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Economia

Conflito no Oriente Médio pode deixar combustíveis e alimentos mais caros

Produtos podem aumentar de valor para o consumidor final caso o conflito se estenda, segundo especialistas

Conflito no Oriente Médio pode deixar combustíveis e alimentos mais caros
- Frentista abastecendo veículo em posto: combustíveis estão entre os principais produtos que devem ter seus preços afetados no Brasil, devido ao aumento nos custos de transporte, que acabam por ser repassados ao consumidor final
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Eliane Proscholdt

Graduada em Comunicação Social, com ênfase em Jornalismo Faesa, Vitória-ES, em julho de 2000, atua como repórter especial multimídia em A Tribuna (Grupo Nassau Editora Rádio e TV), ao lado de Francine Spinassé. Ingressou na empresa em dezembro de 2000, acumulando experiências em todas as editorias.

Última atualização


A guerra de Israel e Estados Unidos contra o Irã pode ter impactos negativos da economia brasileira, a exemplo do aumento da inflação, redução no ritmo de corte da taxa básica de juros, a Selic, e a mudança do cenário positivo do fluxo de capitais para o País. E no Espírito Santo?

Bruno Macial, doutor em Relações Internacionais pela PUC-MG e professor da UVV, destaca que esse movimento de alta nos preços também pode chegar ao Espírito Santo, via reajustes e defasagens.

Os principais sinais disso podem ser vistos no preço do diesel, no aumento do custo do frete rodoviário e repasses em itens com logística pesada como alimentos e materiais de construção.

“Como o Brasil é um grande importador de fertilizantes, e o aumento no custo da energia pesa no preço dos nitrogenados, além dos fretes e seguros que pesam no desembarque desses produtos, pode ter efeitos no custo dos alimentos”.

O Sindicato do Comércio de Exportação e Importação do Espírito Santo (Sindiex) disse que acompanha os desdobramentos da atual tensão geopolítica e seus possíveis reflexos sobre as operações de comércio exterior.

Neste momento, diz que é prematuro apresentar estimativas consolidadas ou números concretos sobre impactos diretos nas exportações e importações capixabas.

“O cenário é de cautela, com monitoramento contínuo das rotas marítimas, dos custos logísticos e das movimentações cambiais por parte das empresas do setor. O efeito mais imediato observado até o momento foi a oscilação no preço internacional do petróleo, fator que influencia diretamente os custos de transporte e pode gerar pressão sobre cadeias produtivas dependentes de energia e combustíveis”.

De acordo com o Sindiex, caso o conflito se prolongue, poderão ser registrados impactos mais relevantes nos fretes internacionais, nos seguros marítimos e no fornecimento de produtos cujas origens ou rotas estejam vinculadas à região.

“Itens petroquímicos, fertilizantes, derivados de petróleo e insumos industriais tendem a apresentar maior sensibilidade nesse contexto”.

O vice-presidente da Fecomércio-ES, José Carlos Bergamin, demonstrou preocupação, lembrando que existem produtos que dependem de transporte aéreo, outros de rotas específicas, e qualquer interrupção ou encarecimento nesse processo afeta diretamente a movimentação econômica.

Petrobras diz ter rotas alternativas à região

A Petrobras garantiu que possui rotas alternativas à região do conflito, o que dá segurança e custos competitivos para as operações da companhia, preservando as margens.

Ressaltou que os fluxos de importação são majoritariamente fora da região de crise e as poucas rotas que existem podem ser redirecionadas. Por fim, reforçou que não há risco de interrupção das importações e exportações no momento.

A Vports avalia possíveis desdobramentos junto a parceiros, clientes e armadores para ter uma real dimensão do impacto dos conflitos para a atividade portuária local.

O Sindipostos-ES diz que a guerra deve impactar o mercado de petróleo em todo o mundo, mas sua proporção dependerá de quanto tempo o conflito vai durar.

“O Brasil e o Espírito Santo não estão imunes e devem sofrer consequências. Nós, revendedores, estamos aguardando com muita expectativa o desenrolar dos fatos porque somos o último elo da cadeia e reflexo de tudo o que acontece desde a extração, a importação, a produção e a distribuição”.

Já o governador do Estado, Renato Casagrande, demonstrou preocupação. “O conflito sempre preocupa o Estado até porque somos produtor de petróleo, produzimos outros tipos de produtos afetados pela economia mundial. Podemos ter pressão sobre taxas. Parece que para algumas lideranças de países importantes, a ausência do diálogo virou prática”.



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