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Economia

Superendividamento: maioria dos idosos já recorreu a crédito para pagar contas

Aposentados enfrentam instabilidade, recorrem ao crédito e seguem trabalhando para complementar a renda

Superendividamento: maioria dos idosos já recorreu a crédito para pagar contas
- Aposentadoria sem folga: muitos idosos recorrem ao crédito para manter as contas em dia
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Eliane Proscholdt

Graduada em Comunicação Social, com ênfase em Jornalismo Faesa, Vitória-ES, em julho de 2000, atua como repórter especial multimídia em A Tribuna (Grupo Nassau Editora Rádio e TV), ao lado de Francine Spinassé. Ingressou na empresa em dezembro de 2000, acumulando experiências em todas as editorias.

Última atualização


A aposentadoria ainda não representa estabilidade financeira para os brasileiros. Segundo pesquisa feita pela Serasa, em parceria com o Instituto Opinion Box, 5 em cada 10 aposentados já precisaram recorrer ao crédito para pagar despesas, enquanto 35% costumam buscar crédito especificamente para cobrir gastos essenciais.

O levantamento feito especialmente para o Dia do Aposentado, celebrado em 24 de janeiro, mostra também que 44% afirmam que o risco de endividamento aumentou após a aposentadoria.

Segundo o estudo, 46% dos entrevistados dizem que o valor da aposentadoria não é suficiente para manter o padrão de vida anterior, o que ajuda a explicar por que 46% relatam sentir mais instabilidade financeira nessa fase da vida.

Além disso, 44% têm receio de precisar de ajuda de outras pessoas para conseguir se manter, enquanto 33% enfrentam dificuldades para manter as contas básicas em dia, evidenciando a vulnerabilidade financeira desse grupo.

Ainda com base no levantamento, 60% dos aposentados continuam trabalhando. Entre eles, 63% afirmam que o principal motivo é complementar a renda, 57% dizem que seguem ativos para manter uma vida mais dinâmica e 32% apontam o desejo de continuar se sentindo produtivos.

Também aparecem como motivação ajudar financeiramente a família (23%) e a busca por novos desafios profissionais (11%), indicando que a aposentadoria, para muitos, não representa uma ruptura completa com a vida profissional.

Principais gastos que pesam no bolso

Saúde e remédios acima da conta de água, luz e gás

  • Alimentação e supermercado – 60%
  • Saúde e remédios – 55% 
  • Impostos – 37% 
  • Contas de água, luz e gás – 32%
  • Dívidas – 29% 
  • Pagamentos de telefone, internet e TV a cabo – 25% 
  • Seguro de vida e automóvel – 21% 
  • Aluguel e moradia – 18% 
  • Lazer e entretenimento – 16% 
  • Cuidados pessoais – 11% 
  • Roupas e acessórios – 8% 
  • Transporte – 7% 
  • Outros – 6% 
  • Educação e cursos – 4% 

Observação: A metodologia da pesquisa é de múltipla escolha, permitindo que os aposentados selecionassem mais de um item, o que impede que a soma das porcentagens resulte em 100%. 

Análise 

“Superendividamento de idosos tem se intensificado”

“O superendividamento entre idosos tem se intensificado e acende um alerta. No Brasil, milhões de idosos estão com dívidas em atraso. No Estado, a inadimplência atinge aproximadamente 1,3 milhão de pessoas e, infelizmente, muitos enfrentam o pesadelo do superendividamento.

Na maioria dos casos, o problema não decorre de consumo excessivo. Muitos idosos comprometem a própria renda para ajudar filhos e netos, assumindo empréstimos que acabam se tornando impagáveis, o que também pode abrir espaço para abusos dentro do ambiente familiar.

Diante desse cenário, a legislação garante proteção. O idoso tem direito ao mínimo existencial, pode repactuar dívidas com todos os credores, revisar contratos abusivos e se resguardar de ofertas enganosas de crédito, assegurando recursos básicos para sua subsistência e preservando sua dignidade. Leis como a do Superendividamento representam avanços importantes — e que venham outras medidas de proteção na mesma direção.”

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