A aposentadoria ainda não representa estabilidade financeira para os brasileiros. Segundo pesquisa feita pela Serasa, em parceria com o Instituto Opinion Box, 5 em cada 10 aposentados já precisaram recorrer ao crédito para pagar despesas, enquanto 35% costumam buscar crédito especificamente para cobrir gastos essenciais.
O levantamento feito especialmente para o Dia do Aposentado, celebrado em 24 de janeiro, mostra também que 44% afirmam que o risco de endividamento aumentou após a aposentadoria.
Segundo o estudo, 46% dos entrevistados dizem que o valor da aposentadoria não é suficiente para manter o padrão de vida anterior, o que ajuda a explicar por que 46% relatam sentir mais instabilidade financeira nessa fase da vida.
Além disso, 44% têm receio de precisar de ajuda de outras pessoas para conseguir se manter, enquanto 33% enfrentam dificuldades para manter as contas básicas em dia, evidenciando a vulnerabilidade financeira desse grupo.
Ainda com base no levantamento, 60% dos aposentados continuam trabalhando. Entre eles, 63% afirmam que o principal motivo é complementar a renda, 57% dizem que seguem ativos para manter uma vida mais dinâmica e 32% apontam o desejo de continuar se sentindo produtivos.
Também aparecem como motivação ajudar financeiramente a família (23%) e a busca por novos desafios profissionais (11%), indicando que a aposentadoria, para muitos, não representa uma ruptura completa com a vida profissional.
Principais gastos que pesam no bolso
Saúde e remédios acima da conta de água, luz e gás
- Alimentação e supermercado – 60%
- Saúde e remédios – 55%
- Impostos – 37%
- Contas de água, luz e gás – 32%
- Dívidas – 29%
- Pagamentos de telefone, internet e TV a cabo – 25%
- Seguro de vida e automóvel – 21%
- Aluguel e moradia – 18%
- Lazer e entretenimento – 16%
- Cuidados pessoais – 11%
- Roupas e acessórios – 8%
- Transporte – 7%
- Outros – 6%
- Educação e cursos – 4%
Observação: A metodologia da pesquisa é de múltipla escolha, permitindo que os aposentados selecionassem mais de um item, o que impede que a soma das porcentagens resulte em 100%.
Análise
“Superendividamento de idosos tem se intensificado”
“O superendividamento entre idosos tem se intensificado e acende um alerta. No Brasil, milhões de idosos estão com dívidas em atraso. No Estado, a inadimplência atinge aproximadamente 1,3 milhão de pessoas e, infelizmente, muitos enfrentam o pesadelo do superendividamento.
Na maioria dos casos, o problema não decorre de consumo excessivo. Muitos idosos comprometem a própria renda para ajudar filhos e netos, assumindo empréstimos que acabam se tornando impagáveis, o que também pode abrir espaço para abusos dentro do ambiente familiar.
Diante desse cenário, a legislação garante proteção. O idoso tem direito ao mínimo existencial, pode repactuar dívidas com todos os credores, revisar contratos abusivos e se resguardar de ofertas enganosas de crédito, assegurando recursos básicos para sua subsistência e preservando sua dignidade. Leis como a do Superendividamento representam avanços importantes — e que venham outras medidas de proteção na mesma direção.”