico de grau 5 pela Anvisa, substância que “gruda” nos tecidos e não sai do corpo.

“Minha prima não teve nem a chance de ser socorrida. Ela morreu em poucas horas”, desabafa Rita de Cássia, prima da vítima. O uso desse material para fins estéticos de grande volume é condenado por especialistas, agindo como um veneno que pode paralisar órgãos até anos após a aplicação.

Uma família desestruturada

Enquanto o “médico” ostentava resultados de “antes e depois” na internet (prática vedada pelo CRM), a realidade na casa de Adriana é de silêncio e dor. Ela era o esteio da família: cuidava da mãe acamada e de um filho, que agora, aos 18 anos, vive desolado. “Ele está dormindo de dia e acordado à noite, precisando de terapia. Quem vai devolver a vida da minha prima?”, questiona Rita.

A caçada ao acusado

Na época do procedimento que resultou na morte de Adriana, Marcelo não possuía registro no Cremepe. A Polícia Civil informou que realiza o monitoramento contínuo e cruzamento de dados para localizar o paradeiro do acusado. O mandado de prisão é público e a família agora pede ajuda à população para compartilhar informações que levem à captura de Marcelo, evitando que novas vítimas sejam enganadas pelo marketing agressivo de um profissional sem licença.

A ilusão da agulha

O caso de Adriana Soares é um alerta sobre a perigosa “indústria da perfeição”. Injetar um material definitivo e plástico no organismo não é apenas estética; é um risco de morte anunciado. Enquanto Marcelo Alves Vasconcelos permanecer foragido, a justiça segue incompleta e outras vidas permanecem na mira de um procedimento que não oferece retorno, apenas sequelas ou o vazio.

Saiba mais: o perigo por trás do PMMA

– O Polimetilmetacrilato (PMMA) é uma substância plástica definitiva (um tipo de acrílico) que não é absorvida pelo organismo. Embora tenha registro na Anvisa, seu uso é cercado de restrições severas.

– O “cimento” no corpo: diferente de preenchedores seguros (como o ácido hialurônico), o PMMA se infiltra nos tecidos e músculos. Se houver complicação, a remoção é quase impossível sem causar mutilações.

– Riscos a curto e longo prazo: pode causar necrose, cegueira, insuficiência renal e embolia pulmonar imediata. Também é uma “bomba-relógio”: sequelas graves podem surgir até 10 anos após a aplicação.

– Uso proibido para estética: O Conselho Federal de Medicina (CFM) contraindica o uso de PMMA para aumento de volume em glúteos ou seios devido ao altíssimo risco de morte.

Checklist: como não cair em ciladas

– Antes de realizar qualquer procedimento injetável, o Tribuna Online PE recomenda:

– Consulte o CRM: verifique no site do Conselho Regional de Medicina se o profissional tem registro ativo.

– Exija o RQE: além de médico, ele precisa ser especialista (Dermatologia ou Cirurgia Plástica).

– Peça o rótulo: você tem direito de ver a embalagem, a validade e o número do lote do produto antes da aplicação.

– Desconfie de milagres: resultados rápidos com preços muito abaixo do mercado geralmente escondem o uso de substâncias perigosas.

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